A Skoola é uma academia que acredita que a música pode ser um ponto de partida para muito mais do que uma carreira artística, e a MAGG falou com a diretora, Mariana Silva, sobre o assunto. Leia a entrevista.
Aprender música já não significa, necessariamente, decorar partituras ou passar horas a aperfeiçoar escalas. À medida que surgem novas formas de ensinar e aprender, há projetos que colocam a criatividade, a inclusão e o desenvolvimento pessoal no centro da aprendizagem, e é precisamente esse o propósito do Skoola, uma academia que acredita que a música pode ser um ponto de partida para muito mais do que uma carreira artística.
Mais do que formar músicos, o objetivo passa por formar pessoas. “Nós costumamos dizer sempre que não formamos músicos, formamos pessoas”, explicou Mariana Silva, diretora da Skoola, à MAGG, sublinhando que a missão da academia é despertar a curiosidade dos jovens, ajudá-los a desenvolver novas competências e, acima de tudo, fazê-los acreditar mais em si próprios. “Uns seguirão uma carreira na música, outros não, mas o importante é que descubram capacidades que talvez nem soubessem que tinham.”

“Eles estão em construção da sua cena artística. O principal objetivo é que eles passem pela escola, despertem alguma curiosidade, desenvolvam alguma competência, seja no instrumento clássico ou nos computadores ou na escrita, e que isso lhes faça acreditar mais neles próprios, enquanto seres humanos”, continuou. Essa filosofia afasta-se, então, do ensino tradicional, e em vez de um modelo baseado na repetição ou no estudo da teoria musical, a Skoola aposta na educação não formal.
Ou seja, os jovens têm a possibilidade de experimentar diferentes instrumentos, trabalhar em grupo e criar os seus próprios projetos. “Eles chegam, dizem o que querem experimentar e os facilitadores, que são os professores, acompanham esse processo criativo. E eles aprendem durante esse processo e é-lhes dada muito mais autonomia”, explicou Mariana Silva. “Temos muitos alunos que vêm do conservatório, por exemplo, porque querem despertar a sua criatividade num outro sentido, e o ensino não formal é isso.”
E a verdade é que o impacto desse modelo faz-se sentir muito para lá da música. Entre as várias histórias que guarda, a diretora destaca a de uma jovem que entrou na academia em 2021 com uma fobia social severa, ao ponto de não conseguir frequentar a escola ou conviver com a família. Hoje, é supervisora da Skoola. “Começou por tocar piano com um dedo, depois com dois, mais tarde com as duas mãos. Entretanto percebeu que a sua vocação não era a música, mas sim cuidar das outras crianças. Foi a música que a ajudou a descobrir isso.”
É também essa liberdade de experimentar tudo e mais alguma coisa que continua a surpreender a equipa. Mariana Silva conta o caso de um aluno com uma década de formação em órgão no conservatório que, numa única tarde, passou pelo baixo, pela percussão e pelo beatmaking. “É essa experimentação e liberdade que também é uma característica da escola”, afirmou, defendendo que os jovens devem sentir que podem explorar diferentes caminhos sem receio de errar.
Este ano, essa aprendizagem ganhou um novo palco: o NOS Alive. Convidada pela NOS a integrar a programação, a Skoola levou nove alunos ao recinto para apresentarem uma versão de “My Favorite Things”, tema da campanha da marca, e foram eles que escreveram a letra, compuseram, experimentaram diferentes sonoridades e criaram uma identidade própria. Por isso mesmo, para Mariana Silva esta oportunidade representa muito mais do que uma atuação. “É uma oportunidade única e permite-lhes experimentar algo que nunca tinham vivido.”

E sim, apesar de muitos associarem o Skoola apenas a jovens em situação de vulnerabilidade, a academia faz questão de promover uma inclusão que junta diferentes realidades. Atualmente, metade dos alunos frequenta a escola através de bolsas e a outra metade paga mensalidade, permitindo que todos partilhem o mesmo espaço criativo. “A verdadeira inclusão acontece quando eles estão todos a fazer música em conjunto”, resumiu Mariana Silva.
No fim, mais do que aprender a tocar um instrumento, o objetivo é mostrar que a cultura também pode ser construída por quem, durante muito tempo, acreditou que não tinha lugar nela. “É possível experimentar fazer música, é possível criar música, é possível produzir espetáculos”, rematou a diretora da Skoola. Assim, dos recém-nascidos aos adolescentes de 18 anos, qualquer pessoa pode ir experimentar a academia, e é essa convicção que o espaço procura transmitir aos seus alunos: mais do que formar artistas, ajudá-los a descobrir aquilo de que são capazes.
