Quer dar uma nova vida às obras que já leu? Há um “Tinder dos livros” onde pode trocá-los por outras histórias

Nesta plataforma, em vez de procurar uma cara-metade, os utilizadores procuram o próximo livro a levar para casa – trocando-o, na verdade, por outro que precisa de sair.

Quem é fã absoluto de literatura conhece bem este problema: a estante está cheia, há livros que dificilmente vão ser lidos outra vez e, mesmo assim, custa tirá-los de lá. Ao mesmo tempo, a lista de leituras continua a crescer, as redes sociais incentivam cada vez mais nova leituras e a guerra com a carteira para ir buscar mais cêntimos parece não ter fim. No entanto, temos uma pergunta: e se houvesse uma forma simples de trocar um livro que já terminou por outro que sempre quis ler?

Foi precisamente através dessa ideia que nasceu a Troca Estantes, uma plataforma criada por João Duarte que junta leitores através de um sistema inspirado nas aplicações de encontros – sim, percebeu bem, mesmo ao estilo do Tinder. Só que aqui, em vez de procurar uma cara-metade, os utilizadores procuram o próximo livro a levar para casa. “Na altura, descobri que a Biblioteca Nacional tinha um catálogo enorme de livros e pensei que podia fazer alguma coisa com isso”, começou por dizer o jovem à MAGG.

“A primeira ideia foi criar uma plataforma de troca de livros e, a partir daí, surgiu naturalmente o ‘Tinder para livros'”. O objetivo inicial era, portanto, encontrar uma forma de aproveitar essa base de dados, e João Duarte rapidamente percebeu que podia ir mais longe. Assim, depois de vários meses de desenvolvimento – interrompidos pelo trabalho e pelos desafios técnicos de criar um website de raiz – a plataforma acabou por chegar ao público.

E como é que a Troca Estantes funciona? Até é bastante simples, na verdade. Basta criar uma conta, adicionar alguns livros que tenha em casa que estejam disponíveis para troca e começar a explorar as estantes de outros utilizadores. Sempre que duas pessoas demonstram interesse nos livros uma da outra, acontece o famoso match, e a partir daí podem conversar através de um chat privado e combinar a troca, seja presencialmente ou por correio.

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“Depois de terem livros publicados, podem começar a fazer swipe, ou seja, deslizar para a esquerda ou para a direita consoante tenham ou não interesse nos livros de outras pessoas. Quando existe interesse de ambas as partes, acontece um match”, explicou o fundador. No entanto, apesar de a comparação com o Tinder seja claramente inevitável, por causa do match feito, João Duarte explica que a plataforma junta características de várias aplicações conhecidas.

Ou seja, a plataforma acaba por funcionar como um marketplace, à semelhança do OLX, utilizar o sistema de swipe e de correspondências popularizado pelo Tinder e acaba também por recorrer às preferências literárias dos utilizadores para recomendar livros, como plataformas como Fable ou Goodreads. Estas preferências têm que ver com “localização, autores favoritos, livros favoritos ou géneros literários”, e apesar de a ideia ter aparecido através do catálogo da Biblioteca Nacional, não se limita a isso. 

“Conheço bastantes pessoas que gostam de ler, têm muitos livros em casa e acabam por não conseguir dar-lhes uma nova vida. Eu próprio tenho uma estante cheia de livros e já consegui trocar alguns graças à plataforma”, explicou João Duarte, que acrescentou ainda que a sustentabilidade é um dos grandes pilares do projeto. “Os livros estão cada vez mais caros. Ao permitirmos que as pessoas troquem livros em vez de comprarem sempre novos, estamos a incentivar a reutilização e a facilitar o acesso à leitura”, rematou.

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