Ver o eclipse solar sem proteção pode causar lesões. Falámos com um oftalmologista para saber como evitá-las

Eugénio Leite, professor e oftalmologista, explicou à MAGG o que pode acontecer se olhar diretamente para o sol durante o eclipse solar, mesmo que seja durante apenas alguns segundos.

Está prestes a chegar o dia em que Portugal vai assistir a um fenómeno não só raro, como histórico – pelo menos para as gerações que vivem atualmente no País. É já na próxima quarta-feira, 12 de agosto, que um eclipse solar vai cruzar os céus portugueses (e os de muitos outros países), com a Lua a posicionar-se entre a Terra e o Sol, criando um espetáculo verdadeiramente impressionante. E sim, é mesmo raro: desde 1912 que não era possível observar um eclipse solar quase total em Portugal e o próximo só deverá acontecer em 2144.

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Mas, para sermos mais precisos, este fenómeno acontece quando a Terra, o sol e a lua estão perfeitamente alinhados, fazendo com que o céu fique totalmente preto durante alguns momentos. Em Portugal, o eclipse vai poder ser visto a 100% junto às aldeias de Rio de Onor e Guadramil, em Bragança, enquanto que no Porto a cobertura será de 98%, em Lisboa de 96% e em Faro de 93%. O fenómeno dura entre as 18h30 e as 20h30, sendo o “pico” por volta das 19h30, durante breves momentos.

No entanto, há que ter em atenção algo muito importante: não pode, simplesmente, olhar. É preciso ter cuidados redobrados neste dia, uma vez que pode mesmo acontecer algo desastroso, pelo que a prevenção é a palavra-chave. Isto não é novidade para ninguém, pois, no dia a dia, é sempre aconselhável usar óculos de sol para nos protegermos dos raios solares, o que faz apenas com que no dia 12 de agosto a atenção seja apenas intensificada (e com óculos mais próprios para a ocasião). 

“A intensidade da luz, da radiação ultravioleta e de outras radiações pode provocar uma queimadura na retina, mais concretamente na mácula, que é a zona central da visão”, começou por dizer Eugénio Leite, professor e oftalmologista, à MAGG. “No extremo, esta lesão pode levar à perda da visão central, ou seja, a pessoa deixa de conseguir ler ou visualizar um texto. Estes fenómenos têm um risco muito elevado, por isso devem ser observados apenas com óculos de proteção adequados”. 

Eugénio Leite, professor e oftalmologista

E o que é que isto, na prática, significa? Que, num caso mais extremo, pode ficar cego. “Arrisca-se, num caso extremo, a perder visão. E não estamos a falar de um risco hipotético, mas de algo bem documentado ao longo de muitos anos. Não me canso de dizer: é mesmo fundamental observar o eclipse apenas com óculos de proteção”, explicou. Este não é o único risco, uma vez que também podem existir queimaduras na córnea. Essas lesões provocam dor e incómodo, mas têm tratamento”, reitera.

Regra-geral, também não deixam consequências tão graves, podendo ser tratado com umas gotas, mas continuam a ser um problema de saúde que podia ser evitado. “Se a queimadura for na córnea, provoca dor e bastante desconforto, mas é tratável. Já as lesões da retina causam poucos sintomas imediatos, mas as consequências podem ser muito mais graves”. E não, não é por serem apenas 26 segundos que se safa de uma queimadura. “Meia dúzia de segundos é suficiente para criar uma lesão”, explicou o oftalmologista. 

No entanto, se não seguir estas recomendações e realmente acontecer algo, existem sintomas a que deve estar atento. Um deles é, claro, as alterações na visão, “como o aparecimento de uma mancha escura no campo visual”. “Não demora muito tempo até que a pessoa comece a notar alterações na qualidade da visão”, disse, acrescentando que, assim que acontecer “perda de definição, diminuição da acuidade visual ou aparecimento de manchas”, deve procurar-se ajuda médica de imediato. 

Os óculos mais adequados para ver o eclipse solar 

De acordo com Eugénio Leite, este óculos devem “possuir um conjunto de filtros capazes de bloquear a radiação ultravioleta, os infravermelhos e outras componentes nocivas da luz, permitindo que apenas uma quantidade segura de luz chegue aos olhos”. Neste momento, qualquer ótica conhece os requisitos precisos para uns óculos apropriados, sendo que o mais aconselhável é tentar perceber na mais próxima de si se ainda têm algum par disponível para adquirir. 

E quem usa, por exemplo, óculos graduados ou lentes de contacto? A resposta é a mesma: é só utilizar uns óculos adequados ao eclipse solar, neste caso colocando em cima dos seus óculos ou lentes. “Basta colocar os filtros próprios por cima dos óculos graduados. No caso das lentes de contacto, o procedimento é exatamente o mesmo, é indispensável utilizar os óculos de proteção específicos”, explicou o professor, que deixou uma reflexão: é só mais um fenómeno que nos lembra que nos devemos sempre proteger.

“Este é um exemplo extremo, em que a lesão pode acontecer muito rapidamente, mas a mensagem é válida durante todo o ano: nunca devemos olhar diretamente para o Sol. Além disso, os óculos de sol com proteção adequada devem ser utilizados por rotina, não apenas no verão, porque a radiação ultravioleta e os infravermelhos estão presentes todos os dias do ano. Este fenómeno exige o máximo cuidado. Devemos proteger a nossa saúde ocular, porque os olhos são a nossa principal ligação ao mundo”, rematou.

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