Esta quinta-feira, 28 de agosto, ficou marcada pelo regresso de Shawn Mendes a Portugal. O cantor canadiano de 27 anos encheu a MEO Arena, a maior sala de espetáculos do País, com um concerto integrado na digressão "On The Road Again". Os bilhetes custavam entre 40€ e 120€.
Promovido pela Everything Is New, este evento contou ainda com a participação da belga Lubiana e da portuguesa MARO (que representou Portugal em Turim, no Festival Eurovisão da Canção 2022, com a canção "saudade, saudade") como atos de abertura.
As duas cantoras mostraram-se bastante gratas pela oportunidade dada por Shawn Mendes e pareceram ter dificuldade em conter a emoção, principalmente MARO. "Elas são a personificação do que admiro em artistas", disse o canadiano, durante o concerto.
Nesta noite, exibiu uma camisola da Seleção Nacional de Portugal, com o nome e o número de Diogo Jota, jogador português que morreu a 3 de julho deste ano, vítima de um acidente de viação. Mas a ligação de Shawn Mendes a terras lusas vai muito além desta homenagem, que não passou despercebida pelo público.
Filho de pai português (Manuel Mendes) e mãe inglesa (Karen Rayment), o cantor considerou este concerto "um regresso a casa". Confessou que, por norma, tem dificuldade em sentir que pertence aos lugares, mas que isso não acontece em Portugal.
"Sinto-me tão orgulhoso de ser português", exclamou, a certa altura, provocando uma gritaria desenfreada, como já seria de esperar. "Os portugueses são mesmo pessoas queridas", acrescentou, elogiando a energia do público. Vindo de Madrid, Espanha, disse que já sabia que iria ser uma "competição", já que os portugueses são "barulhentos".
Estas foram apenas algumas das muitas interações que teve com o público, numa performance que se distinguiu, a nosso ver, pela conexão que estabelece com quem o admira. Desde os sorrisos e o contacto visual aos acenos e beijos que sopra, faz questão de deixar clara a gratidão que sente pelos fãs (e desceu não uma, não duas, mas três vezes do palco para os abraçar).
Entre músicas, foi expressando a felicidade, contextualizando escolhas da setlist e arranjou um momento para falar de algo mais sério: "Senti que este era o sítio certo para fazer isto, hoje. O que tem acontecido em Gaza tem estado a partir-me o coração. Transformar a dor e o sofrimento em ódio é errado".
Shawn Mendes lançou o primeiro álbum, "Handwritten", em 2015. Entretanto, já lá vão mais quatro. Nesta tour intimista, fez um pout-pourri de todos eles, evidenciando o músico competente que é, desde o alcance da voz ao desempenho nas várias guitarras.
A 8 de maio de 2016, estreava-se em palcos portugueses, na primeira digressão mundial ("Shawn Mendes World Tour"). Nessa altura, foi alocado à Sala Tejo, da MEO Arena, com capacidade para até quatro mil pessoas. Quase uma década depois, esgota, em poucas horas, a principal.
Depois de se despedir e abandonar o palco, começou a tocar "Uma Casa Portuguesa", de Amália Rodrigues, que fechou com chave d'ouro este concerto da "On The Road Again". O próximo concerto será a 31 de agosto, em Munique, na Alemanha. Depois, a digressão vai passar pelo Canadá e pela América do Norte, terminando a 17 de outubro, em Los Angeles.
Que músicas cantou?
- "There’s Nothing Holdin’ Me Back";
- "Wonder";
- "Treat You Better";
- "Monster";
- "Lost In Japan";
- "It’ll Be Okay";
- "Isn’t That Enough";
- "Heart of Gold";
- "Señorita";
- "Ruin";
- "Never Be Alone";
- "Mercy";
- "Youth";
- "Stitches";
- "If I Can’t Have You";
- "Why Why Why";
- "In My Blood".