Chama-se San Cristobal de las Casas e é uma cidade bastante pobre, localizada em Chiapa, no México, onde a Coca-Cola já faz parte do dia a dia de todos os que lá vivem. Existem residentes que bebem até dois litros deste refrigerante por dia, de acordo com um centro de investigação multidisciplinar de Chiapas e Fronteira do Sul, segundo o “Daily Mail”.

O consumo do refrigerante já é algo tão comum que algumas famílias chegam a encher os biberões dos bebés com essa bebida em vez de leite. As garrafas de Coca-Cola também já se tornaram parte da cultura da região e são regularmente usadas em cerimónias religiosas e rituais, numa cidade ao lado. A bebida serve muitas vezes como oferenda por acreditarem que tem poderes de cura.

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No entanto, esta realidade tem uma história por contar. A água nessa região tem-se tornado cada vez mais um luxo e escassa, com alguns locais apenas a ter acesso à mesma poucas vezes por semana. 

Estima-se que apenas 7% das casas em Chiapa tenham água potável para beber, de acordo com um estudo de 2023 da ENCIG. Desta forma, a Coca-Cola torna-se mais acessível do que recorrer a garrafas de água.

No entanto, uma fábrica local, a Femsa, um grupo que tem o direito de engarrafar e vender a Coca-Cola na América Latina, tem a permissão para extrair mais de 1,3 milhões de litros de água por dia, enquanto as comunidades locais lutam por esse bem escasso.

Desta forma, isto traz consequências negativas para a saúde dos habitantes. O México é um dos países com maior índice de excesso de peso e obesidade do mundo. As crianças mexicanas consomem mais alimentos e bebidas com açúcar e com alto teor calórico e têm um estilo de vida sedentário, de acordo um estudo de 2022 da UNICEF.

As autoridades de saúde afirmam que o consumo desta bebida em Chiapa contribuiu para uma grave crise de obesidade e com vários habitantes a sofrer de diabetes tipo 2, segundo avança o “Daily Mail”.  Um terço das crianças mexicanas já são consideradas acima do peso, de acordo as estatísticas do governo mexicano.