A série documental pretende mostrar como tudo aconteceu naqueles dias, utilizando depoimentos exclusivos de familiares das vítimas e imagens inéditas da investigação policial.
Há quase quatro anos, os EUA presenciavam um dos casos de homicídios mais polémicos e macabros dos últimos tempos, que, agora, é alvo de uma série documental da Netflix. “Pesadelo Universitário: Os Assassinatos de Idaho” chegou à plataforma de streaming a 29 de julho. Com testemunhos imperdíveis e imagens inéditas, a produção rapidamente saltou para o primeiro lugar das séries mais vistas nos últimos dias.
Mas relembremos primeiro o caso. A 13 de novembro de 2022, Ethan Chapin, Xana Kernodle, Madison Mogen e Kaylee Goncalves, com idades compreendidas entre os 20 e 21 anos e estudantes da Universidade de Idaho, na cidade de Moscow, foram brutalmente assassinados numa casa fora do campus, deixando a comunidade universitária em choque com tamanha agressividade. Ethan e Xana eram um casal que tinha acabado de regressar a casa de uma festa, assim como Madison e Kaylee, que tinham chegado pouco depois.
Ao que tudo indica, de acordo com o que é dito na série documental, uma das jovens terá começado a gritar e a pedir ajudar, depois de ter visto um homem com uma faca na casa dos estudantes. O assassino, Bryan Kohberger, acabou por matá-la e seguir para o quarto onde estava a outra jovem, matando-a também. Minutos depois dirigiu-se ao quarto do casal e matou-os aos dois, com Xana, segundo os especialistas, a dar mais luta que os restantes: tinha mais de 20 cortes no corpo.
No entanto, estes não eram os únicos estudantes na casa, e foi também isso que despertou o interesse da população. Na habitação viviam ainda Dylan Mortensen e Bethany Funk, que perceberam que alguém estava dentro de casa e acabaram por se trancar nos respetivos quartos. A falar por mensagens, acharam melhor ficarem as duas juntas, e foi quando uma delas abriu a porta para ir para o quarto da colega que viu então o assassino. Este, por algum motivo, decidiu não a matar, e as duas acabaram juntas no quarto.
O que indignou a população foi o facto de as raparigas não chamarem a polícia assim que perceberam que algo se passava, deixando para a manhã seguinte e pedindo ao namorado de uma amiga que fosse ver se já estava tudo bem. Foi aí que esse tal amigo viu o que tinha acontecido durante a madrugada, e as autoridades foram chamadas nessa altura. A polícia descartou as duas sobreviventes como possíveis arguidas, explicando que o seu comportamento tinha sido normal devido a todo o choque, não sabendo bem o que realmente tinha acontecido aos colegas.
Espreite as imagens da série.
Ora, a série documental de três episódios pretende então mostrar como tudo aconteceu naqueles dias, utilizando depoimentos exclusivos de familiares das vítimas e imagens inéditas da investigação policial para reconstituir todas as provas que levaram à detenção de Bryan Kohberger. São mostradas imagens das câmaras corporais dos polícias, da esquadra onde foram feitas as investigações e fotografias da casa onde todos moravam, com a narrativa a culminar em 2025, ano em que o suspeito confessou e foi preso.
Esta confissão deixou as famílias à beira de um colapso, uma vez que o objetivo era condenar Bryan Kohberger à pena de morte. Com o suspeito a admitir o crime depois de um acordo feito entre os advogados, acabou apenas por receber quatro prisões perpétuas, o que não foi suficiente para quem ficou a fazer o luto. As imagens do dia em que as famílias puderam falar diretamente para o assassino também são mostradas, com alguns testemunhos a serem bastante fortes.
No entanto, numa grande reviravolta, Bryan Kohberger afirmou em julho deste ano que deseja um novo julgamento, uma vez que, segundo ele, foi induzido a confessar estes quatro crimes que não cometeu. De acordo com o site “Aventuras na História”, o suspeito acusa os seus antigos advogados de esconderem provas que o inocentavam e de o coagirem, prometendo coisas que mais tarde não cumpriram. “A minha verdadeira inocência é minha verdade, e o acordo, baseado em falsas promessas e desinformação, deve ser retirado”, declarou ao “The New York Times”.















