Já não é só “a filha de Xuxa”. Sasha Meneghel é designer e um ícone de estilo brasileiro (e estes 22 looks provam-no)

Durante anos foi conhecida apenas como a filha de Xuxa, mas conseguiu transformar um apelido famoso numa carreira construída com estudo e consistência. Saiba tudo sobre a designer.

Foto: Fábio Bartelt

Sasha Meneghel passou grande parte da vida a tentar libertar-se do rótulo que lhe foi atribuído ainda antes de nascer: “a filha de Xuxa”, uma das maiores apresentadoras do Brasil. Mas desengane-se quem acha que ficou à sombra da figura da mãe, porque, ainda que tenha orgulho em protagonizar em campanhas ao lado da mesma, também acabou por usar isso a seu favor. Só que, em vez de seguir o caminho da televisão ou de explorar a notoriedade herdada, escolheu a moda. E sim, o apelido até lhe pode ter aberto portas, mas foi o talento que as manteve escancaradas.

Aos 28 anos, Sasha Meneghel não é só uma celebridade (ou uma nepo baby, como diz a Gen-Z), uma vez que é designer, diretora criativa e empresária, não fosse ela a dona de uma das marcas mais comentadas da nova geração da moda brasileira, a Mondepars. Isso ajudou a que, por outro lado, se tornasse numa referência estética para uma geração que trocou o consumo desenfreado pela ideia de um guarda-roupa mais consciente e, sobretudo, intemporal. “Queria criar roupas que sobrevivessem ao calendário das tendências (…) e que acompanhassem a vida das pessoas”, diz, citada pela “Forbes” brasileira.

Muito antes de se aventurar por estes caminhos ou de ingressar numa das instituições mais prestigiadas do mundo, nos Estados Unidos, já revelava um olhar pouco comum para a forma como a roupa comunica. Tinha apenas 9 ou 10 anos quando Xuxa lhe pediu que escolhesse o look que usaria numa visita a um hospital. A resposta foi muito mais pensada do que seria de esperar de uma criança, porque revelou toda uma leitura do contexto no qual a apresentadora tinha de se inserir.

Por exemplo, segundo a “Harper’s Bazaar“, descartou o branco, para que a mãe não fosse confundida com os profissionais de saúde, evitou também os tons escuros e escolheu uma T-shirt colorida para transmitir leveza e proximidade às crianças. Acrescentou ainda outra peça por baixo para garantir conforto e terminou o coordenado com sapatilhas, antecipando que Xuxa teria de subir escadas e passar várias horas em pé. Mais tarde, recordaria esse episódio como um dos primeiros momentos em que percebeu que vestir alguém nunca passa apenas por escolher roupa. 

O interesse pela moda consolidou-se ainda na adolescência. Enquanto muitos imaginavam que seguiria uma carreira ligada ao entretenimento, percebeu em tenra idade que era nos bastidores da indústria que queria estar. De acordo com a “Elle“, aos 16 anos estagiou com a estilista brasileira Lenny Niemeyer, uma das principais referências da moda praia no país, experiência que confirmou aquilo de que já suspeitava: queria desenhar roupa e compreender tudo o que existia por detrás de uma coleção, desde a criação até à confeção. E foi aí que concluiu que, para ser levada a sério, precisava de estudar.

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Por isso, foi de malas e bagagens para a Parsons School of Design, em Nova Iorque, responsável pela formação de nomes sonantes da indústria, como Marc Jacobs, Tom Ford, Donna Karan ou Alexander Wang. A par de aprender sobre desenho ou modelagem, aprofundou conhecimentos em sustentabilidade, sistemas de produção e chegou a especializar-se em Systems and Society, uma área dedicada à relação entre o design, os modelos de consumo e a sociedade. Essa visão mais abrangente ajudou-a a desenvolver uma ideia de moda muito distante do consumo rápido que domina grande parte do mercado.

Naturalmente, a sua formação culminou na criação da Mondepars. Lançada em maio de 2024, a marca começou a ser desenvolvida nos dois anos anteriores, longe das redes sociais e do imediatismo que caracteriza a indústria. Em vez de criar expectativa à volta do apelido Meneghel, a designer preferiu trabalhar em silêncio, enquanto afinava ao conceito, via quais era os melhores fornecedores e ia pensando nas coleções, até sentir que tinha um projeto suficientemente sólido para apresentar.

Até o nome foi pensado ao detalhe: “Monde” significa “mundo”, em francês, enquanto “pars”, em latim, remete para “parte”. Juntas, as duas palavras refletem a ideia de que todos fazemos parte de um mesmo ecossistema e que aquilo que vestimos também tem impacto no mundo que nos rodeia. A diretora criativa da insígnia já explicou, em várias entrevistas, que quis construir uma marca que privilegiasse a permanência em vez da novidade constante, recusando a lógica do fast fashion. “Estamos na contramão do fast-fashion”, admitiu, dizendo que “como marca”, a sua vontade “é fortalecer” a cultura de valorizar “a durabilidade, matéria-prima e o acabamento”, lê-se na “Harper’s Bazaar”.

Essa máxima tornou-se evidente desde a primeira coleção. Em vez de dezenas de tendências por estação, a Mondepars apresentou uma proposta centrada em peças intemporais, materiais de elevada qualidade e modelagens pensadas para durar vários anos. A alfaiataria rapidamente se transformou na assinatura da marca, reinterpretada através de cortes e silhuetas clean, mas funcionais, como casacos reversíveis ou peças ajustáveis, concebidas para assumirem diferentes formas de utilização.

Essa coerência entre aquilo que desenha e aquilo que veste é, provavelmente, um dos maiores trunfos de Sasha Meneghel. O ADN da Mondepars é praticamente uma extensão do seu próprio guarda-roupa, onde se vêem as mesmas linhas minimalistas, a preferência por alfaiataria, os tons neutros e a rejeição de tendências efémeras aparecem tanto nas coleções como nas suas aparições públicas. É um exercício de autenticidade raro (para não dizer uma lufada de ar fresco) numa indústria onde muitas marcas comunicam valores que, depois, não refletem na imagem dos próprios fundadores.

Não é por acaso que o seu estilo passou a ser frequentemente associado ao quiet luxury. Antes de a expressão dominar as redes sociais, a jovem já privilegiava as peças que desta estética fazem parte. Até porque, curiosamente, uma das suas maiores inspirações sempre esteve dentro de casa, sendo que já contou que cresceu a ver Xuxa comprar roupa na secção masculina e a construir looks sem seguir regras rígidas. Foi essa liberdade que acabou por influenciar a sua forma de olhar para a moda. E por isso é que, hoje, todos aplaudem Sasha Meneghel.

Espreite os looks de Sasha Meneghel

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