Ainda não se percebeu se é real ou apenas uma estratégia de marketing, mas uma coisa é certa: já indignou bastantes internautas nas redes sociais, inclusive caras conhecidas pelo público português. RelationChip é a marca em questão, que está a deixar várias publicações no Instagram e no TikTok assim como vários mupis espalhados pela zona de Lisboa com o seu produto, que, supostamente, serve para casais. Ora, como o nome indica, este será um chip subcutâneo que as duas pessoas de uma relação colocam para saber tudo sobre o companheiro.

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A marca está efetivamente registada no site pt.pt, a entidade responsável pela gestão e registo de domínios correspondentes a Portugal, e percebe-se que o seu titular é a agência de publicidade BBDO Portugal. Ou seja, o site RelationChip é fidedigno, mas a questão principal que tem preocupado as redes sociais é para que é que serve, afinal, esta marca. A agência é conhecida pelo icónico anúncio do McDonald's com a jovem que captou o meteorito, explicou a fotógrafa e criadora de conteúdos Inês Costa Monteiro, pelo que há a hipótese de isto ser uma estratégia.

Estratégia essa que tem que ver com o Dia dos Namorados, sensibilizando as pessoas para a violência no namoro. Isto porque o que o RelationChip publicita é um "microdispositivo eletrónico encapsulado e projetado para ser inserido sob a pele", lê-se no site oficial, que, depois de aplicado, se liga a uma aplicação. Nessa aplicação estarão várias funcionalidades como localização em tempo real, sincronização de passwords e indicação de contactos que se encontram perto do seu companheiro, o que por muitos é considerado também violência.

No entanto, não há nada no site que indique que o produto não é real, e que é apenas uma estratégia de marketing. Ou seja, aos olhos de quem vê os anúncios, as publicações e os mupis, este é um produto verdadeiro, e é também isso que está a indignar muitos internautas. Ana Markl, por exemplo, já recorreu ao seu Instagram para falar sobre o assunto. "Mas como é possível amarmos alguém que não queremos que existe além de nós, do nosso olhar sobre si? Cada um de nós tem direito a uma vida não vigiada. A devassa não é uma declaração de amor", escreveu.

Paula Cosme Pinto, ativista pela igualdade e locutora do podcast "Um género de Conversa" também abordou o tema, dizendo querer acreditar que o produto faz apenas parte de uma campanha estratégica, como falado anteriormente. "Mas e se não for? Vamos desde já ao óbvio: o controlo sobre o outro no contexto das relações de intimidade é uma forma de violência. Num namoro, não há dois que se transformam num. Controlar o outro e invadir a sua privacidade não são forma de amor. Se alguém te faz isso, é porque não te respeita", disse.

"Até que ponto a implementação de microchips em humanos, sem ser por um motivo de saúde, é sequer legal? E é também legal a promoção da violência relacional em produtos e respetiva publicidade? Não. A normalização da narrativa tóxica e controlo implícita nestes conteúdos, e o seu alcance, é problemática", rematou a ativista. Diogo Faro foi outra das caras conhecidas que falou sobre a RelationChip no seu Instagram, acrescentando que a situação é completamente "bizarra".

Posto isto, a verdade é que não se sabe se o produto é real, mas que existe uma plataforma onde é possível aceder e, mais tarde, comprar (se se descobrir que é efetivamente um produto e não uma campanha), existe. O site conta com hiperligações para as redes sociais e ainda um destaque só com perguntas e respostas, aparecendo "brevemente disponível" para compra.