Aos 26 anos, Francisco Borges Costa está a dar cartas no mundo da moda. Mesmo que a sua marca homónima ainda esteja em construção, já teve oportunidade de ir mostrando o que vale, tendo vestido caras conhecidas do público português, que lhe deram "asas para voar", como Carolina Carvalho, Ana Guiomar e Olívia Ortiz. Mas antes de aqui chegar, percorreu um longo caminho.

À conversa com a MAGG, o designer contou que esta paixão, na qual tem investido cada vez mais, sempre lhe foi, de certa forma, inata, tendo começado a ganhar uma expressão maior na infância. "Era criança e passava a vida a desenhar vestidos de gala e outras roupas", começa por explicar Francisco Borges Costa. "Sempre soube que design de moda seria uma área em que eu seria feliz, desde os 7 anos", continua.

Os pais, no entanto, também foram catalisadores "inegáveis" do contacto com esta área, já que têm algumas lojas de roupa, onde o jovem sempre marcou presença assídua. À medida que foi amadurecendo e explorando os meandros da moda, percebeu que esta é o melhor de todos os mundos.

Não é por acaso que cita um dos maiores ícones da moda da ficção, Blair Waldorf, a queen bee [abelha-rainha, em português] da série "Gossip Girl", interpretada por Leighton Meester – "A moda é a arte mais poderosa que existe. É movimento, design e arquitetura num só. Mostra ao mundo quem somos e quem gostaríamos de ser".

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créditos: Instagram

A paixão não parava de crescer, o que culminou na passagem do jovem pelas versões portuguesas das revistas "Vogue" e "GQ", enquanto estagiário de Publicidade e Relações Públicas. Chegou ao final do estágio e tudo indicava que poderia vir a construir um brilhante no ramo, já que trabalhava com algumas marcas. Mas, na verdade, o desejo de ter uma que fosse sua começou a crepitar. Até que os seus planos foram travados, em 2020, por uma complicação de saúde: cancro.

Foi o início de uma batalha que se afigurou como uma "catástrofe" no seu percurso profissional. "Pensei que estava perto de morrer. Quando tens 23 anos, pensas que a tua prioridade é a área profissional, são os anos em que queres dar tudo na parte profissional, foi mau", revela Francisco Borges Costa. E apesar de não gostar de ser definido pela doença, que ultrapassou depois de uns meses conturbados passados no hospital, tem noção de uma coisa: "Tive de estar ao pé da morte para realmente ter coragem de fazer o que estou a fazer".

Da apreensão da família ao nascimento da marca

Se, hoje em dia, Francisco Borges Costa tem o apoio da família, houve (breves) momentos em que a apreensão pairava no ar, quando tocava no assunto. "No início, a minha família ficou um bocado assustada", explica. Numa época em que os cursos de Direito ou a Medicina são encarados como o Santo Graal da estabilidade financeira, os pais, especialmente, viam na moda uma área "com menos saída".

Não tardou até perceberem que dentro do jovem borbulhavam ideias (e uma motivação) sem fim, fazendo com que as dúvidas se dissipassem. "Agora, sinto o orgulho deles. Sinto que eles estão felizes por estar a seguir a área dos meus sonhos", aponta. "Temos de mostrar aos nossos pais que aquilo de que gostamos é o que importa e não o que a sociedade diz ser melhor", enfatiza o designer.

"Tive de estar ao pé da morte para realmente ter coragem de fazer o que estou a fazer".

Por isso, pôs mãos à obra e assim nasceu a Francisco Borges Costa. A premissa? Conceber peças com uma pitada "de magia, glamour, e fazer com que a mulher que a usa seja super cool [fixe], super edgy [arrojada]", afirma. Se as mulheres acordam todos os dias para aí viradas? Tem a noção de que não, mas quer que se sintam dessa forma "quando usam as peças da marca", acrescenta.

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Quanto à inspiração para as peças, é coisa que também não lhe falta. A sua arte tem dois princípios basilares, sendo a primeira uma conceção freudiana, que o orienta. "Como diz Freud, a inspiração vem da memória genética, dos traumas. Eu sinto que o medo que tive de morrer me inspirou e é por isso que quero mostrar que o mundo do Francisco Borges Costa é algo que dá vontade de viver", aponta. Já o segundo diz respeito "ao romantismo do século XVIII", a par de "divas e personalidades de outras épocas", como Peggy Guggenheim, uma das maiores colecionadoras de arte do século XX.

Tendo estas referências em conta, também não é de admirar que só queira vestir mulheres. Questionado sobre o facto de, por agora, não ter intenções de se focar num público masculino, o desginer responde: "Ambos os corpos são incríveis, mas sempre me inspirei mais no corpo da mulher e é aquilo que eu sei fazer agora". Depois, acrescenta que é na moda feminina que se sente "mais confortável", nunca descurando que focar-se-á, eventualmente, no corpo masculino, assim que tiver essa predisposição.

Uma coisa é certa: quer que as pessoas que tiverem as suas peças no corpo se sintam autênticas "trendsetters" [isto é, em português, pessoas que criam tendências]. E as peças terão todas um cunho de "glamour, com pormenores bastante sexy e extravagantes". E até levanta o véu sobre o que se avizinha para a próxima coleção, que será um jogo constante entre universos que, à partida, não se misturariam.

"Sem querer revelar tudo já, o conceito da próxima coleção chama-se Paradisco, ou seja, uma fusão entre o paraíso e a disco. O processo criativo foi inspirado nas roupas da antiga Grécia e na mitologia Grega. Também reflete os anos 70 e 80, a era dourada da Disco e do Studio 54", a icónica discoteca em Nova Iorque, Estados Unidos, que acolheu celebridades como Jacqueline Kennedy Onassis, Cher, Truman Capote e Andy Warhol. Por isso, elementos como drapeados e lantejoulas serão a palavra de ordem, no pontapé de saída de Francisco Borges Costa.

Espreite algumas das criações do designer.

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