Maomé era um preguiçoso, mas os primos do Projeto Serra não são e depois de subirem as montanhas de Portugal, chegaram a uma das mais altas: a London Fashion Week, no âmbito da iniciativa Local Goes Global, de 17 a 22 de fevereiro.

Antes de mais, é preciso explicar o que é o Projeto Serra. Nasceu em outubro de 2021 pelas mãos de três primos — Ricardo Amaral, João Duarte e Tiago Pinto — ligados às áreas da gestão hotelaria e de empresas. Nada que ver com o têxtil, portanto. Contudo, os antigos escuteiros, organização na qual entraram com apenas 3 anos, decidiram aquecer os dias e criar o projeto que, apesar de não ser a tempo principal, ocupa bastante tempo e é graças a isso que chega cada vez mais longe.

Ricardo Amaral e João Duarte e Tiago Pinto
Ricardo Amaral e João Duarte e Tiago Pinto créditos: divulgação

Curioso é a forma como surgiu a ideia: num ambiente que lhes é muito natural e que está relacionado com o conceito. "Em 2020, no ano da pandemia, fomos os três acampar para o campo de campismo da serra da Freita. Estávamos em conversa à noite e começámos a montar as primeiras linhas do que seria [o Projeto Serra]. Honestamente, não sabíamos que se ia tornar nisto. Começámos por escrever as linhas de um projeto muito associado às serras, tradições e aldeias", conta à MAGG Tiago Pinto, um dos primos fundadores.

O esboço acabou por ficar durante algum tempo numa névoa semelhante à de uma manhã na serra, mas em janeiro de 2021, o sol voltou para iluminar as ideias anteriormente delineadas. "Começámos a fazer a fazer uma pesquisa intensiva das tradições. O primeiro passo foi escolher quais as quatro serras que efetivamente queríamos honrar para a coleção inicial e esta escolha foi feita com base na nossa ligação emocional a cada uma", continua.

Soajo, Freita, Estrela e Pico foram então as serras portuguesas escolhidas para integrar o Projeto Serra, cuja oferta vai desde o outwear até ao Enxoval da Serra, lançado a propósito do dia dos Namorados, mas que continua a espalhar amor pelo site, assim como as bandeirolas — artigos denominados de merchandising de impacto.

O destaque do projeto vai para as camisolas quentes, com pormenores que transmitem a essência das serras portuguesas e que só quem usa consegue sentir.

"Temos toda uma experiência sensorial. A nossa camisola da Freita tem um cheiro muito característico, porque a malha é 55% pura lã e dá-lhe assim um cheiro muito serrano, por assim dizer", descreve Tiago entre risos. A mesma camisola tem um carapuço em forma de cone, inspirado nas capuchas de burel que os pastores usam na serra nos dias frios.

A "moda do pastor" vai à London Fashion Week

"Não estávamos a contar com uma internacionalização já. Porque lançámos a marca em outubro de 2021, ou seja, é muito recente", reconhece Tiago. A ideia seria apostar somente no mercado nacional no primeiro ano, e depois sim, "começar a pensar numa possível internacionalização com coleção de inverno de 2022".

Contudo, quando o Projeto Serra chegou à Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), esta propôs levar a marca à London Fashion Week através do programa Local Goes Global, que decorre de entre 17 e 22 de fevereiro. E os três primos não pensaram duas vezes.

A iniciativa Local Goes Global diz respeito a uma pop up store inserida no Projeto Next Step da ANJE, cujo objetivo é promover a partilha de ideias e contactos entre marcas, sendo que neste caso a mais valia é levar as tradições e costumes nacionais mais longe. "As expetativas que temos não é tanto a nível de vendas em Londres. É pela experiência que vai trazer e, acima de tudo, pelos contactos que já nos está a dar", refere Tiago Pinto, acrescentando que já conseguiram uma parceria com a Wolf & Badger, marketplace no qual agora as peças também são vendidas.

A moda não é estanque, nem é apenas feita das irreverências comuns na London Fashion Week (leia-se, vestidos espalhafatosos, bem como peças incrivelmente inesperadas). A "moda do pastor" também tem lugar num dos maiores eventos de moda e não vai faltar nada para espelhar fielmente as quatro serras portuguesas.

"Vamos levar uma série de detalhes de artesãos portugueses, nomeadamente os nossos botões de vime com que toda a gente fica espantada, porque o vime é super difícil de trabalhar. Vamos levar o bolinho riscado, os lenços dos namorados", exemplifica.

Bordar uma T-shirt e novas serras: as novidades do Projeto Serra

No regresso de Londres, os fundadores esperam trazer essencialmente contactos, porque ideias são o que não falta e já estão todas em marcha para os lançamentos dos próximos meses. "Para a primavera-verão, estamos a preparar a coleção Casa do Povo, que é o ponto de encontro de toda a gente nas aldeias. Dentro deste imaginário estamos a criar uma linha de roupa e também de utensílios e complementos aos percursos na montanha", avança o primo e co-fundador Tiago à MAGG.

No que toca à roupa, e sendo o conceito do projeto o do "conforto" e "agasalho", vai ser lançado um para as noites frias de verão e também uma T-shirt com um twist das tradições portuguesas e personalizável. "Posso dizer desde já que vem com um tutorial de bordado porque a ideia é a pessoa ir completando a T-shirt conforme vai conhecendo". À nova coleção juntar-se-á ainda uma caneca e meias.

Quando ao inverno, esperam-se duas novas serras no projeto e novos twists das serras já existentes na coleção atual. 

Tudo o que se junta ao Projeto Serra não é apenas mais uma peça de merchandising de impacto, é também uma forma de apoiar as serras através das necessidades sinalizadas pelos "filhos da terra" embaixadores da marca. Exemplo disso é a aldeia de Drave, na serra da Freita, que está a ser reconstruída pelos escuteiros e na Black Week uma parte das receitas reverteu para materiais de reconstrução. "Aqui é também um bocadinho da nossa veia escutista" a falar mais alto, brinca Tiago Pinto.

Os artigos (desde 20€) do Projeto Serra estão à venda no site.

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