A República da Irlanda nem sequer se qualificou para o Mundial, mas há um pub irlandês em Nova Iorque onde todos os olhos estão postos em Cabo Verde. Saiba porquê.
Os “tubarões azuis” fizeram história. Depois de empatarem a zeros com a Arábia Saudita no último jogo da fase de grupos, a seleção de Cabo Verde teve de esperar pelo final da partida entre a Espanha e o Uruguai, onde a vitória dos espanhóis por 1-0 garantiu à equipa estreante em mundiais a passagem para os 16 avos de final. Agora, tem pela frente a poderosa Argentina de Messi.
Mas sabia que há uma ligação inesperada desta equipa sensação a um bar irlandês? Quem entrar no Honey Fitz, um pub irlandês situado em Astoria, no bairro nova-iorquino de Queens, pode estranhar o ambiente. Em vez das habituais camisolas verdes da República da Irlanda, são as bandeiras de Cabo Verde que dominam o espaço, enquanto dezenas de adeptos vibram a cada jogada da seleção africana, salienta o “The New York Times”.
A explicação para este fenómeno é Roberto Lopes, mais conhecido no futebol por Pico. Embora tenha nascido na Irlanda, Roberto Lopes decidiu vestir a camisola de Cabo Verde, terra natal do pai. O defesa, que durante vários anos conciliou o futebol com outro emprego, recebeu em 2018 o convite para integrar a seleção cabo-verdiana.
Desde então, já disputou dezenas de encontros internacionais e tornou-se uma das figuras mais acarinhadas pelos adeptos dos “tubarões azuis” , que têm sido uma das grandes surpresas do Mundial.
A ligação entre Pico e o Honey Fitz fez com que o pub se tornasse o ponto de encontro de quem acompanha os jogos de Cabo Verde em Nova Iorque. A cada partida, irlandeses, cabo-verdianos e curiosos juntam-se no mesmo espaço para apoiar uma seleção que, apesar de não ser apontada como favorita, tem conquistado simpatizantes. As celebrações já fazem parte da rotina do bar, onde cachecóis, bandeiras e camisolas de Cabo Verde convivem lado a lado com os símbolos tradicionais da Irlanda.
Durante um dos jogos do Mundial, a festa foi inevitável. Os adeptos irlandeses celebraram um golo histórico de Cabo Verde como se fosse da própria seleção nacional. O momento simbolizou uma ligação inesperada entre duas culturas que acabaram por se encontrar através do futebol e da história de Roberto Lopes, um jogador que representa, ao mesmo tempo, as suas duas origens.
Sem o estatuto das grandes potências do futebol, Cabo Verde tem sido uma das equipas que mais tem dado que falar na competição. O percurso da seleção tem conquistado adeptos um pouco por todo o mundo e transformado os “tubarões azuis” numa das histórias mais bonitas deste Mundial.
