A Beecoming Walks é um projeto completamente gratuito que transforma algo tão simples como uma caminhada numa oportunidade para criar redes de apoio. Saiba tudo.
Ser mãe, para algumas mulheres, é uma das experiências mais bonitas da vida – mas também pode ser uma das mais solitárias. Entre o cansaço, o ter de se adaptar a uma nova rotina e a sensação de que o mundo não espera, muitas mulheres acabam por viver o pós-parto em silêncio, não queremos mostrar a sua exaustão a quem a rodeia. No entanto, foi precisamente para contrariar essa realidade que nasceu a Beecoming Walks, um projeto completamente gratuito que transforma algo tão simples como uma caminhada numa oportunidade para criar redes de apoio.
A ideia surgiu da experiência pessoal de Catarina Bandarra. Durante o seu segundo pós-parto, apercebeu-se de que aquilo de que mais sentia falta não era apenas de descanso, mas de uma comunidade com quem pudesse contar – nem que fosse apenas para ir caminhar. Sair de casa para dar um passeio ajudava-a a enfrentar os dias mais difíceis, e foi aí que percebeu que essa sensação seria ainda mais poderosa se pudesse ser partilhada com outras mães, especialmente aquelas que estivessem a viver os mesmos desafios.
“A Becoming apareceu num momento muito específico da minha vida. Foi algo de que eu própria senti falta e que andei muito tempo à procura”, começou por dizer a fundadora do projeto à MAGG. “Descobri que não havia nada parecido em Portugal, porque aquilo de que eu sentia mais falta era de comunidade, de sair de casa e ir dar um passeio. Pensei que, se conseguisse juntar as duas coisas, talvez tudo se tornasse mais leve”, continuou Catarina Bandarra.
Foi, portanto, dessa reflexão que nasceu a Beecoming Walks, um projeto cujo nome simboliza a transformação constante da maternidade. Afinal, como explicou Catarina, tornar-se mãe não foi uma mudança que aconteceu apenas no momento em que deu à luz, sendo sim um processo contínuo que irá acompanhá-la toda a vida. “A maternidade transforma-nos completamente, e é um processo que dura o resto da vida. Já a ideia da abelha [bee, que significa abelha em português] surgiu naturalmente, porque as abelhas simbolizam comunidade e ajuda mútua.”
Ora, o primeiro passeio aconteceu então no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. O objetivo era simples: criar um espaço gratuito onde as mães pudessem caminhar lado a lado, conversar sem julgamentos e perceber que muitas das dúvidas, medos e inseguranças que sentem são partilhadas por outras mulheres. No final, aquilo que começou como um encontro em Lisboa rapidamente ultrapassou as expectativas, e as mensagens de mães de diferentes zonas começaram a chegar até Catarina Bandarra.
“Começámos a receber muitas mensagens de mães de outras zonas do País a dizer que gostavam de ter este projeto perto delas. Foi aí que percebemos que fazia sentido criar grupos locais”, explicou. Hoje, a Beecoming Walks reúne assim mais de 960 mães, conta com 16 colmeias ativas e está presente em Lisboa, Setúbal, Évora, Coimbra, Leiria, Aveiro, Porto, Braga, Guimarães e Vila Real. Para cada uma destas localidades existe então um grupo no WhatsApp para dinamizar os encontros.
Mas mais do que expandir a iniciativa, a fundadora acredita que este modelo permite criar comunidades próximas, onde as mães se apoiam e ajudam a fortalecer os laços que nascem durante estes passeios, ajudando também a estabilizar a sua própria saúde mental. “O pós-parto é um momento muito sensível na vida de uma mulher, e existe muito a ideia de que temos de dar conta de tudo. A solidão materna é uma realidade e percebemos ainda melhor isso quando juntámos as mães. Quero que a Beecoming ajude a dar visibilidade a este tema.”
Assim, ao proporcionar encontros regulares entre mães que vivem fases semelhantes, a Beecoming Walks procura normalizar essas conversas e mostrar que pedir ajuda não é sinal de fragilidade, muito pelo contrário: é um passo importante para construir uma maternidade mais leve. Para Catarina Bandarra, basta, muitas vezes, sair de casa durante uma hora, conversar com alguém que compreende aquela realidade e perceber que nenhuma experiência é única para que nos consigamos sentir muito melhor.
“A Beecoming Walks nasceu precisamente para que nenhuma mãe tenha de caminhar sozinha, e se sentirem a necessidade de andar por aí, fazê-lo em conjunto torna tudo mais leve. Vivemos numa altura em que parece que estamos cada vez mais sozinhos, e acho que temos perdido este sentimento de comunidade que precisamos de recuperar. Mas as caminhadas são apenas o início”, garantiu ainda Catarina Bandarra. Para fazer parte, basta aceder ao formulário do projeto através do Instagram.












