A origem das extensões de cabelo é mais antiga do que parece. Começaram a ser usadas no Egito, na Antiguidade, tanto por mulheres como por homens e, atualmente, esta técnica é usada em todo o mundo por razões culturais, pessoais, práticas ou para a estética. O que muitas pessoas não sabem é que, apesar de parecerem inofensivas, podem ser prejudiciais para a saúde, afirmam novos estudos.
As extensões podem ser de fibras sintéticas ou de materiais de origem biológica, incluindo cabelo humano. Frequentemente passam por tratamentos químicos para ficarem resistentes ao fogo, impermeáveis ou antimicrobianas. Quando as extensões são aquecidas e penteadas libertam substâncias químicas para o ar, o que pode aumentar o risco de desenvolver cancro, desequilíbrios hormonais e distúrbios do sistema imunitário, responsável por defender o nosso organismo, revela estudo publicado na revista científica "Environment & Health".
Ainda assim, as empresas que fabricam extensões de cabelo nos Estados Unidos tentam esconder a composição das extensões. "Raramente divulgam as substâncias químicas utilizadas para obter estas propriedades, impedindo os consumidores de conhecer os efeitos do uso prolongado na saúde", sublinhou uma das autoras do estudo, Elissia Franklin, investigadora do Silent Spring Institute, em Massachusetts, cidada pelo “Jornal de Notícias”. Este fator é agravado pela falta de regulamentação do uso de substâncias químicas neste tipo de produtos nos Estados Unidos.
Para identificar as substâncias tóxicas foram analisados 43 produtos de extensão capilar populares e vendidos em lojas físicas e online nos Estados Unidos. Destas amostras, apenas duas não continham substâncias químicas perigosas. 19 eram retardadores de chamas (substância química utilizada para atrasar ou eliminar a propagação de chamas), três resistentes à água, nove resistentes ao calor e apenas três eram ecológicos, sem plástico ou não tóxicos.
A equipa descobriu mais de 900 impressões químicas, incluindo substâncias já conhecidas e outras desconhecidas, identificando, no final, 169 substâncias químicas em nove categorias, sendo que 36 amostras continham 17 substâncias químicas que desregulam as hormonas e que podem elevar o risco de ter cancro de mama.
Além disso, cerca de 10% das amostras continham estananos tóxicos, alguns que excedem os níveis estabelecidos por razões de saúde na União Europeia, onde estas substâncias químicas são regulamentadas. Assim sendo, os cientistas concluíram que as extensões de cabelo têm alguns químicos que estão associados a cancro, desregulação hormonal e disfunção do sistema imunitário.