Ao longo dos últimos 15 anos, já corri com praticamente todos os modelos de corrida que a adidas tem lançado. Desde os clássicos Adizero Adios, que dominaram maratonas durante anos, até aos mais recentes Adios Pro, passando pelo modelos de tecnologia boost e ultraboost. Depois de mais de 50 meias-maratonas e 18 maratonas no currículo, experimentei muitos modelos e, honestamente, já são poucos os que me surpreendem. Mas com o buzz que os Adizero EVO SL estão a causar em todo o mundo, e em Portugal também, fizemos mais um teste ao modelo que anda pelos pés de influencers que correm e atletas que batem recordes. Vamos ver como correu.
Há já algum tempo que usava os Adizero EVO SL, sobretudo para treinos do dia a dia. Em prova, ia sempre pelo seguro e voltava aos Adizero Adios PRO 3, modelo premium que já calço desde a sua primeira versão, e que são, para mim, as melhores sapatilhas de corrida que já calcei (ainda não testei as PRO 4). Mas ao longo das últimas semanas, calcei os EVO SL e praticamente não os tirei dos pés. Usei-os durante vários dias em treinos no Algarve, no Alentejo e em Lisboa, com rodagens tranquilas, alguns treinos de ritmo e um treino de séries junto ao Tejo — antes de os levar para o verdadeiro teste: a EDP Meia Maratona de Lisboa, que decorreu este fim de semana, 8 de março. Porque cada pessoa valoriza mais este ou aquele aspeto de uns ténis de corrida, vamos dividir esta avaliação em diferentes ítens.
Conforto e velocidade
As primeiras coisas que se notam ao calçar os EVO SL são precisamente o conforto e a sensação de leveza e velocidade. Há ténis que precisam de alguns quilómetros para assentar, para ganhar a forma do pé, para que nos sintamos adaptados, mas neste caso a sensação é quase instantânea. Costumo dizer na brincadeira que são uma espécie de pantufas para andar na estrada, devido ao amortecimento na passada.
E se calhar é mesmo isso que transmite uma sensação de velocidade. As sapatilhas masculinas têm em média 220 gramas (as femininas andam nas 200) e a espuma da entressola (já explicamos com mais detalhe) permite quase que pular para a frente, levando a treinos mais rápidos. Fizemos um treino de séries de 1 minuto de sprint (10 vezes) e 1 minuto de descanso (10 vezes) e o resultado foi excelente. As pernas parece que se soltam mais e a corrida custa menos.
Já em relação ao conforto, o pé entra facilmente no sapato, o ajuste é seguro sem ser apertado e a língua envolve o pé com leveza. Se calhar aqui está o ponto menos positivo: a língua podia ser um pouco mais almofadada e ligeiramente mais comprida, mas também pode ser só capricho ou gosto próprio. Ao longo dos treinos mais longos e da própria meia maratona nunca senti pontos de pressão ou desconforto. Também o tecido superior, embora fino, mostrou-se ser muito resistente e nem dei por ele, que é o melhor dos sinais.
Amortecimento e dinâmica
A entressola dos Adizero EVO SL utiliza a espuma adidas Lightstrike Pro, uma das tecnologias mais interessantes que a marca desenvolveu nos últimos anos. O amortecimento é equilibrado: suficientemente macio para proteger nas distâncias mais longas, mas com uma resposta que mantém a passada viva. Nos primeiros quilómetros da meia maratona, ainda a atravessar a ponte, senti exatamente isso — os ténis convidam a acelerar. Não são agressivos como um modelo de competição puro, mas também não são apenas um ténis de treino. Estão ali num ponto intermédio muito interessante. Para quem está habituado a correr com os Adios PRO 3, que têm placa de carbono (e por isso são mais caros), é sempre desafiante dar um passo atrás e voltar para um modelo sem carbono. Mas a verdade é que a diferença é ténue. Os EnergyRods de carbono aumentam a propulsão da passada e geram um “efeito mola” (ajudam a projetar o corredor para a frente e tornam mais fácil manter velocidades elevadas durante longos períodos), enquanto a espuma Lightstrike Pro garante uma passada reativa e confortável. Ou seja, nos EVO SL há sensação de corrida mais natural e versátil. São ténis menos explosivos do que um Adios Pro, mas muito mais fáceis de usar no dia-a-dia e em diferentes tipos de treino, sobretudo os mais curtos e rápidos.
