Marina Machete é um dos nomes mais ouvidos em Portugal nas últimas semanas. Depois de 28 anos no anonimato, a assistente de bordo foi coroada Miss Portugal em outubro deste ano e seguiu confiante para a maior competição de beleza do mundo: Miss Universo. Marina tornou-se na primeira mulher transgénero a competir e a vencer o título de Miss Portugal, e foi a terceira a participar no concurso mundial, a seguir à sevilhana Angela Ponce, em 2018, e a Valerie Kollé, dos Países Baixos, que também participou este ano.

Contra 84 mulheres, Marina Machete conseguiu chegar ao top 20 da competição. No entanto, o facto de a assistente de bordo, que começou a sofrer bullying aos 13 anos quando andava na escola precisamente por se assumir como uma mulher transgénero, ter sido a eleita para representar Portugal, gerou bastante controvérsia, tanto nas redes sociais como em programas televisivos. Miguel de Sousa Tavares foi um dos maiores críticos da vitória de Marina, tendo feito bastantes comentários no "Jornal das 8", na TVI.

Marina Machete. 6 coisas que tem de saber sobre a primeira mulher transgénero eleita Miss Portugal
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Ainda assim, a modelo acredita que a sua história é uma história de “superação”. Numa entrevista ao "Jornal da Noite", na SIC, no domingo, 26 de novembro, Marina Machete sabe que, apesar de todos os baixos que teve, o alto de poder competir na Miss Universo compensou tudo. “A minha história é uma história de superação, de coragem, e no final toda a força que foi posta na minha vida e na minha sobrevivência realmente compensou”, disse. 

Desvalorizando os comentários negativos, assumindo que é preciso transformá-los em visibilidade, a modelo referiu que ficou muito feliz com o feedback de algumas pessoas. “É gratificante, acima de tudo, que as pessoas me consigam ver por quem eu sou, o ser humano que eu sou e que a minha história faz parte de mim e me impulsionou a estar aqui”, disse.

No entanto, Marina Machete garante que todo o percurso que fez nos últimos dois meses não a definem. Para a assistente de bordo, os prémios e o reconhecimento são apenas detalhes e partes da sua história. “É um rótulo meu, de ser eu mesma, ser autêntica. Ser uma mulher que por acaso é trans, e que por acaso foi Miss Portugal, e que por acaso foi top 20 no Miss Universo”. Para o futuro, Marina apenas quer quatro coisas: ser mãe, mulher, casada e ter uma vida privada. 

No programa da tarde da SIC, conduzido por Júlia Pinheiro, a Miss Portugal voltou a reforçar a sua ideia, especialmente a de querer constituir família. “Desde muito nova que sinto esse lado maternal, é algo que eu espero e que eu pensava que nesta idade já teria, mas depois meteu-se o Miss Portugal e o Miss Universo”. Aliás, o projeto de vida de Marina Machete era mesmo, entre os 20 e os 30 anos, já ter uma família completa. No entanto, graças a forças maiores, está apenas a viver o que o universo lhe deu e a aproveitar todos os momentos. 

Até esses dias acabarem, a Miss Portugal garante que tem “muitos planos”. “Acima de tudo quero continuar a unir as associações que se calhar não tiveram aquela amplitude e visibilidade que deveriam ter tido”, disse no programa.

No entanto, Júlia Pinheiro não deixou que os comentários negativos de Miguel Sousa Tavares passassem ao lado, e acabou por perguntar a Mariana Machete como se sentiu. “Fiquei desiludida, porque esperava mais”, disse. Na altura, o comentador disse que as mulheres tinham saído “maltratadas” do concurso depois de Marina o vencer, e que não achava legítimo “um transexual” concorrer “a um concurso de beleza feminino”, dizendo que era “batota”.

Ainda assim, Marina Machete voltou a desvalorizar os comentários negativos, assim como na entrevista de domingo. “Assimilei tudo o que tinha de assimilar e estou a trabalhar no sentido de reverter essa imagem que foi passada naquela noite”, disse. “Mas acho que é um passo positivo para se mostrar o trabalho que ainda tem de se fazer daqui para a frente, e também acho que está a ser feito”, concluiu a Miss Portugal.

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