Lídia e Manuel Nascimento, de Torres Vedras, têm por hábito apanhar lixo que encontram sempre que vão até à praia. Na praia de Santa Cruz, Torres Vedras, perto de onde vivem, grande parte do que encontram é trazido pelo mar e não deixado por banhistas, mas o mesmo não acontece noutras praias, contam à SIC Notícias. Contudo, ainda se conseguem surpreender com alguns dos achados. Foi o que aconteceu desta vez, numa recolha que designaram de "arqueologia dos anos 80".

Um boneco que saía como brinde nos gelados nas décadas de 60 ou 70, um saco velho e degradado, 186 embalagens de iogurtes e de refrigerantes de marcas diferentes, um deles com validade de janeiro de 1987, sacos com ossos de frango e cascas de caracóis, embalagens de cremes e protetores solares. Estes são alguns dos exemplos do "lixo eterno", como chamam, que encontraram numa zona de dunas na praia de Peniche de Cima, em Peniche, a 19 de julho.

"Hoje encontrámos uma lixeira nas dunas de Peniche de Cima, cheia de lixo dos anos 80. Dá para ver o que se comia na praia nessa altura. Estava tudo quase intacto, em cerca de um metro quadrado. Já encontrámos lixo muito estranho, de muitas partes do mundo e coisas que nem sabemos o que são, mas isto deixou-nos de boca aberta", relatam na página de Facebook "Mar à Deriva - Adrift Sea", que criaram em abril do ano passado quando notaram que o lixo nas praias estava a ganhar maiores e mais graves dimensões.

Apesar de não saberem o que aconteceu para todo aquele lixo estar no mesmo local, Lídia acredita que se trata de um episódio de campismo selvagem dos anos 80, durante o qual foi feito um buraco para colocar o lixo todo. "Imagino que alguém estivesse ali a acampar. Não havia caixotes do lixo na altura nem a consciência e conhecimento que há agora”, diz à SIC Notícias.

Na página "Mar à Deriva - Adrift Sea", Lídia e Manuel partilham em forma de diário o lixo que vão encontrando pelas praias. Há dias mais negativos, aqueles nos quais encontram animais marinhos mortos por causa da poluição e da ação humana, e outros, não tão comuns, com positivas surpresas, como aconteceu esta segunda-feira, 3 de agosto, dia em que passaram pelo metro do Campo Grande.

"Queremos agradecer por continuarem a limpar esta entrada/saída do metro Campo Grande. Ao longo de vários anos nunca vimos isto tão limpo", escrevem.

O objectivo da página é consciencializar para a poluição em geral, mas em particular da que está no mar, no qual o inconsciente descarte humano põe em perigo variadas espécies, como é o caso dos inúmeros cotonetes encontrados e que as pessoas insistem em colocar na sanita.

"Com tanto plástico à deriva no mar, agora é o mar que está à deriva, sem rumo nem futuro. Queremos que os nossos filhos tenham um planeta para viver no futuro, bem como os filhos das baleias, dos golfinhos, dos cavalos-marinhos, etc., etc...", dizem na descrição da página de Facebook.

“Toda a gente pode apanhar lixo no percurso da praia até ao carro, por exemplo. Se toda a gente apanhar um bocadinho, a praia já fica mais limpa”, remata Lídia na entrevista à SIC Notícias.

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