O grupo passou de músicas feitas entre amigos e jantares em casa para cantar perante uma multidão no palco principal d’O Sol da Caparica. Leia a entrevista.
Há bandas que demoram anos a conquistar um lugar no panorama musical – e depois há os Vizinhos. Com apenas um ano e meio de carreira, o grupo passou de músicas feitas entre amigos e jantares em casa para cantar perante uma multidão no palco principal d’O Sol da Caparica, e o seu crescimento rápido veio, sem sombra de dúvidas, de uma vontade clara de provar que não estão aqui apenas de passagem.
E a experiência no festival foi, para os Vizinhos, mais um daqueles momentos que dificilmente se esquecem. “Não estávamos à espera de que, com um ano e meio de banda, pisássemos já o palco principal do Sol da Caparica”, admitiram à MAGG. No entanto, a surpresa foi ainda maior quando perceberam a dimensão da resposta do público. “Estava tanta, tanta gente a cantar e a interagir connosco”.
E talvez seja precisamente essa reação do público que melhor traduz o momento que a banda está a viver. Canções que nasceram num contexto íntimo são agora cantadas por centenas ou milhares de pessoas, deixando o orgulho falar mais alto. “As músicas que nós escrevemos no seio da nossa casa, entre jantares com amigos”, recordam, acabaram por ganhar uma vida própria, e ver o público “a interagir, a cantar e a gritar é simplesmente incrível”. São momentos que, garantem, irão contar aos seus netos.
No entanto, com o crescimento da banda, surge inevitavelmente a pergunta: estarão os Vizinhos a deixar de ser um grupo que está a ser descoberto para se tornarem um nome que o público já conhece? A ambição, dizem, sempre esteve lá. “Sempre foi o objetivo inicial, formar-nos enquanto músicos e enquanto banda, sermos estáveis e não sermos uma banda apenas de um sucesso ou de uma canção”.
Mas o caminho até aqui também implicou escolhas difíceis. Antes de a música ocupar este espaço, havia trabalhos, estudos e carreiras que já estavam pensados. Mas para o bem da indústria portuguesa, os Vizinhos decidiram arriscar – e que bem que fizeram. “Abdicámos de tudo para arriscar 100% aqui”. A aposta passa também por continuar a crescer enquanto músicos, numa aprendizagem que, admitem, ainda está a acontecer. “Todos os dias trabalhamos para ser cada vez melhores”.
E se há uma palavra que resume aquilo que os une, a resposta surge de forma imediata. Quando questionados sobre o que os distingue enquanto grupo, responderam apenas “amizade”, uma palavra curta para explicar uma ligação que parece estar no centro do projeto – e que os acompanha enquanto sonham cada vez mais alto. Até porque os Vizinhos não parecem estar a pensar apenas no próximo concerto ou na próxima música, e sim fazer isto até aos “70, 80 anos”.
