Soraia Tavares já era conhecida nas redes sociais como Pequena Soraia. Se mudarmos umas letras do seu nome, obtemos o título do filme da Disney, cujo live-action chega aos cinemas esta quinta-feira, 25 de maio: "A Pequena Sereia". Por coincidência cósmica (e fruto do seu trabalho), a atriz e cantora portuguesa, que acaba de lançar o seu mais recente álbum, "A Culpa é da Lua", estará aos comandos da dobragem da personagem principal desta produção, a bela e destemida Ariel.

A MAGG foi até às profundezas do oceano (ou ao Oceanário de Lisboa, vá) para se encontrar com a artista, no evento de apresentação da versão portuguesa do filme, que decorreu esta quarta-feira, 17. E é caso para dizer que, apesar de a adaptação do clássico se centrar neste ser marinho mitológico, Soraia Tavares ainda estava na lua com o facto de ter sido escolhida para lhe dar voz.

Na verdade, agarrar este papel foi mais do que um mero desafio profissional – foi a concretização de um sonho. "Se havia dobragem que eu sonhava fazer, depois de tantos anos a fazer dobragens, era esta", conta Soraia Tavares à MAGG, acrescentando que ficou "muito emocionada" quando descobriu que o papel era seu. "Eu estava a gravar uma novela na altura e comecei aos gritos no meio do estúdio e ninguém estava a perceber o que é que se estava a passar", admite.

Soraia Tavares é "A Pequena Sereia" portuguesa. Atriz dá voz à nova versão do clássico da Disney
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Mas à materialização deste desejo antecederam-se meses de algumas dúvidas. Na altura do casting, a artista "não estava bem vocalmente" e tinha algum receio de deitar tudo a perder. "Estava com alguns nódulos e, quando percebi que ia fazer o casting, fiquei um bocadinho cabisbaixa, confesso, porque era uma coisa que queria muito", explica.

Essa apreensão ganhava ainda mais expressão quando se apercebeu de que as canções deste musical são "muito exigentes". "Houve cantoras, colegas que eu admiro muito, que concorreram. As músicas estão com um nível muito exigente e que muitos poucos cantores seriam capazes de ficar à altura", explica a atriz, acrescentando que os responsáveis pela audição "ficaram muito indecisos durante muito tempo".

No entanto, o medo foi substituído pela euforia aquando da sua seleção. "De repente, o meu nome de Instagram fez sentido", aponta, entre risos. Afinal, mesmo com uma voz que julgava não estar assim tão boa, deixou todos rendidos ao seu canto de sereia (literalmente) – que até já pudemos ouvir ao vivo, este domingo, 21 de maio, na gala do "The Voice Kids".

"Tenho bastante responsabilidade porque esta personagem está no imaginário de muitas pessoas"

De Anita, em "Cruella", a Nala, em "O Rei Leão", Soraia Tavares não é forasteira no mundo das dobragens. Todos os papéis que já abraçou acarretam alguma responsabilidade, porque dá "sempre o melhor" que consegue, mas a este projeto acrescem algumas, nomeadamente o facto de esta personagem já estar gravada na memória de muita gente.

"Neste caso, acho que tenho bastante responsabilidade porque esta personagem está no imaginário de muitas pessoas", confirma a atriz, acrescentando que, além de corresponder às expectativas das gerações que a história atravessou, também quer estar "à altura dos sonhos da Soraia criança".

Isto porque a artista acredita que este novo remake se assume como uma ode à representatividade, a partir do momento em que Halle Bailey foi selecionada para dar vida a Ariel – e Soraia Tavares, enquanto mulher negra, admite ter-se sentido representada, querendo ajudar nessa missão também.

"Eu soube que a Halle Bailey tinha sido selecionada, mas só pensei nessa questão quando vi a reação daquelas crianças negras ao trailer", conta a artista, referindo-se aos vídeos que ficaram virais na Internet, aquando do lançamento do primeiro trailer do filme, em setembro de 2022. "Foi aí que eu percebi que, realmente, isto é sobre representatividade", aponta.

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créditos: Instagram

Mas nem toda a gente o encarou dessa forma. Depois do anúncio da seleção de Halle Bailey para o papel, em 2019, a atriz e cantora norte-americana foi amplamente criticada por não se assemelhar ao desenho animado, chegando até a receber críticas de cunho racista. Apesar de, em certa parte, entender a relutância dos fãs, a atriz portuguesa acredita que "foi longe demais".

"Consigo entender que haja algum afastamento de algumas pessoas, porque nós vemos uma série sempre com o mesmo ator, por exemplo, e se um ator muda faz-nos um bocado de confusão, independentemente da cor", explica. "Eu acho que isso acontece, sim, mas os ataques foram mesmo longe demais", enfatiza.

É por isso que, agora, espera contribuir para a representação de tantas crianças, sendo a sua voz, na adaptação portuguesa, um veículo para esse propósito. "Ver que esta atriz vai representar tantas crianças e saber que também vou poder representá-las vai é muito emocionante, porque a representatividade é um dos temas mais importantes para mim neste momento", conclui.

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