Reset Society. O novo estúdio de Lisboa que quer fazer um reset à forma como vemos o exercício físico

Só quando deixamos de treinar com uma intenção tóxica e passamos a fazê-lo porque nos faz bem é que conseguimos aproveitar aquilo que o exercício tem para oferecer – é esse o mote da Reset Society.

Há um novo espaço de fitness prestes a abrir portas em Lisboa, entre o Saldanha e o Campo Pequeno, mas a promessa não é apenas ajudar a ganhar força, melhorar a mobilidade ou experimentar uma nova modalidade. A Reset Society, que arranca oficialmente a 31 de agosto, quer ir mais longe: usar o exercício físico como uma ferramenta para o bem-estar mental e criar uma comunidade onde todos se possam sentir bem-vindos – e não há nada melhor do que quebrar barreiras e criar ligações quando fazemos algo como o exercício físico.

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Queremos promover o exercício físico como uma ferramenta para o bem-estar mental e físico, e não como um meio para atingir um determinado resultado estético”, explicou Maria Machado, mais conhecida como Guga e uma das fundadoras, à MAGG. Até porque a ideia nasceu, precisamente, de uma vontade de contrariar muitas das mensagens que durante anos dominaram a indústria do fitness: o summer body, as calorias, a magreza e a ideia de que o exercício deve ser uma espécie de castigo.

“Durante muitos anos, o exercício foi visto como um castigo para conseguir ser magra e corresponder às pressões sociais”, contou a fundadora, que chegou a experimentar todo o tipo de dietas – até que percebeu que a mesma ferramenta podia ter um papel completamente diferente. “Deixei de olhar para o exercício como um castigo e passei a vê-lo como algo que fazia bem à minha saúde mental”. E foi dessa mudança de perspetiva que começou a nascer a Reset Society.

Por trás do projeto estão então Guga e Teresa Perez, duas antigas colegas da Uber Eats com perfis bastante diferentes, mas que acabaram por se complementar. “Eu já tinha pensado na parte criativa e ela já tinha feito a parte matemática”, contou Guga. A primeira, com background em marketing, tinha a ideia da marca, e Teresa Perez, formada em Matemática Aplicada e ligada às operações, tinha o perfil mais analítico. “Foi uma conversa muito casual em que dissemos ‘vamos fazer isto juntas’. E começou assim”.

E começou, claro, com a escolha do nome, que não foi ao acaso. “Reset Society significa precisamente fazer um reset. Parar, voltar atrás e reaprender a olhar para o exercício físico”, explicou Guga. Porque, para a fundadora, só quando deixamos de treinar com uma intenção tóxica e passamos a fazê-lo porque nos faz bem é que conseguimos aproveitar verdadeiramente aquilo que o exercício tem para oferecer. Por isso, fazermos uma limpeza a esse tipo de pensamentos é o que se quer neste espaço.

Mas há outra palavra importante neste projeto: sociedade. A Reset Society quer ser também um espaço de comunidade, numa altura em que, apesar de estarmos mais ligados do que nunca através dos ecrãs, estamos cada vez mais isolados no mundo real. “Para nós, o bem-estar passa por duas grandes vertentes: o exercício físico e a conexão humana”, disse. E essa ligação não fica necessariamente dentro das paredes do estúdio, uma vez que a ideia passa também por criar experiências que promovam encontros reais.

Desta forma, a ambição é que a Reset Society seja verdadeiramente para todos, e que todos – mas mesmo todos – possam criar ligações fora do espaço. “Somos duas fundadoras mulheres e o nosso logótipo tem uma mulher, mas queremos que a Reset Society seja um espaço unissexo”, reforçou Guga. Até porque a intenção é fugir precisamente à imagem de um estúdio onde só há um determinado tipo de corpo ou de pessoa. “Queremos criar um espaço onde qualquer pessoa se sinta bem, acolhida e não julgada.”

