Uma ilha, uma irmã perdida e dois amores. Falámos com o elenco do novo drama adolescente da Prime Video

Há famílias que nascem do sangue e outras que se constroem ao longo da vida – e é precisamente essa ideia que guia “Sterling Point”, a nova série da Prime Video. Saiba tudo.

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Os dramas adolescentes estão a ganhar cada vez mais destaque nas plataformas de streaming (aliás, será que alguma vez a realidade foi outra?)– e que atire a primeira pedra quem vê o primeiro episódio e não fica viciado nos restantes. Com sucessos como “Off Campus”, “Outer Banks”, “Tell Me Lies” ou até “O Verão em Que me Apaixonei”, estas são as produções que estão a dar que falar e, quando se descobre o segredo do sucesso, é quase certo que o objetivo seja replicá-lo. É, portanto, aí que chega “Sterling Point”. 

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Com estreia marcada já para esta quarta-feira, 5 de agosto, a nova série da Prime Video conta a história de Annie (Ella Rubin) e Connor (Keen Ruffalo), que veem a sua vida a mudar por completo quando herdam uma ilha no Canadá de um avô, pai da mãe que morreu, que nunca conheceram. No entanto, Annie acredita que a história tem mais por onde se pegue, e acaba por, às escondidas do pai (Jay Duplass), viajar até à ilha. Nela, encontra um grupo de amigos que a vai marcar para a vida. 

Mas não encontra apenas um grupo – encontra uma pessoa que nunca pensou conhecer. Ramona (Amélie Hoeferle) introduz-se a Annie como a neta do seu avô que morreu, o que, como é óbvio, só quer dizer uma coisa: elas são família, filhas da mesma mãe, e nunca se tinham visto na vida. Este é então o mote para todo o drama adolescente, que vai dar voltas e reviravoltas e envolver todos (mas mesmo todos) os que vão aparecendo ao longo dos episódios. 

“Uma grande parte do que nos tornou tão próximos foi o tempo que passámos juntos entre takes, no set, fora do set e aos fins de semana. Acho que a nossa relação na vida real é muito semelhante à que se vê no ecrã. É muito fácil darmo-nos bem com toda a gente, porque todos são incríveis”, começou por dizer Bo Bragason à MAGG. A atriz interpreta Oona, uma jovem cuja mãe não está presente e cuja irmã mais nova, Maple (Mabel Strachan), acaba por ser o seu gancho de descida à terra. 

“Adorei a forma como a dinâmica entre Maple e Oona é mostrada. Quando tens irmãos, mostras o teu pior lado porque te sentes completamente à vontade, não sentes necessidade de esconder as emoções, e acho que a nossa representação foi muito fiel àquilo que é discutir com os irmãos, cuidar deles e rir com eles”, disse Bo, ao qual Mabel concordou.Adorei o facto de elas serem tão diferentes, mas amarem-se profundamente. Elas não têm mãe, por isso acabam por depender muito uma da outra”. 

E uma coisa é certa: esta é uma série onde irmandade e amizade andam de mãos dadas, uma vez que, mais do que todo o drama inerente ao facto de os gémeos terem herdado uma ilha desconhecida, o que fica no final são as pessoas com quem passas esses mesmos momentos. Apesar de Maple ser a mais nova do grupo, a jovem anda sempre colada aos mais velhos, com os seus livros e habilidades impressionantes, o que deixa claro que o sentimento de união é tudo para eles. 

A série fala muito sobre encontrar a tua família nas pessoas que escolhes ter ao teu lado. Mas, ao mesmo tempo, a relação com a família biológica continua a ser muito importante. As duas ideias coexistem e fazem parte da mesma narrativa”, explicou Bo. Já Sully, personagem de Nico Angelo Hinayo, não tem irmãos, mas o sentimento é precisamente aquele já mencionado: não são de sangue, mas é como se fossem. “Deram-me a oportunidade de os apoiar, e isso foi sempre tão bonito”, disse à MAGG. 

No entanto, este não pode ser um drama adolescente sem um pouco de drama romântico, certo? E em “Sterling Point” vem em dose dupla, uma vez que Annie consegue fazer não só Rory (Daniel Quinn-Toye) como Ellis (Jacob Whiteduck-Lavoie) ter sentimentos. “Há muitos momentos de tensão e muitas cenas que foram muito divertidas de interpretar”. começou por dizer Daniel Quinn-Toye, quando perguntado sobre a necessidade de não tornar as suas personagens apenas e só inimigos. 

“Eu, o Jacob e a Ella tínhamos cenas em que nos confrontávamos, mas não era um confronto direto. Era mais sobre fingir que nenhum de nós estava realmente preocupado. Cada personagem tentava parecer completamente descontraído, porque ninguém queria demonstrar demasiado interesse ou parecer demasiado insistente”, disse. “Nem nos confrontávamos tanto através das palavras, era mais através dos olhares, e isso criava a dinâmica mais interessante e não só inimizade”, explicou Jacob Whiteduck-Lavoie.

Mas não se prenda logo na primeira opinião que tiver destes dois rapazes. À primeira vista, ambos podem parecer uma coisa, mas rapidamente vão desconstruir qualquer opinião que o espectador tenha criado – tanto para o bem como para o mal. “No caso do Rory, o público vai vê-lo primeiro como alguém impulsivo e muito confiante. Mas rapidamente se percebe que existe um lado mais vulnerável, e percebemos que ele é uma pessoa sensível e bem-intencionada”, explicou Daniel Quinn-Toye.

“E eu acho que o Ellis é muito difícil de perceber no início. Parece misterioso nos primeiros episódios, mas à medida que a história avança e o público conhece o seu passado e a relação com o pai, acaba por sentir muito mais compaixão por ele”, disse Jacob Whiteduck-Lavoie. O seu pai, Joe (Jeffrey Dean Morgan), vai acabar por ser também uma peça fundamental deste jogo de irmandades e amizades, deixando de lado o drama adolescente e tornando-o mais maduro. 

Assim, ficamos com a sensação de que “Sterling Point” não tem muitos mais objetivos que deixar o público a refletir. Escolhas mal feitas, decisões momentâneas, verdades que se acham absolutas, tudo isso é questionável, e basta ver apenas o primeiro episódio para percebê-lo – nem mesmo os adultos sabem, por vezes, o que estão a fazer. Nesta produção, o perdão e o sentimento de pertença são, mesmo, o moral de toda a história. 

Quando conhecemos melhor a relação entre algumas personagens, existe muito perdão. Também na relação entre o Ellis e o pai. Não quero revelar demasiado, mas acho que o perdão é um dos grandes temas da série”, disse Jacob Whiteduck-Lavoie. “E o desejo de encontrar o nosso lugar também. Há muitas personagens que sentem que ainda não sabem onde pertencem, seja geograficamente ou na vida. Ainda estão a tentar descobrir quem querem ser”, rematou Daniel Quinn-Toye.

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