Portugal continua sob o impacto de um verdadeiro comboio de tempestades. Depois das depressões Ingrid e Joseph, é agora a tempestade Kristin que está a marcar a atualidade meteorológica, vinda de mãos dadas com vento extremo, agitação marítima severa e um rasto significativo de danos um pouco por todo o País.

A depressão levou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a colocar vários distritos do continente em aviso vermelho, o nível mais elevado de alerta, devido à combinação de rajadas de vento muito fortes e ondas de grande dimensão. Entre a madrugada e o início da manhã desta quarta-feira, 28 de janeiro, o mau tempo fez-se sentir de forma particularmente intensa na região centro e no litoral, provocando interrupções nos transportes, quedas de árvores e danos em infraestruturas.

Durante a noite, foram registadas rajadas de 150 km/h no Cabo Carvoeiro, 146 km/h em Ansião e 142 km/h no aeródromo de Leiria, diz a CNN Portugal. No Algarve, o vento manteve-se muito intenso durante a manhã, com Faro a registar rajadas de 100 km/h e valores até 130 km/h nas serras algarvias. Quanto à agitação marítima, houve a previsão de ondas com a orientação oeste-noroeste com sete a oito metros, podendo atingir 14 metros.

Apesar da gravidade da situação durante a noite e madrugada, as autoridades meteorológicas indicam que o pior já terá passado em grande parte do território continental, prevendo-se uma melhoria gradual das condições ao longo da manhã, à medida que a depressão Kristin se desloca para Espanha. Eis o que precisa de saber.

Das vítimas mortais às ocorrências significativas

A consequência mais grave da tempestade Kristin foi a confirmação de cinco mortes associadas ao mau tempo. Segundo o "Correio da Manhã", um homem na casa dos 40 anos morreu de madrugada em Vila Franca de Xira, depois de uma árvore ter caído sobre a viatura ligeira em que seguia, ao quilómetro 6 da Estrada Nacional. O alerta foi dado pelas 04h31 e, apesar da rápida intervenção dos meios de socorro, o óbito foi declarado no local.

A ocorrência mobilizou 13 operacionais dos Bombeiros de Vila Franca de Xira, apoiados por cinco veículos, bem como a VMER e a PSP. Os trabalhos de remoção da árvore e limpeza da via prolongaram-se por cerca de três horas, tendo a estrada sido reaberta ao trânsito pelas 07h57, com a circulação entretanto desviada para uma via paralela.

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Na manhã desta quarta-feira, o Governo confirmou uma segunda vítima mortal na sequência da depressão Kristin, lamentando “profundamente a perda de duas vidas” e apresentando condolências às famílias, embora as circunstâncias da segunda morte ainda não sejam conhecidas, diz "O Minho". Entretanto, o número de vítimas mortais já subiu para cinco.

A par disto, entre a meia-noite e as 6 horas da manhã, foram contabilizadas 655 ocorrências, maioritariamente relacionadas com quedas de árvores e estruturas. O distrito de Leiria continua a ser o que mais inspira cuidados às autoridades. Segundo a Proteção Civil, citada pela SIC Notícias, há registo de “muitos danos no edificado, linhas telefónicas e linhas elétricas”, com uma “destruição muito grande” em várias zonas, o que levou as autoridades a aconselharem a população a permanecer em casa, enquanto prosseguem os trabalhos no terreno.

Há falta de luz, transportes interrompidos e escolas encerradas

Os efeitos da tempestade fizeram-se sentir de forma significativa nos transportes, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa. De acordo com a Transtejo, diz o "Notícias ao Minuto", a ligação fluvial entre Cacilhas e o Cais do Sodré foi interrompida devido às condições atmosféricas e de mar muito adversas.

Numa atualização publicada às 5h33, a empresa indicou que o serviço se encontra temporariamente suspenso, não sendo, para já, possível prever quando será retomada a circulação regular entre os portos fluviais dos municípios de Almada, Setúbal e Lisboa. A agitação marítima severa colocou em risco a segurança das embarcações e dos passageiros.

A par disso, de acordo com o "Jornal de Notícias", a CP - Comboios de Portugal informou que a circulação na Linha do Norte, entre o Porto e Lisboa, para comboios de longo curso foi interrompida por causa de problemas na via causados pelo mau tempo. A transportadora adiantou ainda que a circulação ferroviária entre Mercês e Sintra está a ser realizada em via única.

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Também por razões de segurança, vários espaços públicos e estabelecimentos de ensino foram encerrados. A SIC Notícias diz as aulas estão suspensas em Coimbra, Miranda do Corvo, Mira, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e Mealhada, bem como em Pombal, onde grande parte do concelho está sem eletricidade.

No distrito da Guarda, encerraram escolas e foram suspensas atividades presenciais em concelhos como Almeida, Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo e Sabugal, devido à queda de neve e à insegurança na circulação. As aulas estão igualmente suspensas em Alijó e Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), Miranda do Douro e Mogadouro (Bragança) e Idanha-a-Nova (Castelo Branco), sobretudo por dificuldades nos transportes.

No que diz respeito à energia elétrica, a E-REDES informou, diz o "Jornal de Negócios", que mais de 750 mil clientes ficaram sem fornecimento devido a danos na infraestrutura de distribuição, provocados pela depressão Kristin. No pico da tempestade, por volta das 6 horas da manhã, o número de clientes afetados chegou a cerca de um milhão, com os distritos de Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal entre os mais atingidos.

Quando é que isto vai acalmar? E o que recomenda a Proteção Civil?

De acordo com a SIC Notícias, a depressão Kristin já se encontra praticamente fora de Portugal continental, estando agora a deslocar-se para Espanha. Ainda assim, alguns efeitos continuam a fazer-se sentir nos distritos do interior, como Castelo Branco e Guarda, e na região sul, devido a uma corrente de oeste forte.

À CNN Portugal, a meteorologista do IPMA Patrícia Marques explicou que a zona centro foi a mais afetada pela tempestade, que entrou pelo distrito de Leiria e progrediu para o interior do País. A especialista estima que a situação se estabilize ao longo da manhã, com uma melhoria gradual das condições meteorológicas.

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Apesar da tendência de melhoria, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil alerta que muitos dos efeitos do mau tempo podem ser minimizados com a adoção de comportamentos adequados. Entre as principais recomendações estão a desobstrução de sistemas de escoamento de águas pluviais, a fixação adequada de estruturas soltas e a especial atenção à circulação em zonas arborizadas, devido ao risco de queda de ramos e árvores.

A Proteção Civil recomenda ainda evitar a circulação e permanência junto da orla costeira e zonas ribeirinhas vulneráveis, não praticar atividades relacionadas com o mar, adotar uma condução defensiva e não atravessar zonas inundadas.

As autoridades apelam também à restrição de deslocações não essenciais e à atenção permanente às informações meteorológicas e às indicações oficiais, enquanto decorrem os trabalhos de reposição da normalidade.