Com a adaptação portuguesa do fenómeno da Globo ao virar da esquina, há um papel que deixa qualquer um em sobressalto: a vilã mais icónica da ficção brasileira. Na redação da MAGG, já fizemos as apostas de quem devia vestir a pele da inesquecível Carminha.
Quando o assunto são vilãs de telenovelas brasileiras, há um antes e um depois de Carminha. A personagem imortalizada por Adriana Esteves em “Avenida Brasil” definiu uma era com o seu sarcasmo, gritos histéricos, frases lendárias e uma capacidade ímpar de passar de vítima a vilã maquiavélica num piscar de olhos.
Agora que a SIC se prepara para adaptar a história de João Emanuel Carneiro para a realidade portuguesa, sob o título “Avenida Portugal”, e após os anúncios de José Condensa (Jorginho), Laura Dutra (Nina) e Ricardo Pereira (Tufão), a grande questão que ecoa pelos bastidores e pelas redes sociais é só uma: quem é que tem peso, carisma e a intensidade suficiente para assumir o papel de Carminha?
A fasquia está altíssima, mas a ficção nacional tem o talento de sobra para o desafio. A MAGG percorreu a lista de atrizes portuguesas e reuniu as cinco escolhas que, na nossa opinião, iam fazer o País parar à frente do ecrã.
Joana Santos

Foi em “Laços de Sangue” (2010) que Joana Santos deu vida a Diana, uma das vilãs mais frias, manipuladoras e inesquecíveis da ficção nacional, papel que lhe valeu rasgados elogios e um Emmy Internacional para a produção da SIC.
Com uma capacidade invulgar de transitar entre a dissimulação doce e o calculismo mais sombrio, a atriz tem a maturidade dramática ideal para encarar o desafio. Joana Santos domina a arte de olhar para a câmara com aquele escárnio passivo-agressivo que Adriana Esteves tão bem imortalizou, tornando-a uma candidata natural a segurar as rédeas da vilã do Divino.
Margarida Vila-Nova

Conhecida pelo seu talento avassalador e por uma entrega visceral a cada projeto, Margarida Vila-Nova é das poucas atrizes portuguesas capaz de dar uma densidade psicológica ímpar às usas personagens. Em produções como “Mar Salgado” ou “Amor Maior”, provou que consegue ir da extrema vulnerabilidade à fúria descontrolada num piscar de olhos.
A sua versão de Carminha não seria apenas uma maquiavélica de desenho animado: Margarida Vila-Nova daria à personagem uma camada humana, trágico, neurótica e profundamente viciante de assistir, perfeita para as cenas de maior descontrolo emocional.
Dalila Carmo

Se a personagem exige uma presença cénica magnética e a capacidade de segurar diálogos intensos sem hesitar, Dalila Carmo é um nome incontornável. Com um currículo recheado de protagonistas complexas e marcantes, como em “A Impostora” ou “Na Corda Bamba”, a atriz tem um alcance dramático que lhe permite dominar tanto o registo de alta comédia como o de tragédia absoluta.
Dalila Carmo saberia interpretar com maestria aquela Carminha dissimulada, histérica e devota, que passa a vida aos gritos com a empregada, mas chora de joelhos à frente da família para manter as aparências.
Soraia Chaves

Soraia Chaves carrega o charme natural, a sofisticação e aquele ar de femme fatale que assenta como uma luva na fase em que Carminha goza do luxo e da riqueza proporcionados pelo marido Tufão. Desde a sua estreia marcante no cinema com “O Crime do Padre Amaro” até ao trabalho em séries e novelas da ficção nacional, Soraia Chaves habituou o público a interpretações magnéticas.
A atriz traria para o papel aquele lado sedutor, ambicioso e elegante que torna a vilã ainda mais perigosa, equilibrando a ganância oculta com um cinismo apurado.
Maria João Bastos

Com uma carreira consolidada entre Portugal e o Brasil, Maria João Bastos conhece como ninguém a linguagem, o ritmo e o tom do melodrama brasileiro. O público português (e brasileiro) rendeu-se ao seu talento cómico e extravagante em papéis como a inesquecível Liliane Marise em “Destinos Cruzados”, mas a atriz também já provou o seu valor em papéis dramáticos de enorme exigência.
Maria João Bastos saberia retirar todo o sumo do humor negro e do ridículo que Carminha tem, entregando uma vilã icónica, espalhafatosa e dona de bordões (como “infernoooooooo”) que ficariam gravados na cultura pop nacional.



