Chaos. Este estúdio de Reformer Pilates na Margem Sul prova que não é só em Lisboa que há boas aulas (e já lá fomos)

Quem vive na Margem Sul sabe que, durante muito tempo, praticar a modalidade significava quase sempre uma viagem até Lisboa. O Chaos Pilates quer mudar essa realidade.

Quem vive na Margem Sul já passou por este dilema: querer fazer Reformer Pilates e acabar, quase sempre, por ter de atravessar uma das duas pontes sobre o Tejo, enfrentar trânsito em direção à capital, procurar estacionamento e só depois começar a treinar. Felizmente, esse cenário já vai começando a ser menos comum, visto que os estúdios desta modalidade andam a multiplicar-se por aqueles lados. E em Fernão Ferro há um que está a criar uma comunidade fiel à volta da mesma.

Falamos do Chaos Pilates, que abriu portas em março e, desde então, começou a conquistar quem procurava fugir à cultura do ginásio tradicional sem abdicar de um treino desafiante. Depois de termos experimentado uma aula, podemos garantir com toda a certeza que não se trata apenas de fazer pilates: trata-se de uma experiência completa, sempre com atenção ao cuidado e que prova precisamente que “o método adapta-se a diferentes corpos, idades e objetivos”, segundo nos contam as fundadoras.

E quem são elas? Bem, por detrás do projeto estão as primas Andreia Ferreira e Mariana Salgueiro, cuja “ideia nasceu de forma muito natural, numa conversa de almoço em família, na brincadeira”, garantem, dizendo que sempre partilharam “o gosto pelo movimento, pelo bem-estar e pela vontade de criar” algo com o cunho de ambas. E houve um momento em que deixaram de “falar [do assunto] apenas como um sonho” e fizeram com que este saltasse diretamente para a vida real.

Andreia Ferreira e Mariana Salgueiro

Os percursos da dupla são diferentes, mas complementam-se. Andreia Ferreira vem do mundo da dança, onde o pilates sempre fez parte da preparação física e da recuperação. Já Mariana Salgueiro construiu a carreira na área administrativa e operacional, até descobrir na modalidade uma forma de contrariar os efeitos de anos passados sentada em frente a um computador. Assim, juntaram-se tendo um objetivo comum: tornar a modalidade menos inatingível, digamos.

Fazia sentido que tudo começasse, precisamente, em Fernão Ferro, no Seixal. “Sentimos que existia uma necessidade real nesta zona. É uma área em crescimento, com muitas famílias e pessoas que procuram cuidar mais de si, mas onde ainda não existia uma oferta deste tipo com a proximidade e o conceito que queríamos criar. E também porque é onde vivemos”, explicam. E não é que a localização acaba, mesmo, por ser um dos grandes trunfos do estúdio?

Afinal, durante anos, quem queria praticar Reformer Pilates na Margem Sul tinha poucas alternativas além de atravessar a ponte até Lisboa. Agora, há uma opção que permite trocar horas perdidas no trânsito por uma aula desafiante a poucos minutos de casa. E convém dizer que estacionamento não falta à volta do espaço, de portas abertas no número 49 da Rua Mário Viégas.

No entanto, desengane-se quem acha que o Chaos quer ser apenas “mais um estúdio”. A aposta passa por um conceito dinâmico e orientado para o fitness desta modalidade, sem se confundir com a vertente clínica – até porque o objetivo da dupla é, também, “desmistificar a ideia de que o pilates é reservado a um determinado perfil”. Assim, o “foco são as aulas de grupo, que permitem tornar a modalidade mais acessível” em todos aspetos. Foi exatamente com essa sensação que ficámos quando nos convidaram para experimentar uma aula.

Fomos recebidos pela dupla à entrada, sendo que foi Andreia Ferreira a responsável por nos colocar a suar. A instrutora rapidamente percebe o nível de cada pessoa e adapta os exercícios sem retirar intensidade ao treino. Escusado será dizer, portanto, que não vale a pena esperar uma hora recheada de movimentos suaves, porque, aqui, trabalha-se força, estabilidade, coordenação e, sobretudo, controlo.

