Procurava um assassino sem saber que era amiga dele. A história real da mulher que conheceu Ted Bundy já chegou a Portugal

A obra parte de uma pergunta tão simples quanto inquietante: até que ponto conhecemos realmente as pessoas que fazem parte da nossa vida? Ann Rule também pensava que conhecia Ted Bundy.

Não podemos negar que thrillers, policiais e histórias de “true crime” têm conquistado cada vez mais espaço nas livrarias. No entanto, há relatos que conseguem ser ainda mais inquietantes do que qualquer obra de ficção, principalmente quando quem os escreve não se limita a investigar o assassino: acontece que também trabalhou ao lado dele, tornou-se sua amiga e, durante muito tempo, não fazia ideia de quem realmente tinha à sua frente.

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É precisamente essa a história que Ann Rule conta em “Ted Bundy – Um Estranho a Meu Lado”, publicado originalmente em 1980 e que chega agora numa primeira edição portuguesa às livrarias nacionais. Nele, e ao longo de mais de 650 páginas, a escritora e jornalista norte-americana recupera a história de um dos assassinos em série mais conhecidos do mundo, a partir, lá está, de uma perspetiva difícil de imaginar: a de alguém que o conheceu antes de o nome Ted Bundy se tornar um arrepio na espinha.

Tudo começou em 1971, quando os dois trabalhavam lado a lado numa linha telefónica de prevenção do suicídio, em Seattle, nos EUA. Ann Rule era voluntária e começava a construir uma carreira ligada à escrita de histórias de crime, enquanto Ted Bundy, na altura estudante de Psicologia, era o colega atencioso e empático com quem partilhava os turnos. Tornaram-se amigos e, aos olhos da escritora, nada dava a entender que, anos mais tarde, viria a descobrir a inquietante verdade sobre o colega.

E é aqui que tudo começa. Na altura, jovens mulheres começaram a desaparecer e a ser assassinadas no estado de Washington, e Ann Rule, que tinha então uma carreira ligada ao crime, acabou envolvida na situação – e tudo começou a ficar mais estranho quando testemunhas começaram a dizer que o homem se chamava “Ted”, e os retratos que apresentavam tinham a figura do seu amigo estampada. Desta forma, a escritora chegou mesmo a dar o nome de Ted Bundy à polícia, apesar de não acreditar (ainda) que o amigo era o culpado.

Ora, Ted Bundy era, mesmo, o culpado, como todos viemos a saber depois da sua detenção em 1975. Nos anos seguintes, a dimensão dos seus crimes começou a tornar-se evidente, e Ann Rule, perdida nos seus pensamentos, tentava conciliar aquilo que ia descobrindo com o homem que julgava conhecer. Os dois continuaram, na verdade, a manter contacto durante parte desse período, o que também deixou “Ted Bundy – Um Estranho a Meu Lado” ainda mais inquietante. 

Assim, mais de quatro décadas depois da publicação original, o livro chega agora aos leitores portugueses, e entre investigação criminal, memórias pessoais e uma amizade que acabou por ganhar contornos inimagináveis, a obra parte de uma pergunta tão simples quanto inquietante: até que ponto conhecemos realmente as pessoas que fazem parte da nossa vida? Ann Rule também pensava que conhecia Ted Bundy, e foi este livro que lhe deu tanto sucesso até morrer, em 2015.

“Ted Bundy – Um Estranho a Meu Lado” já está disponível por 21,92€.

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