Vicky Montanari e Miguel Correia casaram-se na Comporta e a união está a dar que falar. Saiba tudo sobre as escolhas da influenciadora para o grande dia.
Cada mulher dá uma noiva diferente e se há aquelas escolhem um vestido e controem tudo à volta dele, Vicky Montanari fez exatamente o contrário. Para o seu casamento com Miguel Correia, na Comporta, as criações que elegeu para o grande dia foram acompanhando cada momento do fim de semana. Começou nos pijamas de seda, passou por um mini vestido Miu Miu, por uma criação de Marina Bitu, chegou aos dois vestidos Dior que tinha visto na passerelle de Jonathan Anderson e, para dançar, um vestido FARM Rio feito à medida.
“Nunca tinha conseguido imaginar-me verdadeiramente como uma noiva e, de repente, vi-me em dois vestidos que não eram de todo vestidos de casamento tradicionais“, conta a influenciadora, citada pela “Vogue Itália“. Ou seja, tal como já é apanágio da sua estética pessoal, Vicky Montanari decidiu, em vez de procurar a ideia convencional de noiva, procurar peças que lhe fizessem sentido, mesmo que isso significasse ter dois vestidos para a cerimónia e nenhum deles corresponder exatamente ao clássico imaginário matrimonial.
Comecemos pelo primeiro look, que serviu de pontapé de saída para o casamento de sonho. Para a festa de boas-vindas, no JNcQUOI Club Comporta, Vicky Montanari não queria um vestido comprido, muito por causa das temperaturas infernais que se fizeram sentir no fim de semana da cerimónia, 5 e 6 de setembro. Por isso, apostou as fichas todas num mini vestido Miu Miu cor de areia, em seda e lã, com pequenas flores bordadas. A silhueta direita, inspirada nos anos 60, ganhou uma nova vida com joias Bulgari e uns sapatos jelly azuis.
No dia seguinte, houve um jantar privado com as famílias, as damas de honor e os padrinhos. pelo que decidiu usar um vestido que já tinha no armário e que esperava, há algum tempo, pela ocasião certa. Era uma criação da designer brasileira Marina Bitu, com uma superfície composta por escamas de peixe aplicadas à mão. Os materiais tinham sido recolhidos e tratados na costa nordeste do Brasil através de práticas associadas à pesca responsável e sustentável – e foi responsável por dar palco a uma das três geografias que atravessam o casamento.
Depois chegaram os Dior, que a influenciadora, desde o pedido, sabia que queria usar no grande dia, segundo a publicação italiana. Até porque a relação com a Dior vinha de trás, edificada também através do seu percurso no mundo da moda, e é uma fiel admiradora do atual diretor criativo da maison, Jonathan Anderson, cujo trabalho acompanha há anos. A coincidência tornou-se particularmente feliz quando percebeu que poderia usar dois vestidos do designer, ambos apresentados no desfile Dior Cruise 2027, em Los Angeles.
E sim, como em praticamente todos os casamentos, há uma história de coincidência cósmica por trás, que adensa o conto de fadas que a influenciadora parece estar a viver. Isto porque Vicky Montanari tinha gravado os dois vestidos com o telemóvel enquanto desfilavam na passerelle, sem imaginar que acabariam no seu próprio casamento. Um mês antes da cerimónia, voou até Paris para a prova final, garantindo que estavam impecáveis para migrarem diretamente para a Comporta.
Quanto ao primeiro vestido, ainda que, na passerelle, estivesse parcialmente escondido por um casaco preto, a influenciadora percebeu o seu potencial quando o experimentou. Trata-se de uma construção em seda organza, feita de múltiplas camadas, com volume e movimento, que terminava numa cauda dramática. Nas costas, a abertura é a protagonista, a par das grandes flores bordadas que atravessavam o lado esquerdo do corpete, regendo-se por uma assimetria que tornava o vestido menos previsível.
Foi amor à primeira vista (ou prova, vá). “No momento em que o vesti, pensei simplesmente: este é o tal“, disse a influenciadora, citada pela publicação italiana, acrescentando que adora “a forma como o Jonathan [Anderson] utiliza as flores e a natureza, incorporando-as nos seus designs como uma magia quase escondida, que só se revela quando observamos de perto”. Para complementar o visual, teve um véu feito exclusivamente para si da autoria de Pureza Mello Breyner, em seda organza, ligeiramente mais claro do que o vestido e com um rebordo, a par de joias Bulgari. Nos pés, optou por sapatos Dior de cetim, brancos e com laços.
