“Unabomber” estreou na sexta-feira, 25 de setembro, e recupera a história de Ted Kaczynski, responsável por vários atentados que colocaram o FBI à sua procura durante quase duas décadas.
Assassinos em série, burlões, desaparecimentos e crimes que parecem demasiado irreais para terem acontecido. A Netflix já nos habituou a transformar histórias reais em filmes e séries capazes de nos deixar agarrados ao ecrã, e não podemos negar que todos estes elementos são imprescindíveis para uma boa narrativa – e poucos dias depois de “Monstro: A História de Lizzie Borden”, há mais uma produção inspirada em acontecimentos verídicos a dar que falar.
Chama-se “Unabomber”, estreou na plataforma de streaming na sexta-feira, 25 de setembro, e recupera a história de Ted Kaczynski, responsável por vários atentados que colocaram o FBI à sua procura durante quase duas décadas. Com Jacob Tremblay, Russell Crowe e Shailene Woodley no elenco, o filme recua no tempo para tentar perceber como um prodígio da matemática acabou por se tornar num dos criminosos mais procurados dos EUA, tendo já conquistado o top das produções mais vistas.
Mas comecemos pela história real. Ted Kaczynski entrou na Universidade de Harvard em 1958, com apenas 16 anos, para estudar matemática e, no ano seguinte, aceitou participar numa controversa experiência liderada pelo professor Henry Murray, segundo o “Time“. O objetivo era que os estudantes escrevessem sobre as suas crenças antes de serem submetidos a sessões psicológicas intensas, onde o stresse acaba por ser bastante elevado.
Depois de terminar os estudos, Ted Kaczynski chegou a dar aulas de matemática na Universidade da Califórnia, em Berkeley, mas abandonou a carreira académica em 1969. Poucos anos mais tarde, mudou-se para uma cabana isolada no Montana, sem eletricidade nem água canalizada, e cada vez mais revoltado com o avanço da tecnologia e da industrialização, começou, anos depois, a atacar precisamente aquilo que considerava responsável por essa transformação.
Espreite as imagens do filme.
Foi em 1978 que Ted Kaczynski chamou à atenção do FBI, segundo o site oficial da organização, com a explosão da sua “primeira e rudimentar bomba caseira” numa universidade de Chicago. Ao longo dos 17 anos seguintes, enviou pelo correio ou entregou pessoalmente uma série de bombas em pontos estratégicos, tendo como alvos universidades, companhias aéreas e pessoas ligadas à tecnologia, numa campanha que matou três pessoas e feriu outras 23.
O FBI lançou então uma das investigações mais longas e dispendiosas da sua história, à qual deu o nome “Unabomb”, uma abreviatura de “University and Airline Bomber” – e foi precisamente daí que nasceu a alcunha “Unabomber”. No entanto, foi um texto escrito pelo próprio Ted Kaczynski que acabou por ajudar a pôr fim à investigação em 1995, quando exigiu a publicação de um manifesto com cerca de 35 mil palavras no qual expunha, entre outras ideias, a sua oposição à sociedade industrial e tecnológica.
Ora, depois de o manifesto ter sido publicado no “The Washington Post”, David Kaczynski reconheceu semelhanças com a escrita do irmão e contactou as autoridades. Ted acabou detido na sua cabana, em abril de 1996, e é, portanto, a partir destes acontecimentos que “Unabomber” constrói a sua narrativa, dividindo-a entre duas linhas temporais: por um lado, o espectador acompanha o jovem Ted (interpretado por Jacob Tremblay) em Harvard e as experiências de Henry Murray (Russell Crowe), e, pelo outro, segue a investigação do FBI.
Contudo, nem tudo o que o espectador vê na série aconteceu exatamente daquela forma. Joanne Miller, a agente do FBI interpretada por Shailene Woodley e uma das personagens centrais do filme, não é real, apesar de a investigação ser baseada em acontecimentos reais. Também a relação entre Ted Kaczynski e Henry Murray foi bastante dramatizada, segundo a própria Netflix, uma vez que não existem provas de que os dois tenham mantido a relação retratada no filme. Ainda assim, é uma história que promete deixar qualquer espectador sem fôlego.















