"Gold is cold, diamonds are dead, a limousine is a car". A nostalgia é real para quem, como nós, cresceu a ver Charlize Theron a caminhar (ou desfilar) pelos corredores do Palácio de Versalhes para dar vida ao icónico spot publicitário do perfume J’adore, da Dior. Foi um anúncio que se tornou tão marcante que quase esquecemos que aquela deusa cinematográfica, que esta quinta-feira, 7 de agosto, celebra 50 anos, é muito mais do que uma cara bonita.
Filha única, nascida numa quinta nos arredores de Joanesburgo, na África do Sul, Charlize Theron viveu uma infância que oscilava entre o encanto da natureza e a tensão de um lar complicado. Aos 15 anos, viu a mãe a matar o pai em legítima defesa, diz a BBC, um assunto que nunca teve medo de abordar de forma transparente.
Pouco tempo depois, começou a dar os primeiros passos no ballet clássico e, aos 16 anos, foi para Milão para ser modelo. O sonho, no entanto, era dançar, pelo que se mudou para Nova Iorque para estudar essa arte, até que uma lesão grave no joelho lhe fechou essa porta (e abriu outra que, contra todas as evidências, se adivinhava ainda maior).
Foi esse contratempo que a empurrou para Los Angeles, com apenas 19 anos, sem contactos nem plano B, mas com uma teimosia que viria a definir toda a sua carreira. Reza a lenda, confirmada pela própria, que foi descoberta numa banco, quando discutia com um funcionário por não conseguir levantar dinheiro de um cheque sul-africano, de acordo com a "Far Out". Um agente reparou nela, entregou-lhe um cartão e tudo começou aí.
Os primeiros papéis surgiram pouco depois, em filmes como "O Vale da Intriga" ou "O Advogado do Diabo", ao lado de nomes sonantes como Al Pacino e Keanu Reeves, onde o seu rosto impecável começou a ser confundido com o de uma estrela em ascensão. A confirmação do seu talento explosivo viria em 2003, com "Monstro", no qual interpretou Aileen Wuornos, uma mulher sem-abrigo e condenada à morte por assassinar vários homens.
Para este papel, desfigurou-se, engordou, abandonou qualquer traço da antiga imagem e foi precisamente por isso que os críticos se renderam aos seus encantos, tendo conquistado o Óscar de Melhor Atriz. Desde então, a atriz escolheu papéis com profundidade, onde pudesse desconstruir arquétipos de feminilidade e nunca quis ser apenas uma cara bonita.
Essa recusa em ser reduzida ao visual também se estendeu para o que fazia atrás das câmaras. Em 2003, criou a produtora Denver & Delilah (batizada em homenagem aos seus cães), através da qual teve controlo criativo sobre vários dos seus projetos mais ousados. Aos poucos, tornou-se uma força não só como intérprete, mas como mulher de negócios e criadora de histórias centradas em mulheres reais.
No meio de tudo isto, construiu também uma vida pessoal com a mesma autonomia. Nunca casou, adotou dois filhos (Jackson em 2012 e August em 2015) e sempre falou abertamente sobre a maternidade, mesmo quando isso significava enfrentar temas como identidade de género, solidão ou pressão social. Em 2007, fundou a Charlize Theron Africa Outreach Project e, no ano seguinte, foi nomeada Mensageira da Paz das Nações Unidas.
Apesar da pressão constante para congelar o tempo, a artista tem sido uma voz ativa contra a obsessão com a juventude. Em entrevista à "Allure", respondeu com ironia aos rumores de que se havia submetido a cirurgias plásticas. "Porra, estou só a envelhecer", disse, de acordo o "The Guardian", com a franqueza que sempre a distinguiu.
Aos 50, Charlize Theron não precisa de se reinventar para continuar relevante. Sempre soube que o verdadeiro luxo não está nas limousines nem nos diamantes, mas na liberdade de ser. É um ícone de moda há décadas, dona de uma elegância camaleónica que tanto brilha em vestidos de alta-costura como em fatos de corte masculino. E para celebrar este marco redondo, reunimos alguns dos visuais mais memoráveis da atriz.