Tanto assim é que, ao longo da aula, houve momentos em que pensámos “isto não vai acontecer”. Um deles foi colocar os pés na trave do reformer, num movimento bastante avançado e que nunca imaginámos conseguir fazer tão cedo, ainda que já tenhamos algumas aulas da modalidade em cima. Mas aconteceu, não porque fosse fácil, mas porque Andreia Ferreira foi exímia a acompanhar cada exercício, a corrigir a postura, a explicar cada movimento e a transmitir confiança suficiente para irmos um pouco mais além.

É uma aula exigente, sim, porque há pernas a tremer, braços a arder e um core que rapidamente percebe que vai trabalhar muito mais do que esperava. Mas existe uma enorme diferença entre sair derrotado e sair satisfeito – no Chaos Pilates, podemos garantir que acontece a segunda opção. Saímos com aquela (rara) sensação de termos feito mais do que imaginávamos ser capazes e com vontade de voltar para perceber até onde conseguimos evoluir na aula seguinte.

Essa sensação parece refletir exatamente aquilo que Andreia Ferreira e Mariana Salgueiro querem construir. “Queremos que a pessoa se sinta imediatamente bem-vinda. Que entre sem pressão, sem julgamentos e perceba que está num espaço seguro para aprender ao seu ritmo. Queremos que saia da primeira aula a sentir-se melhor do que quando entrou. E que queira voltar logo no dia seguinte”, dizem-nos.

Essa filosofia sente-se também no ambiente do estúdio. O espaço é luminoso, minimalista e acolhedor, sem distrações desnecessárias, parecendo pensado para que o foco esteja no treino, mas também para que as pessoas sintam que pertencem àquele lugar. Afinal, a par de o exercício fazer bem à saúde, já não é só isso que a dupla quer fomentar na comunidade que está a criar: “confiança, qualidade de vida, postura, força e bem-estar mental” também pesam na balança.

Por isso, ainda que valorizem a “qualidade das aulas e o acompanhamento próximo”, aquilo que realmente as distingue é a forma como recebem as pessoas. “Queremos que cada pessoa se sinta vista, acompanhada e parte de algo maior”, frisam – e, dizemos nós, não é difícil acreditar nisso. Durante a aula percebe-se rapidamente que existe uma relação de proximidade entre instrutora e alunos e que o treino vai muito além da componente física.

“Muitas pessoas chegam até nós porque sentem necessidade de parar um pouco, de criar momentos para si próprias e voltar a ligar-se ao corpo. Quando se cria uma comunidade, as pessoas começam a sentir-se à vontade para partilhar os seus stresses e acabam por sair da nossa porta mais leves e tranquilas”, dizem. Já para não falar de que acaba por ser um alívio para quem quer exercitar-se e, ao mesmo tempo, “poder fugir da ‘cultura de ginásio’ com a qual não se identifica”.

Core Collective. Fomos fazer uma aula de XFormer ao estúdio mais badalado de Lisboa e foi assim que correu
Core Collective. Fomos fazer uma aula de XFormer ao estúdio mais badalado de Lisboa e foi assim que correu
Ver artigo

À festa ajudam também ajudam os packs e subscrições. O Chaos Pilates disponibiliza várias modalidades de adesão. A par das aulas avulso, que se fixam nos 25€, há subscrições mensais de quatro créditos (80€), oito créditos (150€) e 12 créditos (220€), além de uma modalidade ilimitada a partir dos 300€. Para quem prefere maior flexibilidade, existem ainda packs de cinco aulas (120€) e dez aulas (210€). 

No que diz respeito a novidades, a dupla garante que está sempre “a pensar em novas formas de enriquecer a experiência da nossa comunidade, seja através de eventos, parcerias ou iniciativas especiais”, como o que vão dedicar aos profissionais de saúde. “Como a Andreia é diabética achamos importante dar de volta a essa comunidade. Este evento será grátis para todos os que tenham um cédula profissional ativa”, explicam, reiterando que querem “continuar a criar momentos que vão além das aulas e reforcem o sentimento de pertença que está no ADN do Chaos Pilates”.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.

Veja também

Scroll to Top