O mês de outubro está a ser difícil para o príncipe André. Depois de se saber, a 17 de outubro, que o irmão do Rei Carlos III e filho da Rainha Isabel iria abdicar de todos os seus títulos reais, incluindo o mais importante, o de duque de Iorque, foi nesta quinta-feira, 30 de outubro, que o Palácio de Buckingham anunciou num comunicado que o príncipe André vai mesmo deixar de usar esse título - a partir de agora, será apenas André. Esta decisão da família real, segundo o "The New York Times", é inédita na história moderna da família real britânica.

Príncipe André e Sarah Ferguson concordam em sair de mansão da família real — mas só se receberem casas em troca  
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"Sua Majestade iniciou hoje um processo formal para remover o Estilo, Títulos e Honras do príncipe André. O príncipe André passará a ser conhecido como Andrew Mountbatten Windsor. O seu contrato de arrendamento da Royal Lodge concedia-lhe, até agora, proteção legal para permanecer na residência. Foi agora emitida uma notificação formal para a entrega do arrendamento e ele irá mudar-se para um alojamento privado alternativo. Estas censuras são consideradas necessárias, apesar do facto de ele continuar a negar as acusações contra si", lê-se no comunicado.

"As Suas Majestades desejam deixar claro que os seus pensamentos e mais profundas simpatias têm estado, e continuarão a estar, com as vítimas e sobreviventes de quaisquer e todas as formas de abuso", rematou o Palácio de Buckingham. Além disso, a família real informou também que o príncipe André se irá então mudar para uma propriedade em Norfolk, para uma residência pessoal do Rei Carlos III, e que o irmão irá ajudar o agora ex-realeza com fundos monetários. A ex-mulher de André, Sarah Ferguson, vai deixar de receber apoios, mas as filhas, Beatrice e Eugenie, continuarão com os seus títulos.

Esta decisão vem depois de o "The Guardian" ter publicado alguns excertos do livro póstumo de Virginia Giuffre, "Nobody's Girl: A Memoir of Surviving Abuse and Fighting for Justice", onde a ativista descreve detalhadamente os seus encontros sexuais com o príncipe André na altura de Jeffrey Epstein.

Aqui, a mulher, que morreu em abril deste ano aos 41 anos, avançou que o primeiro encontro entre os dois durou "menos de meia hora" e que, alegadamente, o então duque de Iorque lhe lambeu as plantas dos pés. Já no terceiro ocorreu alegadamente durante uma “orgia” com Jeffrey Epstein, e outras raparigas também menores de idade.

Esta amizade entre André e Jeffrey Epstein também não é conhecida apenas agora, uma vez que foi precisamente a descoberta desta relação em 2019 que fez com que o príncipe se tenha afastado das suas funções reais. Aliás, as histórias acabam por se interligar ainda mais agora que um email de 2011 foi revelado, onde o príncipe terá dito a Jeffrey Epstein que agora estavam "juntos" naquilo, um dia após ser publicada a famosa fotografia em que André aparece com o braço à volta de Virginia Giuffre.

A mulher decidiu apresentar queixa por agressão sexual na altura, e em janeiro de 2022, a Rainha Isabel retirou os títulos militares e patrocínios oficiais do príncipe André depois de um juiz ter rejeitado a sua tentativa de arquivar o processo de agressão sexual movido por Virginia Giuffre.

Os dois acabaram por resolver o assunto fora do tribunal, com a ativista e o duque de Iorque a chegarem a um acordo extrajudicial por um valor não revelado. No entanto, o príncipe acabou também por deixar de ser tratado como "Sua Alteza Real", e a meio de outubro ficou então sem os seus outros títulos. Agora, deixa de ser príncipe.