Há mais 39 mortes e 4.007 novos casos de infeção em Portugal pelo novo coronavírus. São estes os dados divulgados este sábado, 31 de outubro, pela Direção-Geral da Saúde, no novo boletim epidemiológico.

Os novos dados são atualizados na mesma altura em que se sabe que o a velocidade da transmissão do vírus em Portugal está a decrescer. Isto permite estimar que o pico desta nova segunda vaga do novo coronavirus possa ser atingido na terceira semana de novembro desde que, até lá, não se verifiquem surtos maiores.

O facto de a propagação do vírus ter, nos últimos dias, desacelerado, significa que o R — o indicador que define o número médio de contágios decorrentes do contacto com uma pessoa infetada — está a cair. E é isso que permite prever "uma luz ao fundo do túnel". "É preciso muita cautela, mas a evolução do Rt a que estamos a assistir já nos permite ver um pico, uma luz ao fundo do túnel”, explica Manuel Carmo Gomes, um dos especialistas em epidemiologia ouvidos pelo Governo, ao jornal "Expresso".

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O especialista considera que se as condições atuais sem mantiverem, ou seja, se não se registarem novos surtos no País, o pico da segunda vaga poderá ter atingido "na terceira semana de novembro, entre os dias 20 e 25", possivelmente sem que Portugal chegue "a atingir os seis mil casos". Mas Carmo Gomes alerta para o facto de bastarem apenas "dois ou três grandes eventos para a situação mudar".

"Se esta tendência de desaceleração for combinada com medidas mais restritivas que o Governo tome agora, sobretudo nas zonas que estão mais vermelhas devido à maior circulação do vírus, talvez isso traga bons sinais para dezembro."

Sobre o que estará a contribuir para esta desaceleração da propagação do vírus, o epidemiologista não tem dúvidas de que a "consciência da população em relação ao risco" está a ter um papel preponderante. 

"As pessoas assustaram-se com o grande crescimento de casos e a sensação de ameaça do vírus ganhou uma componente mais individual. As pessoas já conhecem alguém que esteve infetado e acredito que isso faça com que se protejam mais", conclui.