Robert F. Kennedy Jr., candidato independente à presidência dos Estados Unidos, admitiu, este domingo, 4 de agosto, ter sido o responsável pelo abandono do cadáver de um urso no Central Park, em Nova Iorque. A história, que remonta a outubro de 2014, foi contada pelo candidato num vídeo publicado nas redes sociais, no qual se encontrava à conversa com a comediante Roseanne Barr.

No vídeo, Robert F. Kennedy Jr. explica que encontrou o urso, que já estava morto, na berma de uma estrada a norte de Nova Iorque, a meio de uma sessão de caça. "Encostei o carro, peguei no urso e coloquei-o na parte de trás da carrinha porque ia esfolá-lo", explicou, num tom descontraído, ao recordar aquela manhã.

"Estava em muito bom estado e ia pôr a carne no frigorífico", acrescentou. Esta é uma prática legal em Nova Iorque, mas as autoridades têm de identificar o urso numa primeira instância. De qualquer das formas, isto nunca chegou a acontecer: a caçada estendeu-se até tarde, o candidato e os amigos foram jantar fora e, depois, este precisava de ir para o aeroporto.

Como o animal continuava no carro, Kennedy Jr. teve de engendrar um plano para que pudesse livrar-se dele – isto porque, segundo o próprio, deixá-lo na viatura "teria sido mau". Por isso, lembrou-se de simular o atropelamento do animal no Central Park, deixando o cadáver do urso ao lado de uma bicicleta antiga que transportava no carro.

"Eu não estava a beber, claro, mas as pessoas que estavam comigo estavam a beber e acharam que era uma boa ideia", justifica, acrescentando que ele e o grupo pensaram "que seria divertido para quem encontrasse" a cria. Entretanto, as autoridades norte-americanas concluíram que o urso tinha sido atropelado, mas fora do parque, e levaram a bicicleta para descobrir o responsável, mas sem sucesso.

O facto de o candidato independente ter contado esta história pôs fim ao mistério de uma década, visto que as autoridades sempre duvidaram de que o urso tivesse conseguido chegar à cidade sozinho. E fê-lo para conseguir antecipar-se à publicação de um perfil sobre ele na revista "The New Yorker", que aborda o incidente e inclui uma foto sua com o urso morto na bagageira do carro, enquanto finge ser mordido pelo animal.

Esta história foi noticiada pela primeira vez, em 2014, pelo "The New York Times". A autora do artigo foi Tatiana Schlossberg, que, curiosamente, é prima em segundo grau do candidato independente, uma vez que é filha de Caroline Kennedy – que, por sua vez, é filha do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy.

Quem é Robert F. Kennedy Jr.?

robert f kennedy
robert f kennedy créditos: Instagram

Robert F. Kennedy Jr. é filho de Robert F. Kennedy Sr., o irmão de John F. Kennedy, ambos assassinados na década de sessenta, nos Estados Unidos. Em abril de 2023, tentou candidatar-se à nomeação presidencial como democrata, mas abandonou o partido em outubro do mesmo ano para se lançar como independente.

Aquilo que o levou a fazê-lo foi a convicção de que há corrupção na liderança dos dois partidos – o republicano e o democrata –, pelo que tinha o desejo de mudar os hábitos da política americana. E embora seja reconhecido por ter pertencido, em tempos, ao partido de Joe Biden, a sua taxa de aprovação é maior entre os eleitores da oposição.

A razão é simples: o candidato é conhecido por ser adepto de posições extremistas e teorias de conspiração. Um dos maiores exemplos é o facto de acreditar que as vacinas estão ligadas ao autismo, tendo criado a Children’s Health Defense, uma fundação contra a vacinação.

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A par disto, Kennedy Jr. foi banido do Instagram por espalhar desinformação sobre a Covid-19 e diz que os tiroteios em massa são consequência de medicamentos e antidepressivos. Também defendeu – embora tenha, posteriormente, recuado – uma proposta para proibir o aborto após as 12 semanas, diz a "News Nation".

Em relação às suas propostas, caso chegue à presidência, diz que quer reduzir as despesas com o exército, trazer os soldados em missão de volta para o país e encontrar uma solução diplomática para o conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia. Economicamente, propõe um ordenado mínimo de 15 dólares por hora,

Como advogado ambiental, defende a mudança dos subsídios agrícolas para práticas sustentáveis, incentivos à energia limpa e redução do uso de pesticidas. Na imigração, propõe reforçar a segurança das fronteiras para combater entradas ilegais e expandir o sistema de imigração legal.