As séries de anime japonesas marcaram-nos a infância e deixaram no imaginário os pequenos bolinhos com uma textura aparentemente pegajosa que víamos as personagens comer de forma gulosa. Do ecrã para Lisboa, os mochis, tradicionalmente oferecidos no Japão na altura do ano novo, vêm em boa hora, uma vez que um novo (e melhor) ano vem mesmo a calhar. Mas estes não são uns bolinhos japoneses quaisquer.

Niji Mochis, marca que se vai instalar na carta de vários restaurantes de Lisboa, não descurou da tradição, mas acrescentou um toque especial à apresentação — gourmet —, bem como ao sabor. "Têm uma fina camada de farinha de arroz glutinoso, por fora, e por dentro uma mousse de vários sabores", que vão desde o chá verde à manga e maracujá.

Quem nos explica é Lina Leite, de 33 anos, brasileira licenciada em nutrição e formada em gastronomia, duas áreas que nem sempre estão de acordo, principalmente no que diz respeito aos mochis que de saudável só têm o equilíbrio que devemos ter entre os pecados e uma rotina alimentar que vá ao encontro da linha.

Lina Leite
Lina Leite, responsável pela Niji Mochis em Portugal créditos: divulgação

Lina é a impulsionadora da Niji Mochis em Portugal e o interesse por esta sobremesa japonesa despertou depois de trabalhar alguns meses  com a marca em Barcelona, cidade onde os mochis se instalaram em 2015. Antes de ter ido para Espanha, Lina esteve em Lisboa em 2017 e trabalhou num supermercado de produtos naturais e biológicos durante um ano. No entanto, tinha o sonho de morar no país vizinho e foi para lá que seguiu.

"Acordei um dia e algo dizia que tinha de voltar para Lisboa. Mas pensei que não queria voltar e ter um tipo de trabalho qualquer. Então, em conversa com uma amiga minha, ela sugeriu levar os mochis para Lisboa. E eu pensei: 'Porque não?'", conta Lina Leite, à MAGG. O "não" foi palavra que nem se colocou depois de sugerir à ex-chefe — Agnesa Novitchi, fundadora da marca em Espanha e natural da Moldávia — que também queria que os mochis passassem fronteiras.

"Digo que fui para Espanha para conhecer a Niji e voltar para cá com o projeto", brinca Lina. Apesar de Portugal não ter sido o sonho em 2017, em 2020 tornou-se a sua maior ambição. É por cá que quer dar a conhecer os mochis e nós, como bons curiosos de tudo o que toca à gula, queremos provar esta textura duvidosa.

O que tem este mochi de tão especial?

Para além de juntar quatro nacionalidades — japonesa da receita original, brasileira e moldava das responsáveis e ainda espanhola pelo local onde o projeto começou — os mochis juntam outras características que os tornam distintos. É que esta iguaria já não é novidade, pelo menos para quem percorreu várias lojas de produtos japoneses ao descer a Avenida Almirante Reis.

Afinal, em que é que diferem estes mochis do Niji Mochis? "O nosso é um produto artesanal. Fazemos o mochi um a um: abrimos a massa de arroz e cortamos em pedacinhos. É tudo feito manualmente, não tem um processo industrial, não tem máquinas. A massa de farinha de arroz é uma massa fina, delicada. E o sabor? Não tem igual", puxa Lina a brasa ao mochi, que agora é também um bocadinho seu.

Além disso, tal como defende o mote da marca — "muito mais que mochis" — Lina defende que esta é "uma experiência completa. É como se fosse uma explosão na boca de texturas", acrescenta.

Sabores de mil e uma cores

Oreo ou tiramisú são alguns dos sabores da Niji Mochis disponíveis apenas em Barcelona, cidade que Agnesa Novitchi, de 36 anos, licenciada em Administração e Gestão de Empresas, conquistou pela barriga. Coincidência ou não, o cabelo rosa da fundadora do projeto combina com um dos best sellers da marca: o mochi de cheesecake, recheado com uma geleia de mirtilo e framboesa (que também vamos ter por cá).

Agnesa Novitchi
Agnesa Novitchi, fundadora da Niji Mochis em Espanha créditos: divulgação

Além deste, há muitos outros sabores para provar em Portugal: o de chá verde, tal como o de cheesecake, é dos mais famosos e entre as restantes opções encontra-se o de morango, baunilha, yuzu (cítrico asiático), chocolate branco e preto. Cores então o que não falta na oferta da Niji Mochis, e só assim poderia ser, uma vez que Niji significa "arco-íris" em japonês.

Se em Espanha já se vendem cerca de 30 mil mochis por mês, em Lisboa as expetativas estão altas, mas, para já, os mochis vão ser apenas a cereja no topo de uma refeição asiática de restaurantes da capital.

Vai poder completar a refeição com um mochi nos restaurantes SuntoryHanayaUnique Sushi Lab, e Yohoshiro, ou levar para uma degustação em casa a partir do Bubble Lab, e do Kasutera — já muito conhecido pelo pão de ló japonês.

Os mochis ainda estão a aterrar em Lisboa, vão estar disponíveis a partir de 12 de outubro, mas Lina Leite revela já possíveis novidades para o futuro: "Pensámos fazer um sabor de ginja com chocolate ou de vinho do Porto", adianta a representante portuguesa da Niji Mochis.

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