Calema e a sua filosofia de vida. “Não sabemos se vem lá tempestade ou não, mas nunca podemos parar de semear”

A MAGG falou com os irmãos Fradique e António depois do concerto n’O Sol da Caparica, e entre os momentos mais marcantes das suas carreiras à filosofia que tentam todos os dias passar, saiba do que falámos.

Se havia nome que já se sabia que ia encher completamente o recinto d’O Sol da Caparica era, sem dúvida, a dupla Calema. Com milhares de ouvintes espalhados um pouco por todo o mundo, a verdade é que os irmãos Fradique e António conseguem conquistar qualquer pessoa que os esteja a ouvir, quer seja num palco só para eles, num estádio ou simplesmente num festival – o que aconteceu, portanto, no Parque Urbano da Costa da Caparica, na noite de sexta-feira, 14 de agosto.

Pedro Sampaio admite querer trabalhar com Calema e Plutónio. “Falta muita coisa”, diz o DJ brasileiro
Pedro Sampaio admite querer trabalhar com Calema e Plutónio. “Falta muita coisa”, diz o DJ brasileiro
Ver artigo

No entanto, está enganado se acha que todas estas conquistas fazem com que os Calema sintam que já não conseguem ser surpreendidos. “Todos os dias nos surpreendemos”, começaram por dizer à MAGG. “O que nós vemos é que todos os dias existem pessoas que nos conhecem como banda, e vemos o quão importante é aquilo que nós fazemos e que ainda é essencial. O que nos surpreende é que em cada show existe uma surpresa, existe algo diferente, algum detalhe, alguma coisa”. 

“Nós quando compomos música imaginamos um cenário, e as pessoas quando nos falam da vida delas, de como essa música encaixou na vida delas, percebemos que às vezes nunca vimos a nossa própria música nesse prisma, e isso é muito bonito”, continuaram. E não é para menos: as músicas dos irmãos de São Tomé e Príncipe são, acima de tudo, para serem sentidas, seja na dor, na tristeza, na alegria ou na euforia. Há canções para todos os gostos, e é também isso que faz dos Calema uma banda tão versátil. 

Aliás, o facto de existir muita música deles por aí apenas quer dizer que os irmãos nunca desistiram de a fazer, porque se há uma filosofia que seguem é a filosofia do camponês. “Nós temos a filosofia do camponês: não sabemos se vem lá tempestade ou não, mas nunca podemos parar de semear”, explicaram. “Cada passo, cada etapa teve a sua importância para aquilo que nós somos hoje, e não ter medo de errar também fez com que a gente chegasse aqui”.

“Todas as vezes a gente ia, fazia as coisas, calculava, pensava e acreditava em nós mesmos, e quando víamos que não resultava, dávamos um passo atrás. Mas continuávamos sempre”, admitiram. Essa coragem de ir sempre cada vez mais além também foi o que os fez acreditar no concerto do Estádio da Luz, que acabou por marcar mais uma viragem na carreira dos Calema. “Isto tudo acontece porque nós acreditamos, e foi isso que fizemos com o Estádio da Luz”.

“Nenhum artista lusófono tinha feito o Estádio da Luz, e nós fizemos porque nós sentimos que era, além de ser arriscado, um passo fundamental para abrir e mostrar a todas as pessoas que é possível a gente fazer isso”, disseram, dando o exemplo de Plutónio, que vai em 2027 pisar o palco do Estádio de Alvalade. “Ele disse-nos ‘o vosso Estádio da Luz inspirou-me bastante’. É essa a mensagem que nós tentamos partilhar sempre: não desistir, continuar, batalhar, porque as coisas depois acontecem”. 

E sim, o Estádio da Luz pode ter sido um sonho concretizado, mas Fradique e António ainda ambicionam muito mais. “O nosso desafio é fazer com que a nossa música seja ouvida nos quatro cantos do mundo. Já é, mas vamos fazer com que seja ainda mais”, remataram. Assim, uma coisa é certa: não há maior festival, maios sala de espetáculo ou maior estádio que vá conseguir parar os sonhos dos Calema, e apesar de já terem vários anos disto, ainda estão só a começar. 

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.

Veja também

Scroll to Top