À MAGG, Bárbara Bandeira falou sobre a fase em que está na sua carreira, e garantiu que a menina que atuou em 2018 estará bastante orgulhosa da mulher que subiu ao palco em 2026. Leia a entrevista.
Se há um nome incontornável na música portuguesa contemporânea é, sem dúvida, Bárbara Bandeira. A conquistar o coração dos fãs desde o ano de 2018, a artista de 24 anos tem conseguido validar cada vez mais o seu nome na música, e a indústria nacional parece começar a ficar pequena para tanta personalidade. Com êxito atrás de êxito, Bárbara Bandeira é um nome que, apesar dos quase 10 anos de carreira, ainda está longe de mostrar tudo o que tem para dar.
E a sua dimensão ficou notória no Rock in Rio Lisboa 2026. A artista, que foi a última a subir ao Palco Super Bock no sábado, 20 de junho, soube como trazer a nostalgia até um festival onde já esteve, mas onde a idade não lhe permitia mais. Foi precisamente em 2018, com apenas dois ou três êxitos, que Bárbara Bandeira se estreou, e foi em 2026 que voltou para mostrar que sim, vingou, e da melhor maneira: com os mesmos fãs que a seguem há uma década, e com os novos que chegaram pelo caminho.
Aliás, foi mesmo por ser um concerto mais nostálgico que a artista decidiu cantar algumas músicas interditas nos seus concertos, talvez pela maturidade que tem agora. “Cantá-las foi uma forma de retribuir um pouco todo o carinho que tenho recebido”, começou por dizer Bárbara Bandeira à MAGG. “Há canções que já não costumo cantar nos meus concertos e que têm quase 10 anos, mas que as pessoas continuam a pedir. Decidi trazê-las de volta neste concerto como forma de agradecer a quem continua comigo.”
Ora, e maturidade não falta à artista que Bárbara Bandeira é hoje em dia. Com os lançamentos de “Lusa Ato I” e “Lusa Ato II”, a cantora quer mostrar ao mundo do que é feita, e garante que não deixou de ser quem é – talvez até seja mais ela própria agora. “Comecei a fazer música muito nova e ela foi crescendo comigo. A minha música tem caminhado lado a lado com o meu crescimento pessoal e, neste momento, sinto-me mais alinhada com aquilo que faço do que nunca”, disse.
“Quero fazer coisas que considero significativas e que acrescentem valor”

Como já é sabido, “Lusa” vai contar com quatro atos, estando os restantes dois a ser preparados, e o seu objetivo é mostrar as raízes de Bárbara Bandeira. Filha de pai português e mãe brasileira, a artista sentiu que já estava na hora de se revelar por completo, sem deixar a tal maturidade que a acompanha ao longo do percurso. A sua escrita é mais intimista, inquietante, lusófona e crescida, e é impossível ignorar o facto de contar com letras cada vez mais autobiográficas.
“Tenho aprendido muito nos últimos anos e, acima de tudo, tenho-me encontrado. Quando somos adolescentes, vivemos muito da fantasia e da idealização. Com o tempo, as coisas começam a fazer mais sentido e tornamo-nos mais conscientes das nossas escolhas. Sinto que esse amadurecimento também se refletiu na minha carreira. Hoje tenho uma maior consciência do que faço e das razões pelas quais o faço”, disse também a artista à MAGG.
É também por isso que nos dias de hoje Bárbara Bandeira procura envolver-se em projetos que tenham consistência e que sejam culturalmente relevantes, sendo que o grande exemplo disso é “Lusa”. Numa altura em que o digital ganha cada vez mais destaque e os fãs querem músicas cada vez mais depressa, a artista quer abrandar, e mostrar que quantidade não é qualidade. “Quero fazer coisas que considero significativas e que acrescentem valor, não só a mim, mas também às pessoas que me ouvem.”
Ou seja, se tivermos de apontar algo para o futuro de Bárbara Bandeira, certamente será uma carreira ainda mais estrondosa. A maneira como se apresenta em palco e a forma como canta encanta qualquer um que a esteja a ver, mesmo que não seja o maior fã, e é sem dúvida uma artista completa. “Sei que tenho vindo a cultivar muitas coisas que, acredito, darão frutos nos próximos anos. Sinto que os alicerces estão construídos, que tudo tem sido cuidadosamente preparado”, disse.
Por isso, se a Bárbara Bandeira de 2018 olhasse para a Bárbara Bandeira de 2026, o orgulho seria um dos sentimentos principais. “Acho que ficaria muito orgulhosa, feliz e talvez até surpreendida, porque muita coisa mudou. O amadurecimento é evidente. Não sei se ela gostaria exatamente da música que faço hoje, mas acredito que ficaria feliz por ver que estamos aqui, quase 10 anos depois, a continuar este caminho”, rematou.