Estabilidade
Num momento em que muitos ténis de corrida estão cada vez mais altos e macios, é bom encontrar um modelo que consegue oferecer amortecimento sem comprometer a segurança da passada. Ainda assim, a estabilidade não é ponto mais forte dos EVO SL, sobretudo se estivermos a falar de um corredor inexperiente. Para quem não está habituado a ténis de corrida, são um bom modelo para entender a diferença para umas sapatilhas tradicionais, porque são muito menos rígidas e a passada é diferente. Mas convém contar com uns dias para habituação. A verdade é que depois de o corpo entender a forma como o pé assenta no chão, aí sim, consegue tirar-se o máximo de partido das sapatilhas. Por isso, é não desistir se se sentir estranheza, porque depois a coisa entranha-se. Para quem já corre, não é preciso qualquer adaptação e os ténis respondem de imediato e garantem uma estabilidade superior aos ténis mais PRO de corrida.
Durabilidade
Os meus primeiros EVO SL já têm um ano e continuam sem sinais de desgaste, nem na zona da sola, nem na parte superior, à frente, na biqueira, onde muitos modelos começam a ceder com o tempo. São ténis para aguentar perfeitamente dois, três anos com performance máxima, e a verdade é que para quem gosta de correr, depois disso, dificilmente iremos resistir a comprar os novos modelos que entretanto irão sair. Ou seja, conte com sapatos para o tempo que entender. Se correr muitos, muitos quilómetros não será problema, porque, garantidamente, e digo-o com experiência própria, iremos querer evoluir para outros sapatos novos.
Estética que transmite velocidade
Visualmente, os EVO SL seguem a identidade da linha Adizero: minimalistas, rápidos e com um design limpo, apostando no preto, branco, cinza, azul e vermelho. Já há modelos especiais com mais cores, mas o design é sempre minimalista. São daqueles ténis que parecem rápidos mesmo quando estão parados — e isso também conta. Não é por acaso que começam a aparecer cada vez mais nos pés de atletas e criadores de conteúdo ligados ao running.
Alguns atletas profissionais já os utilizam em treinos e competições, e vários influenciadores internacionais de corrida têm vindo a incluí-los nos treinos e em muitas partilhas nas redes sociais, precisamente devido a uma estética interessante e versátil.
Relação qualidade-preço
Talvez um dos maiores trunfos destes ténis seja a relação qualidade-preço. Num mercado em que muitos modelos de performance ultrapassam facilmente os 200 euros (sobretudo se tiverem placa de carbono), os EVO SL posicionam-se de forma muito competitiva, oferecendo tecnologias e sensações de corrida muito próximas de modelos bem mais caros e por um preço que ronda os 150€ pvp. Para quem quer começar a correr, corre há pouco tempo ou já se aventura em provas, uns bons ténis não são um custo, são um investimento na prevenção de lesões e na manutenção de uma boa estrutura articular, muscular e óssea. E os EVO SL, nisso, são garantia de qualidade por um preço (para uns ténis de corrida) muito favorável.
Os novos modelos
A adidas lançou entretanto um upgrade do modelo Adizero EVO SL, os SS26, à venda desde 3 de fevereiro. Os novos ténis parecem-se em tudo com o modelo anterior, mas apresentam um topo em tecido que garante um maior suporte. O design e o ADN são os mesmos, com inspiração nos Adizero Adios Pro EVO 1, mas com ligeiras melhorias técnicas. Este novo topo é em mesh tecido e usa material multi-stretch, que garante um suporte mais direcionado e maior conforto. A entressola mantém a tecnologia Lightstrike Pro, de comprimento total e perfil alto sem elementos de rigidez, o que garante uma passada confortável, suave e um retorno de energia forte e dinâmico, permitindo treinos de velocidade.
Veja aqui as fotos dos novos modelos: