Quando a Parfois convidou Vicky Montanari para criar uma coleção cápsula, o que se desenhou não foi tanto uma colaboração, mas mais um reencontro. A criadora já fazia parte da história da marca portuguesa quase desde os primórdios da sua jornada no fascinante mundo da criação de conteúdos e, finalmente, uniram forças, tendo culminado em peças versáteis, ecléticas e um pouco “louquinhas”, como ela própria define entre risos, algo que não podia ir mais ao encontro da sua estética.
"Fiquei um bocado receosa com o convite”, admite, no entanto, à MAGG, no evento de apresentação da linha, esta quinta-feira, 6 de novembro. "Eu já tinha feito isso uma vez, muito no início, [com outra marca] e era bastante mais inexperiente", continua, deixando ainda a certeza de que esse medo deu lugar a muitas clarezas e certezas. "Eles [a equipa da Parfois] conheciam-me, confiavam no meu trabalho, ouviram cada sugestão que eu dei", frisa.
Por isso, ao entrar nas lojas do Rossio e do Colombo, em Lisboa, onde a linha já se encontra disponível, a par do site oficial da insígnia, vai ser impossível não dar de caras com estas peças, que têm tanto de Parfois quanto de Vicky Montanari. Até porque, durante meses a fio, a influenciadora esteve envolvida em tudo, de reuniões semanais a testes, passando por protótipos e correções milimétricas.
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Ao todo, a coleção cápsula é composta por cerca de 40 peças, como conjuntos, polos, casacos, sapatos, malas e acessórios, que ganharam consistência nas suas mãos, marcadas pela geometria e pela cor. Afinal, que mais se poderia esperar de uma pessoa que, entre risos, se descreve como "geometric obsessed" (obcecada com geometria, em português) e cujo Instagram o confirma?
Os padrões, por isso, repetem-se com rigor quase matemático, mas sempre com uma excentricidade controlada. Há ritmo, mas também muito capricho, numa harmonia que se quer imperfeita. A inspiração, diz-nos Vicky Montanari, vem de vários lados: da arquitetura ou de artistas, como a excêntrica Elsa Von Freytag, que recolhia artigos da rua para os transformar em objetos decorativos. “Ela era super excêntrica, aparecia nas fotografias de pernas levantadas, a fazer caretas”, recorda a influenciadora, reconhecendo-se nesse papel.
A par disso, o visual dos anos 60 surge como pano de fundo: Twiggy, vestidos curtos, botas altas, padrões hipnóticos. Vicky Montanari diz que é uma era com que também se identifica profundamente, devido à sua vertente "mais rebelde". Contudo, a nostalgia não é literal, mas filtrada por um olhar contemporâneo, com uma paleta de cores mais viva e detalhes inesperados, como interiores azuis nos sapatos, que são feitos de pele, riscas vermelhas em lã, polos com fecho metálico e a lista continua.
As peças gritam Vicky Montanari, que entre o Brasil, a Itália e Portugal, é uma mulher que pertence a todos os locais e a nenhum ao mesmo tempo. "Sinceramente, eu nem sei onde é que eu mesma me encontro dentro de todas as minhas facetas", admite. Mas talvez a resposta resida precisamente na mistura de influências que se sobrepõem sem uma hierarquia. As cores, as texturas e as proporções falam a mesma língua da criadora: espontânea, mas rigorosa; irónica, mas emotiva; moderna, mas curiosamente analógica.
Há também, nesta coleção, uma filosofia de vida que atravessa o trabalho e o tempo. Quando se fala no seu crescimento meteórico, Vicky Montanari desarma qualquer pretensão. “Acho que está a acontecer no tempo certo, porque eu vivo muito no presente. Eu vejo a vida em fatias", explica-nos, deixando claro que este modus operandi protege-a do ruído das redes e da respetiva aceleração constante. A coleção nasce desse mesmo princípio: uma cápsula efémera, de um mês em loja.
E se ao olhar para a coleção, que lhe vamos mostrar de seguida, não souber onde usar as peças, a influenciadora dá uma dica. Afinal, sendo que tudo é uma questão de styling, afirma que estas tanto dão "para um café de manhã quanto para um jantar", tanto se vestem "para o trabalho como para uma festa". Até porque o estilo é apenas o reflexo de quem escolhe viver (e vestir-se) com imaginação.