Veja os looks
Só que havia um pequeno problema: o segundo vestido também lhe provocou a mesma reação e não podemos censurar a indecisão (ou, na verdade, a convicção de que ambos eram absolutamente indispensáveis) da influenciadora. A segunda criação Dior que utilizou era completamente diferente: era de branco puro, com uma enorme flor azul aplicada no lado direito. O corpete interior criava uma linha definida nos ombros e o corpo do vestido era formado por finas fitas e fios, pequenas flores, folhas e contas que criavam um efeito tridimensional, complementado com um drapeado que atravessava a frente, encontrava a flor e prolongava-se até às costas.
Quando chegou a hora da festa, a noiva mudou novamente de estilo e decidiu voltar a apostar numa marca que já lhe é familiar, não fosse, além de sua conterrânea, uma insígnia na qual trabalhou enquanto assistente de loja com 18 anos e com a qual colaborou recentemente, devido ao seu percurso no mundo da moda: a FARM Rio. A criação, feita especialmente para Vicky Montanari através da divisão Special Projects da etiqueta, da FarmEstudio e Nelson Camargo, é a materialização de mais de 360 horas de trabalho artesanal.
A silhueta manteve-se direita e afastada da estética mais sexy, mas o verdadeiro detalhe estava no bordado. No centro da criação, encontra-se um grande sol. O Morro Dois Irmãos e o Pão de Açúcar representam o Rio de Janeiro, onde a influenciadora cresceu e local em que o agora marido lhe pediu para oficializarem a relação. Nas costas, a Ponte 25 de Abril para representar Lisboa, a cidade onde se conheceram, se apaixonaram e vivem. Como se isso não bastasse, ainda há Roma, cidade onde a jovem cresceu, que surge através do Cupido.
Entre estes elementos aparecem ainda flores com significado pessoal, como o lírio-do-vale, os trevos de quatro folhas, a mimosa da casa dos avós e as papoilas associadas às memórias de infância. Escondidos entre as folhas estão os nomes dos avós de ambos e de uma amiga próxima de Vicky Montanari que morreu de cancro no ano anterior. O vestido ganhou ainda uma capa totalmente bordada, inspirada nos passeios ondulados de Copacabana. “É um mapa das nossas memórias, das nossas cidades e das pessoas que levamos connosco“, admitiu à “Vogue Itália”.
Quanto aos sapatos, depois dos saltos, vieram umas sabrinas Repetto e, mais tarde, Havaianas, para quando os pés começassem a doer de tanto dançar (sim, porque quem conhece a influenciadora sabe que não dispensa um pezinho de dança). E houve outra mudança que nada teve que ver com moda ou com momentos feitos para serem virais: depois da primeira dança, Vicky Montanari cortou o cabelo para o doar a uma organização dedicada ao cancro, em memória da amiga.

No que diz respeito ao campo da beleza, a noiva seguiu o caminho da naturalidade e o look, assinado pela maquilhadora e também sua amiga Raquel Estevens, em colaboração com a Lancôme, regeu-se por uma maquilhagem luminosa, com máscara castanha e quase nenhuma sombra. No cabelo, Gianni Crispino, com Kérastase, foi responsável pelas diferentes transformações ao longo do fim de semana. O perfume escolhido foi Buongiorno, da Acqua di Parma, a fragrância que Vicky Montanari usa habitualmente.
Mas, por muito que os looks tenham sido protagonistas, o casamento nunca foi pensado apenas como uma sucessão de trocas de roupa. O fim de semana começou no JNcQUOI Club Comporta, sendo que, na noite seguinte, o par juntou família e amigos próximos numa casa privada do grupo Vermelho para uma troca de votos mais íntima. A cerimónia principal aconteceu na Igreja Matriz de Santiago do Cacém, seguindo-se o jantar, no exterior, numa plataforma de 76 metros construída em frente ao edifício, com duas longas mesas.
Vicky e Miguel conheceram-se em Lisboa, uma semana antes da produtora de conteúdos começar a universidade. Seis meses depois, no Rio de Janeiro, ele pediu-lhe que assumissem oficialmente a relação. O pedido de casamento chegou oito anos mais tarde, novamente em fevereiro, e a Comporta foi desde cedo o destino escolhido para a celebração. Durante a pandemia, os dois passaram quatro meses na região e foi ali que começaram a imaginar a vida que queriam construir juntos. Acabaram por casar na mesma semana em que se tinham conhecido, oito anos antes.
















