Mariana Machado nunca tinha corrido uma Meia-Maratona até este domingo, 8 de março. No Dia da Mulher, decidiu testar-se numa nova distância — e acabou a cruzar a meta como campeã nacional na Meia-Maratona de Lisboa, com o tempo de 1h10m10s, entrando diretamente para o grupo das portuguesas mais rápidas de sempre na distância. A corrida sempre fez parte da sua vida. Filha da campeoníssima Albertina Machado, cresceu rodeada de histórias de pistas, de grandes competições e da emoção única de representar o País ao mais alto nível. Ainda assim, o percurso não foi feito apenas de inspiração. Foi construído com anos de treino, disciplina e a vontade constante de ir mais longe.

Hoje, aos 25 anos, Mariana já viveu um dos momentos mais marcantes que um atleta pode alcançar — competir nos Jogos Olímpicos — e continua a somar novos desafios. A estreia na Meia-Maratona foi apenas o mais recente.

Quando é que percebeste que a corrida podia ser mais do que um hobby e tornar-se a tua carreira?

Mariana Machado — Foi desde muito cedo, por influência familiar. A minha mãe [Albertina Machado] foi atleta e esteve em três Jogos Olímpicos, por isso o desporto sempre esteve presente na nossa vida. Quando comecei a praticar atletismo, por volta dos 14 ou 15 anos, percebi que tinha potencial e que esta podia ser uma parte importante da minha vida. Com trabalho, disciplina e sacrifício, fui conquistando títulos nacionais e internacionais, e comecei a ver o atletismo como uma porta para experiências e oportunidades únicas.

Houve alguma prova em que pensaste: ‘É isto que quero para a minha vida’?

MM — Não houve um momento único. Foi um processo gradual, feito de várias provas e treinos que me fizeram acreditar que este poderia ser o meu caminho. Claro que houve momentos difíceis, mas também conquistas que me deram força e motivação para continuar a descobrir os meus limites.

Mariana Machado ainda não pensa correr maratonas
Mariana Machado ainda não pensa correr maratonas Mariana Machado ainda não pensa correr maratonas créditos: Margarida Castanheira

Como foi a experiência de competir nos Jogos Olímpicos pela primeira vez?

MM — Foi inesquecível. Cresci a ouvir histórias olímpicas da minha mãe e sempre sonhei pisar aquele palco. Em 2024, consegui realizá-lo. O momento mais marcante foi entrar na pista com cerca de 80 mil pessoas nas bancadas  — uma sensação indescritível. Outro momento especial foi estar com a minha família e ver a emoção da minha mãe, reviver tudo o que passou nos Jogos Olímpicos.

O que mudou na tua carreira depois dessa experiência?

MM — Continuo com a mesma ambição e garra de sempre, mas percebi ainda mais que nada é garantido. Para atingir objetivos de alto nível, é preciso trabalhar constantemente, desafiar-me e nunca dar nada como adquirido.

Quando decidiste participar na meia-maratona já foi com o objetivo de vencer o título nacional? Sabias que estava ao teu alcance?

MM — A decisão de participar na Meia-Maratona surgiu sobretudo numa lógica de me desafiar em distâncias mais longas e de perceber melhor a minha capacidade, bem como as sensações e perspetivas que isso pode trazer para o futuro. Foi também uma forma de sair um pouco da minha zona de conforto e de me testar num ambiente de corrida que adoro, que são as provas de estrada. Claro que, estando em jogo o título de campeã nacional, esse também era um objetivo presente. Sabia que, se conseguisse fazer uma boa prova e gerir bem a resistência ao longo dos 21 km, sem grandes quebras, poderia estar na luta pelo título e acreditava que isso era possível.

Em que momento sentiste que tinhas a corrida controlada?

MM — Comecei a corrida num ritmo bastante forte e, por volta do km 7, senti que já tinha um avanço significativo em relação às outras atletas. A partir daí percebi que só perderia o título se tivesse uma quebra de ritmo muito grande. Ainda assim, numa meia-maratona há sempre algum respeito pela distância e tentei manter-me concentrada e gerir bem o esforço. Foi mais perto do km 18 que comecei a sentir-me realmente confiante de que iria conquistar o título de campeã nacional da meia-maratona.

Mariana Machado é fã da versatilidade dos Adizero EVO SL
Mariana Machado é fã da versatilidade dos Adizero EVO SL Mariana Machado é fã da versatilidade dos Adizero EVO SL créditos: Margarida Castanheira

Mudar para distâncias mais longas é mais um desafio físico ou mental?

MM — É uma combinação de ambos. Fisicamente, os treinos são mais longos e exigentes; mentalmente, é preciso paciência e resiliência para gerir o esforço durante muito mais tempo. Aprender a manter o ritmo e lidar com a dor suportável ao longo de horas é essencial.