As modalidades da Reset Society

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Na prática, a Reset Society funciona através de aulas em small group training (ou seja, aulas feitas para grupos pequenos), distribuídas por quatro modalidades: Build, Barre, Form e Ioga. A escolha por grupos mais pequenos foi intencional, para permitir “uma atenção mais individualizada, uma relação mais próxima com os treinadores e também entre os próprios membros”. Além disso, há ainda uma componente de recuperação, com sauna de infravermelhos e massagens.

Mas comecemos pelo início. Nas aulas Build, o foco está 100% na musculação e estas são feitas em circuito, tendo sido pensadas para tornar o treino de força mais acessível com programas de 12 semanas divididos em três fases. “O objetivo é ir aumentando progressivamente a carga e permitir que cada pessoa acompanhe a sua evolução”, explicou Guga. Ao fim do ciclo, a meta é chegar ao próprio recorde estabelecido, e depois começar um novo programa de mais 12 semanas. 

Segue-se a Barre, que junta o trabalho físico a uma componente de presença e concentração. “Queremos que as pessoas treinem não só o corpo, mas também a presença e a capacidade de se concentrarem no que estão a fazer”, explicou. A aula começa com respiração e “grounding” (ou seja, conectar o corpo ao momento presente), trabalha diferentes grupos musculares e termina novamente com exercícios de respiração, para que se saia do estúdio “com a mente mais tranquila”.

Na Form, entram em cena máquinas semelhantes às de Reformer Pilates, embora a modalidade seja bastante diferente. É “Slow Resistance Training”, que trabalha força e mobilidade através da resistência da máquina e do peso do próprio corpo. São apenas seis máquinas por aula e, apesar de ser um treino exigente, a equipa quis torná-lo acessível: “Não temos níveis porque não queríamos criar essa barreira à entrada, por isso avisamos logo que vai ser uma aula mais puxada”. 

Por fim, há Ioga, com duas propostas distintas: Vinyasa, uma vertente mais exigente fisicamente, e Yin Yoga, com uma componente muito mais de meditação. E, para quem procura recuperar depois do treino (ou simplesmente desligar um pouco do mundo lá fora) existe ainda uma sauna de infravermelhos, que, como não é tão quente, traz muitos mais benefícios para a pele. “A ideia é também fazer da sauna uma experiência de comunidade”, disse Guga. 

Quanto custa fazer parte da Reset Society?

Ora, para experimentar o espaço, existem várias opções de subscrições, desde aulas em que pode simplesmente aparecer a diferentes packs e mensalidades. Uma das portas de entrada é o Reset Discovery Pack, por exemplo, que custa 55€ e que permite fazer até quatro aulas, sendo possível combinar diferentes modalidades de acordo com o número de créditos disponíveis – até porque o sistema funciona precisamente através de créditos, que diferem de pacote para pacote e de modalidade para modalidade. 

Ou seja, fazendo o exemplo deste Reset Discovery Pack: nele, por 55€, estão disponíveis 61 créditos, e cada aula de Form custa 24 créditos, cada aula de Ioga, Barre ou Build custa 15 créditos e cada utilização da sauna custa 7 créditos. Fazendo contas, pode fazer até quatro aulas neste pack, com a validade de duas semanas. Se optar, por exemplo, pelo pack Rise, este tem um custo de 245€, e nele estão disponíveis 195 créditos que pode dividir como preferir. “A ideia é que cada pessoa consiga fazer o mix que quer”.

Assim, mais do que criar um novo espaço para treinar, a Reset Society quer mudar a relação que temos com o exercício e com quem está à nossa volta. “Gostava que qualquer pessoa que viesse a uma aula, a uma sessão de sauna ou a uma massagem saísse de lá a pensar ‘fiz algo bom por mim e sinto-me bem comigo’”, explicou Guga. Um propósito que resume bem aquilo que este novo espaço de Lisboa quer ser: um lugar para cuidar do corpo e limpar a mente para, depois, enfrentar o mundo um pouco melhor.

Reset Society

Morada: Avenida Visconde de Valmor 50b, 1050-053 Lisboa
Horário: de segunda-feira a sexta-feira das 07h15 às 20h45 e sábados das 09h15 às 12h45
Contacto: info@resetsociety.pt
Instagram: @resetsociety_pt

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