Há uma semana publiquei o primeiro artigo sobre a minha viagem de 365 dias pelo mundo. Têm sido muitas as perguntas que me chegam sobre a preparação desta experiência e é com o maior dos entusiasmos que estruturo todas as respostas. O objetivo desta publicação é partilhar com o leitor toda a informação útil sobre o que antecede a aventura.

Partilhei no primeiro artigo que o nosso desejo é começarmos pelo sudeste asiático. É fundamental termos uma ideia do percurso, sobretudo por questões de saúde. Como me disseram na Consulta do Viajante, sobre a qual falo já de seguida, diferentes destinos exigem diferentes cuidados, por isso é crucial sabermos indicar ao médico que nos atende por onde vamos andar. Desta forma tornamos todo o processo mais seguro.

Consulta do Viajante

Estou a viajar com o meu namorado, por isso marquei a Consulta do Viajante para dois no Hospital da Luz (é possível marcar aqui). Esta opção fica muito mais em conta, já que pagámos um total de 128€ e a consulta individual ronda os 100€. Fomos ainda reembolsados em parte deste valor, devido ao seguro de saúde que temos. Este aspeto vai sempre variar caso a caso, mas vale a pena ficar atento a todas as vantagens do seguro que tem.

É importante não esquecer o boletim de vacinas na hora da Consulta do Viajante, pois aqui indicam quais as vacinas que precisam de ser administradas para uma viagem segura. Além disso, fazem também a prescrição de todos os medicamentos que não podem faltar na mochila. Prepare-se para trazer uma pequena farmácia consigo. Pouco prático, bem sei, mas a prevenção é tudo e, caso porventura venha a ser preciso, desta forma evita ter que enfrentar situações desafiantes mais à frente.

Que vacinas nos foram administradas e quanto custa cada uma?

  • Febre Amarela (20€)
  • Hepatite A
  • Febre Tifóide (49,04€)
  • Encefalite Japonesa (171,72€)

Esta última estava esgotada em Portugal, por isso pedi a um amigo que estava em Espanha para a comprar e trazer. Assim que chegou a Lisboa deu-ma em mão e o assunto ficou resolvido. Acabou por ser um processo bem mais simples do que imaginei inicialmente, quando soube que não seria fácil encontrá-la em Portugal.

No nosso caso específico, as vacinas ainda eram algumas, por isso foi essencial fazermos o agendamento da Consulta do Viajante com alguma antecedência. Dois meses antes de qualquer viagem é suficiente.

Um ano a viajar pelo mundo. Parece mentira, mas não é
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Em medicamentos gastámos um total de 81,32€ para os dois. Pouco importa especificar o que trouxemos a este nível, porque as necessidades variam conforme os destinos de viagem, e ninguém melhor do que os médicos para indicar tudo aquilo de que precisa.

Na Consulta do Viajante recomendaram-nos o site do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças, essencial para estarmos sempre a par, tanto dos riscos a nível de saúde, quanto dos cuidados a termos em conta nos vários cantos do mundo. Por exemplo, o nosso primeiro destino é Tailândia, por isso começámos por consultar estas informações, muito úteis para alguém como eu, que se prepara para pisar um país longínquo como este pela primeira vez.

Outra recomendação indispensável que nos foi dada aqui: repelente Previpiq Tropics Spray, que proporciona em média 9 horas de proteção contra as espécies de mosquitos mais comuns em zonas tropicais como aquelas que vamos visitar ao longo do próximo ano.

Mais informações úteis

O site do Ministério dos Negócios Estrangeiros também tem sido fundamental para a organização da nossa viagem, pois reúne inúmeros contactos das embaixadas dos vários países no mundo. Aqui acedemos por exemplo ao endereço de e-mail da Embaixada da Tailândia (thai.consul.lisbon@gmail.com), para esclarecermos algumas dúvidas relacionadas com a COVID-19. Sei que este tema também levanta muitas questões e irei falar sobre o mesmo num próximo artigo, já que as regras mudam de país para país.

Mala de Viagem

A mala de viagem para um ano tem despertado alguma curiosidade junto das pessoas mais próximas de mim, que juram a pés juntos ser impossível eu colocar tudo aquilo que preciso para um ano numa simples mochila. Confesso que, embora eu reconheça a importância e urgência do minimalismo, ainda tenho um longo caminho a percorrer, por isso compreendo que duvidem das minhas capacidades para alcançar esta proeza.