A vida fora da pista

Como consegues equilibrar a vida de atleta com a vida pessoal?

MM — Ser atleta de alta competição é uma profissão de 24 horas. Tudo influencia a performance: descanso, alimentação, treinos. Mas também gosto de mostrar que sou uma pessoa normal fora das pistas. Gerir o equilíbrio é essencial: períodos de treino intensos e foco máximo alternam com momentos de prazer, família e amigos.

Depois de um treino ou prova difícil, qual é o guilty pleasure que te sabe mesmo bem?

MM — Tenho muitos, quase todos relacionados com comida (risos). Uma francesinha sabe sempre bem depois de uma prova, mas o meu favorito é o gelado — sou fã o ano todo.

Num desporto como a corrida, um bom par de ténis pode fazer toda a diferença. Que características procuras num modelo para treinar e competir?

MM — Os ténis evoluíram imenso ao longo do tempo e isso tem sido fundamental não só para melhorar os resultados, mas também para prevenir lesões. Uns bons ténis devem ter amortecimento, mas sem perder reatividade ao solo. Ter diferentes pares para treinos distintos também é importante.

Quando experimentaste os adidas Adizero Evo SL pela primeira vez, qual foi a sensação?

MM —  Gostei bastante. São ténis super confortáveis e versáteis, ótimos para corridas do dia-a-dia, treinos mais rápidos ou intensos, e até para usar no dia-a-dia. Sentir-me segura e confortável durante longos treinos faz toda a diferença na performance e na confiança.

ADIDAS EVO SL
ADIDAS EVO SL

Mariana Machado tem usado para treinar os adidas Adizero EVO SL. Os ténis destacam-se pela sensação de velocidade aliada a um peso muito reduzido, cerca de 205 gramas no modelo feminino, o que ajuda a manter a passada leve e dinâmica. A entressola utiliza a tecnologia de espuma Lightstrike Pro, a mesma usada nos modelos de competição da adidas, garantindo um bom retorno de energia e um amortecimento equilibrado. Com uma construção simples e uma geometria pensada para ritmos rápidos, os EVO SL funcionam bem tanto em treinos de velocidade como em provas, oferecendo uma corrida fluida, responsiva e versátil para diferentes distâncias. Esteticamente, são minimalistas, o que permite que sejam também usados no dia a dia. O seu conforto é outra das principais características.

Para quem corre regularmente, seja por competição ou lazer, o que distingue este modelo de outros ténis de corrida?

MM — Os Adizero EVO SL são muito versáteis, tanto para treino como para uso casual. Permitem manter conforto, suporte e reatividade, e ainda combinam com os outfits do dia a dia. Acho que é um dos modelos mais completos que já usei.

Conselhos para quem está a começar

Para quem se estreia numa meia-maratona, que conselhos darias?

MM — Treinar com consistência, mesmo dois ou três treinos por semana, durante 2-3 meses, fazem diferença. Ter paciência no dia da prova. É fácil deixar-se levar pela emoção da partida, mas o ideal é manter o ritmo planeado e progressivo. Escolher bons ténis. Um calçado confortável é fundamental para completar a prova sem desconforto.

Há alguma dica simples de alimentação ou preparação que pode fazer mesmo diferença antes de uma prova?

MM — Sem dúvida. Dois dias antes da prova, reforço a ingestão de hidratos de carbono para acumular energia suficiente. É crucial chegar ao dia da corrida com reservas de glicogénio bem abastecidas.

O objetivo a médio/longo prazo é juntares-te ao grupo de elite histórica de maratonistas portuguesas, como Rosa Mota, Manuela Machado ou Jéssica Augusto? Ou foi só uma incursão pelo fundo e a ideia é voltares ao meio-fundo?

MM — Para já não tenho em mente fazer uma maratona. Ainda sou nova, 25 anos, e acredito que ainda posso evoluir bastante nas provas de meio-fundo. Esta meia-maratona foi uma experiência muito desafiante, que me fez ganhar ainda mais respeito pelas distâncias longas e perceber a importância de uma preparação muito consistente e prolongada para este tipo de provas. A maratona pode ser algo a considerar no futuro, mas sem pressas. Atletas como a Rosa Mota e a Jéssica Augusto são, sem dúvida, grandes referências e inspirações no atletismo português.

Depois de tudo o que já viveste na corrida, o que é que ainda te faz querer voltar à linha de partida?

MM — É a vontade de me superar, descobrir os meus limites e ver do que sou capaz. Essa motivação faz-me levantar todos os dias para treinar, evoluir e continuar a desafiar-me.

mariana machado
mariana machado