A 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, marcada para maio de 2026 em Viena, Áustria, já está envolvida em polémica. Irlanda, Espanha, Islândia e Eslovénia ameaçam retirar-se do concurso caso Israel seja autorizado a participar.

O regulamento permite que os países desistam sem penalizações financeiras se comunicarem a decisão até dezembro de 2025, altura em que a União Europeia de Radiodifusão (UER) se reúne para definir os moldes da competição, revelou o "Público".

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Esta quinta-feira, 11 de setembro, a televisão pública irlandesa emitiu um comunicado em que sublinha que seria "inconcebível" manter-se na Eurovisão perante "a aterradora e quotidiana perda de vidas em Gaza". A emissora disse ainda estar "muito preocupada com o assassínio orientado de jornalistas" e com a "negação do acesso a Gaza a jornalistas internacionais", bem como com "o estado dos reféns que restam". Caso se confirme, será a terceira vez que a Irlanda não participa no festival, referiu a mesma fonte.

Mas este não é o único país que está com intenções de não participar. Também a Eslovénia já tinha manifestado uma posição semelhante. Em Espanha, o ministro da Cultura, Ernest Urtasun, afirmou, em declarações, que não se pode “normalizar a participação de Israel em fóruns internacionais como se nada estivesse a acontecer”. Antes, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu à UER que aplicasse os mesmos critérios usados para excluir a Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022, criticando o que considera ser uma lógica de “dois pesos e duas medidas”.

O jornal recorda ainda que Espanha é um dos cinco países que financiam diretamente a Eurovisão e têm acesso automático à final. Já na Islândia, o diretor-geral da RÚV, Stefán Eiríksson, admitiu ter “sérias dúvidas quanto à conduta tanto da emissora pública israelita como do governo israelita” em relação às regras da competição.

A polémica surge também num contexto de patrocínios, sendo que, desde 2020, a principal patrocinadora da Eurovisão é a marca israelita Moroccanoil. Nos últimos anos, a contestação à presença de Israel no concurso tem crescido, sendo que, no ano passado, mais de 70 ex-participantes apelaram à exclusão de Israel.