A mais pura das verdades é que… consegui. Não numa única mala de viagem, é certo, mas em duas. Passo a explicar: no mochilão maior, que no aeroporto é sempre enviado até ao porão do avião, coloco a maior parte da bagagem, incluindo todos os líquidos e também o que é mais pesado.

bagagem
créditos: Joana Costa Pereira

Na mochila mais pequena, que anda sempre comigo, segue tudo o que é de maior valor, ou seja, tecnologia, mas também alguns pertences de higiene e conforto, que podem ser úteis durante as viagens (exemplo do creme hidratante, escova de dentes e/ ou camisola).

O modelo da minha mochila maior já é antigo, mas a Decathlon disponibiliza agora este, muito semelhante. A mochila mais pequena que escolhi está neste momento disponível para compra, tal como a mala de viagem grande do Nuno, que pode encontrar aqui.

Para organizarmos as mochilas foram essenciais os packing cubes da Eagle Creek. Não são baratos, mas posso garantir que valem cada cêntimo. Há vários tamanhos destas pequenas bolsas, que no fundo permitem criar diferentes compartimentos dentro das malas de viagem, com a mais-valia de comprimirem tudo aquilo que guardam, sem danificar o que quer que seja.

Desta forma, não só fica tudo organizado, o que torna mais simples o processo de aceder a qualquer coisa dentro da mochila, como também garantimos um excelente aproveitamento do espaço. Por exemplo, num dos packing cubes coloco todas as blusas, noutro todos os calções e calças, noutro tudo o que é de praia e num outro meias e roupa interior. A IKEA dispõe também de organizadores de mala de viagem, que embora não tenham esta função compressora, são também muito úteis. Trouxe um e recomendo.

Para uma viagem como esta, além do básico, como roupa, calçado e bens de higiene pessoal, são também úteis:

  • Máscara e tubo de mergulho - em certos sítios é fácil alugar estes materiais, contudo, a meu ver, este é um gasto dispensável. Além disso, com certeza esta não será a opção mais higiénica, porque passam de turista em turista. Mais ainda, nem sempre existirá a possibilidade de aluguer, e nesses casos a consequência é perder-se a oportunidade de desfrutar de uma experiência de snorkeling incrível. Com estes materiais sempre à mão, fica apenas nas nossas mãos mergulhar ou não na mais idílica vida marinha.
  • Calçado aquático, ideal para zonas de muito coral, que pode ser cortante.
  • Bolsa de primeiros socorros, como lhe chamo, com soro fisiológico, álcool, betadine em pomada (mais prático), fucidine (para tratamento de infeções da pele localizadas), canesten (anti-fúngico), biafine (ideal em caso de queimaduras), compressas e pensos rápidos.
  • Capa impermeável para proteger a mochila, essencial para dias de chuvas fortes, nos quais por algum motivo não seja possível resguardá-la.
  • Na mesma lógica, casaco impermeável, porque as chuvas tropicais chegam de facto quando menos esperamos.
  • Chapéu de sol ou boné, de forma a garantir que a cabeça está sempre bem protegida do sol.
  • Bolsa para passaporte - é importante o passaporte estar sempre bem guardado mas sempre à mão.
  • Capa/ mica para guardar documentação importante, como vistos, certificados de vacinação, boletim de vacinas, talões ou qualquer outra papelada que deseje guardar para recordação.

Sublinhar por fim a importância de uma boa dose de coragem e espírito de aventura, pois mentiria se dissesse que todo o processo que antecede o momento de ir é simples e leve. Esta oportunidade é absolutamente única e maravilhosa, mas trata-se de largar tudo, arriscar, e mudar abruptamente de vida. Um ano não é muito, mas também não é propriamente pouco, sobretudo se tivermos em conta que estas são vivências muito fora daquilo a que chamamos zona de conforto.

A verdade é que por mais que se deseje muito uma experiência como esta, inevitavelmente instalam-se receios e saudades antecipadas. Ainda assim, o meu conselho será sempre: havendo possibilidade, avance. Lembre-se que oportunidades únicas não surgem duas vezes na vida.

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