A MAGG falou com os irmãos Fradique e António depois do concerto n’O Sol da Caparica, e entre os momentos mais marcantes das suas carreiras à filosofia que tentam todos os dias passar, saiba do que falámos.
Se havia nome que já se sabia que ia encher completamente o recinto d’O Sol da Caparica era, sem dúvida, a dupla Calema. Com milhares de ouvintes espalhados um pouco por todo o mundo, a verdade é que os irmãos Fradique e António conseguem conquistar qualquer pessoa que os esteja a ouvir, quer seja num palco só para eles, num estádio ou simplesmente num festival – o que aconteceu, portanto, no Parque Urbano da Costa da Caparica, na noite de sexta-feira, 14 de agosto.
No entanto, está enganado se acha que todas estas conquistas fazem com que os Calema sintam que já não conseguem ser surpreendidos. “Todos os dias nos surpreendemos”, começaram por dizer à MAGG. “O que nós vemos é que todos os dias existem pessoas que nos conhecem como banda, e vemos o quão importante é aquilo que nós fazemos e que ainda é essencial. O que nos surpreende é que em cada show existe uma surpresa, existe algo diferente, algum detalhe, alguma coisa”.
“Nós quando compomos música imaginamos um cenário, e as pessoas quando nos falam da vida delas, de como essa música encaixou na vida delas, percebemos que às vezes nunca vimos a nossa própria música nesse prisma, e isso é muito bonito”, continuaram. E não é para menos: as músicas dos irmãos de São Tomé e Príncipe são, acima de tudo, para serem sentidas, seja na dor, na tristeza, na alegria ou na euforia. Há canções para todos os gostos, e é também isso que faz dos Calema uma banda tão versátil.
Aliás, o facto de existir muita música deles por aí apenas quer dizer que os irmãos nunca desistiram de a fazer, porque se há uma filosofia que seguem é a filosofia do camponês. “Nós temos a filosofia do camponês: não sabemos se vem lá tempestade ou não, mas nunca podemos parar de semear”, explicaram. “Cada passo, cada etapa teve a sua importância para aquilo que nós somos hoje, e não ter medo de errar também fez com que a gente chegasse aqui”.
“Todas as vezes a gente ia, fazia as coisas, calculava, pensava e acreditava em nós mesmos, e quando víamos que não resultava, dávamos um passo atrás. Mas continuávamos sempre”, admitiram. Essa coragem de ir sempre cada vez mais além também foi o que os fez acreditar no concerto do Estádio da Luz, que acabou por marcar mais uma viragem na carreira dos Calema. “Isto tudo acontece porque nós acreditamos, e foi isso que fizemos com o Estádio da Luz”.
“Nenhum artista lusófono tinha feito o Estádio da Luz, e nós fizemos porque nós sentimos que era, além de ser arriscado, um passo fundamental para abrir e mostrar a todas as pessoas que é possível a gente fazer isso”, disseram, dando o exemplo de Plutónio, que vai em 2027 pisar o palco do Estádio de Alvalade. “Ele disse-nos ‘o vosso Estádio da Luz inspirou-me bastante’. É essa a mensagem que nós tentamos partilhar sempre: não desistir, continuar, batalhar, porque as coisas depois acontecem”.
E sim, o Estádio da Luz pode ter sido um sonho concretizado, mas Fradique e António ainda ambicionam muito mais. “O nosso desafio é fazer com que a nossa música seja ouvida nos quatro cantos do mundo. Já é, mas vamos fazer com que seja ainda mais”, remataram. Assim, uma coisa é certa: não há maior festival, maios sala de espetáculo ou maior estádio que vá conseguir parar os sonhos dos Calema, e apesar de já terem vários anos disto, ainda estão só a começar.
