O efeito crocodilo está de volta para o outono/inverno 2026 e promete muito mais do que malas. Dos casacos aos sapatos, esta é a textura que vai dar um toque de luxo aos looks da nova estação.
Se há uma textura que vai fazer concorrência ao leopardo este outono, é esta: crocodilo. Sim, este efeito que dá, automaticamente, um ar super luxuoso aos looks está de volta e, desta vez, não se fica pelas malas. Aparece em casacos, sapatos, cintos e outros acessórios, com algumas das maiores casas de moda a apostar no acabamento para a temporada de outono/inverno 2026. Isto significa que, se ainda não começou a reparar nele, vai começar, depois do seu grande último momento entre 2017 e 2021.
Nas passerelles de outono/inverno 2026, a textura apareceu em diferentes versões e, sobretudo, em mais categorias do que aquelas a que estamos habituados. Gucci, Chanel, Prada, Bottega Veneta e Celine estão entre as casas que a levaram para as coleções, provando que isto deixou de ser apenas aquele acabamento associado a uma mala estruturada de aparência muito luxuosa. Na Chanel, por exemplo, Alex Consani desfilou com uma mala vermelha com efeito crocodilo, enquanto outras propostas da estação exploram tons que vão do castanho e borgonha ao vermelho e preto.
Se a vaga anterior estava muito ligada à estética do chamado “Instagram luxury”, a versão de 2026 é consideravelmente mais descontraída. Basta olhar para a forma como está a ser usada pelas fashionistas, como Kylie Jenner, que foi fotografada com uma pequena Chanel em pele de bezerro com efeito crocodilo, combinada com jeans e uma jersey dos Nicks, ou Jennifer Lawrence, que apareceu com a Lady Bag da The Row, em borgonha, num registo igualmente discreto.
A par de acessórios, a textura também está a infiltrar-se no universo da roupa, nomeadamente dos casacos. Afinal, uma mala é provavelmente a maneira mais fácil de experimentar a tendência, mas um casaco de pele com efeito crocodilo é a versão para quem quer realmente apostar as fichas todas na mesma. Há várias propostas fortes para este ano, como as da Khaite.
Nos sapatos, a lógica é semelhante, mas ainda mais fácil de aplicar, sendo que pode fazê-lo com recurso a mocassins, botas, slingbacks e sapatos de salto, que também já vão aparecendo com acabamentos que imitam a pele de crocodilo, acrescentando dimensão a coordenados que, de outra forma, poderiam ser bastante básicos. É uma forma particularmente eficaz de entrar na tendência sem investir numa peça demasiado marcante e também uma boa maneira de dar um pouco mais de personalidade ao guarda-roupa de outono.
Quanto ao facto de estar a voltar a estar na berra, há uma razão histórica que o explica. O verdadeiro crocodilo foi, durante décadas, associado a artigos de pele de elevado valor e a acessórios destinados a transmitir estatuto. À medida que a indústria desenvolveu técnicas de estampagem e prensagem, tornou-se possível reproduzir o padrão característico das escamas em peles como a de bezerro, criando o efeito visual sem recorrer à pele exótica. Foi assim que o padrão passou das malas e acessórios de luxo para uma quantidade muito mais abrangente de peças.
Hoje, nem sequer é preciso pensar demasiado nessa associação. O crocodilo já é reconhecível por si só e funciona quase como uma textura neutra, desde que seja usado com alguma contenção, como uma carteira com jeans e um blazer; um par de sapatos com calças de fato; um casaco com uma T-shirt branca – e a lista continua. Não há propriamente regras, a não ser esta, que se aplica a quase tudo o que seja padrão: quanto mais interessante for a textura, mais simples pode ser o resto.
Por isso, se o leopardo já começa a parecer demasiado previsível, vale a pena olhar para o lado, porque o próximo animal print pode nem sequer ser, lá está, um print. Pode, por outro lado, estar nos relevos de uma mala, na pele de um casaco ou na textura de uns sapatos. A pensar nisso, reunimos alguns dos nossos looks com efeito crocodilo para se inspirar, e vão das versões mais discretas às que pedem, sem qualquer vergonha, que os holofotes fiquem apontados para nós.


















