Inspirada numa das frases mais conhecidas do conto Branca de Neve e os Sete Anões, a coleção outono/inverno 2026 da Béhen parte de um trocadilho com o célebre "Mirror, mirror on the wall… who’s the cutest of them all?". A pergunta, transformada em título e ponto de partida criativo, serve para apresentar uma nova coleção cápsula de womenswear que volta a colocar o trabalho artesanal no centro da narrativa da marca.

Fundada por Joana Duarte, a etiqueta mantém o compromisso com um processo de demi-couture (um território intermédio entre ready-to-wear e alta-costura, diga-se), no qual cada peça é construída a partir de técnicas manuais e materiais cuidadosamente selecionados. Nesta estação, a designer continua a explorar o património têxtil português, reinterpretando elementos tradicionais num registo contemporâneo que transporta referências regionais para a passerelle.

Entre as inspirações estão os conhecidos “rabos de gato” da vila alentejana de Nisa, aplicados em camisas e calças de lã virgem, e as emblemáticas sete saias da Nazaré, que dão origem a vestidos e saias compostos por várias camadas. Historicamente associadas às mulheres cujos maridos partiam para o mar, essas camadas simbolizam proteção, sorte e as diferentes ondas da vida, referência cultural que a marca revisita com recurso a novas (e icónicas) silhuetas.

Dos “rabos de gato” de Nisa às sete saias da Nazaré, Béhen traz as tradições portuguesas até à ModaLisboa
Dos “rabos de gato” de Nisa às sete saias da Nazaré, Béhen traz as tradições portuguesas até à ModaLisboa créditos: © ModaLisboa | Photo: Alexandre Azevedo

Outro elemento do vestuário tradicional português que ganha uma nova roupagem pelas mãos da jovem designer é a “algibeira” do traje minhoto, reinterpretada numa das peças mais reconhecíveis da insígnia: o vestido Catita. Nesta temporada, o modelo surge completamente coberto de missangas de vidro e contas delicadas, num trabalho de bordado manual que reforça uma das assinaturas da Béhen e evidencia o tempo e a precisão que já são o seu apanágio.

A coleção marca também a estreia do burel, um tecido tradicional da Serra da Estrela, no universo da marca. A par disso, há ainda um detalhe inesperado: o bordado com espelhos originário do Gujarat, na Índia. A técnica é executada em Portugal por artesãs do Homelore Project, um coletivo que reúne mulheres imigrantes e artesãs a trabalhar em Lisboa e noutras regiões do País.

ModaLisboa. Bem queremos as peças (e a irreverência dos cabelos) da nova coleção da Béhen
ModaLisboa. Bem queremos as peças (e a irreverência dos cabelos) da nova coleção da Béhen
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Produzida inteiramente com materiais naturais, dos tecidos às contas, a coleção é mais uma prova da relevância que a Béhen atribui ao saber-fazer artesanal. Recheada de tradição, memória e reinvenção, cada peça é um reflexo de que a moda portuguesa pode ser tudo o que quiser, como cultural, luxuosa e divertida. E, no que às criações de Joana Duarte diz respeito, pode muito bem fazer-nos perguntar (e implorar): "Espelho meu, espelho meu… seria possível que algum look da Béhen fosse meu?".

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