NOS Alive. Estreia do Palco Literário tem sido uma lufada de ar fresco no meio da música – e pretende agarrar mais leitores

David Azevedo Lopes, curador do Palco Literário do NOS Alive, falou com a MAGG sobre esta novidade, e avançou que o seu propósito é atrair mais leitores. Leia a entrevista.

Num festival onde a grandiosidade dos palcos costuma captar todas as atenções, há um novo espaço no NOS Alive que convida o público a abrandar o ritmo – e se calhar não é nada daquilo que está à espera. Entre concertos e animações, o Palco Literário estreou-se nesta 18.ª edição para provar que a cultura também se faz de palavras, e para David Azevedo Lopes, curador do projeto, a literatura não chega ao festival para ocupar o lugar da música: chega sim para recordar que caminham lado a lado.

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“A literatura é complementaridade”, começou por dizer à MAGG. “Muitas vezes um grande tema começa com uma grande letra, por isso é que há uma grande interação entre a música e a literatura. Eu diria que é a face da mesma moeda: a letra, a literatura, a música e as composições”. Ou seja, para David, os dois universos são “completamente íntimos”, e encontram-se naturalmente num festival onde, além dos concertos, há espaço para descobrir mais sobre, claro, livros.

Aliás, essa visão acompanha também a evolução do próprio NOS Alive. David Azevedo Lopes recordou que o festival tem vindo a afirmar-se como um espaço cultural cada vez mais abrangente, especialmente depois da criação do Palco Comédia e do Palco Fado. “É sobretudo aquilo que o fundador deste festival, o Álvaro Covões, diz. O NOS Alive é, cada vez mais, um espaço de cultura“, e a verdade é que a adesão a estes novos formatos demonstra que o público procura mais do que apenas música num festival.

E como é que esta ideia do Palco Literário ganhou força, afinal? Sem escritores, nada disto seria possível, e foi o entusiasmo deles que também levou isto para a frente. “Não houve uma única nega”, contou David. “Mas eu acho que não é a ideia que é excecional. A literatura é que é excecional, os livros são excecionais e os autores são excecionais”. E na sua perspetiva, promover a leitura significa contribuir para um País mais crítico, mais informado e mais livre. “Ter opinião significa ser livre” – e liberdade é palavra de ordem num festival de música.

Por isso mesmo é que o programa foi pensado para refletir essa ligação. Um dos exemplos foi a conversa entre Luísa Sobral e Afonso Cruz, ambos músicos e escritores, onde a escrita e a composição se cruzaram naturalmente. Já Ana Bárbara Pedrosa e Francisco Guimarães exploram no sábado, 11 de julho, os bastidores do processo criativo, mostrando como também a literatura tem os seus “ensaios”, numa referência ao trabalho que acontece não só antes de um concerto como também antes da publicação de um livro.

E a verdade é que a receção do público acabou por confirmar a aposta neste novo palco. Segundo David, o espaço estava sempre cheio, e até teve espectadores em pé – no entanto, mais do que os números, o curador preferiu destacar reações. “As pessoas sorriam nos momentos em que achávamos que iam sorrir, batiam palmas, ficavam no fim para conversar com os autores e compravam livros“, disse. Uma experiência que acabou sempre com a possibilidade de os visitantes enviarem gratuitamente para casa os livros comprados e autografados.

Ainda assim, o objetivo desta novidade vai muito mais além do que a programação de um palco. O curador acredita que este pode ser um ponto de entrada para novos leitores, sobretudo para leitores mais jovens. “Se temos de definir um objetivo, seria precisamente esse: trazer pessoas para a leitura”. E sim, imagina um futuro onde grandes artistas dos palcos principais possam falar naturalmente sobre os livros que marcaram as suas vidas. “Tenho a certeza de que milhares de jovens, ao ouvir os artistas, vão olhar para os livros e dar-lhes uma oportunidade”, rematou.

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