Se fizéssemos este ranking há cinco anos, não sei se teríamos restaurantes suficientes sequer para um Top 5. Mas a verdade é que, em 2019, Lisboa conta com mais de 20 restaurantes vegan. Sim, até nós ficamos surpreendidos.

Desde buffets a fast food, comida saudável e outra a lembrar os pratos bem portugueses, a verdade é que a comida com base vegetal está por todo o lado, a descartar a desculpa do "ser vegan é difícil, porque não há onde comer".

De uma lista imensa, fomos a 17 restaurantes, abarcando aqui desde aqueles que só servem almoços, outros apenas jantares, uns movidos a batata frita e outros nos quais açúcar é palavra proibida. Excluímos os buffets, porque o critério aqui era apreciar uma refeição feita de entrada, prato principal e sobremesa.

Os resultados podem surpreender alguns, e outros podem estranhar nem fazer parte da lista, mas o importante aqui não é só a comida. Tivemos em conta critérios como o atendimento, o ambiente, a apresentação, o preço e até o tempo de espera.

Com este ranking queremos ajudar a dar resposta ao amigo que nos pergunta: "Se me tivesses que aconselhar um restaurante vegan para ir, qual era?". Aos meus amigos, eu diria estes.

10. Quintal de Santo Amaro

Este restaurante vive maioritariamente da Uber Eats, até porque os lugares sentados são limitados. E isso é um ponto negativo quando falamos de restaurantes onde queremos ir e ficar a comer.

É que ainda por cima vale a pena. O atendimento no Quintal de Santo Amaro levou nota 10, assim como a apresentação do prato. E por muito cuidado que se tenha, receber a comida numa caixinha levada numa mota não é o mesmo que comer tudo feito na hora.

Todos os dias há um prato do dia, mas também há opções de tostas e sopas. E doces, daqueles que podemos comer sem culpa, porque aqui não entram açúcar nem farinhas refinadas.

O que gostámos mais

O pão de beijo — versão vegan do famoso pão de queijo brasileiro. É incrível. Assim como o copinho de cacau, caramelo e uva. De sonho. Ah, a banda sonora é impecável e faz a companhia perfeita para um almoço.

O que gostámos menos

Do espaço, que por ser pequeno não convida a comer no local.

9. Botanista

O irmão mais novo do Ao 26, o Botanista, nasceu para valorizar a comida de origem vegetal. Aqui não se veganizam pratos portugueses, faz-se tudo de raiz e as inspirações vêm de todo o mundo.

Estão abertos para almoços e jantares, coisa ainda rara no que toca a restaurantes vegan ou vegetarianos, que se focam habitualmente apenas nas refeições mais rápidas.

Já cá vim tomar o pequeno-almoço, almoçar e jantar, e de todas as vezes é o doce que chama a atenção. E é ele que salva a refeição que, ainda que agradável, não chegou para ocupar os lugares cimeiros deste ranking.

O que gostámos mais

Das guiozas de entrada, feitas no ponto perfeito. Suaves de um lado e tostadas do outro. Mas meus amigos, se querem sair daqui felizes, peçam a frigideira de frutos vermelhos para sobremesa. Pensem só neste combo: crumble, gelado caseiro e frutos quentes. Morri.

O que gostámos menos

Um restaurante vegan que se preze tem que saber cozinhar bem o tofu. Aquele que nos chegou à mesa estava cortado grosso demais e, por isso, ficava pobre em sabor. Além de que na verdade ninguém gosta de mastigar grandes pedaços de tofu, mesmo que bem cozinhado. A abóbora que completava o prato estava demasiado doce. O que vale é que este momento, por ter acontecido entre as guiozas e o crumble, quase que passou despercebido.

8. Organi

O Organi não nasceu vegan, mas desde o início deste ano que passou a servir todos os pratos com base vegetal. Ao cortar o peixe — nunca serviu carne — focou-se nos legumes e no equilíbrio dos nutrientes no prato.

Ao almoço estava bastante composto, ainda que também sirva jantares. Ainda assim, o serviço não foi demorado, também porque trabalham à base de pratos do dia.

O que gostámos mais

Do pão de arroz que todos os dias fazem e servem de couvert, acompanhado do queijo de caju que passaram agora a desenvolver no restaurante.

O que gostámos menos

Pode parecer absurdo reclamar de um prato cheio, mas a verdade é que a dose é mesmo grande e vi várias pessoas — eu inclusive — a ter que entregar o prato por terminar.

Além disso, um restaurante que diz ter uma preocupação ambiental não pode servir água em garrafas de plástico. Chamei a atenção e o responsável garantiu que era temporário, devido a uma rutura de stock.

7. R/C Oriente

Esta pode ser uma surpresa, até porque ainda não o indiquei a alguém que já o conhecesse. Fica em Alvalade, no piso de cima de uma escola de ioga e, durante muito tempo, funcionou apenas como casa de chá.

Em junho, o R/C Oriente mudou de conceito e passou a ser 100% vegetariano e, além do chá e dos bolinhos, há todos os dias dois pratos do dia, além de outros tantos que ficam sempre na carta.

O que gostámos mais

Calhou-nos na rifa uma lasanha de tofu para almoço. Esqueçam as placas de massa a que nos habituamos a associar à lasanha. Aqui é o próprio tofu, intercalado com legumes bem temperados, que montam o prato, que vem ainda com salada e pickles caseiros, um sinal de que a macrobiótica está na base de tudo o que é feito neste rés do chão.

Mas seja lá o que for que esteja a ser servido no dia da sua visita, não saia de lá sem provar a tarte gelada de chocolate e caramelo salgado. É isso mesmo: tarte gelada de chocolate e caramelo salgado. Não há como correr mal.

O que gostámos menos

Nota-se que o espaço não nasceu como restaurante. Há zonas vazias e outras ocupadas com uma parte de loja. Os lugares limitados ficam ainda mais limitados no verão, uma vez que o calor que o vidro não bloqueia torna impossível fazer uma refeição sentado nos lugares da janela.

6. Miss Saigon

O Miss Saigon foi o primeiro restaurante vegetariano a servir comida de todo o mundo e agora dedicam cada dia da semana a um país diferente. Calhou-nos Itália e, por isso, levei com um risotto de arroz negro com cogumelos que era só incrível. Sei que aqui nada é deixado ao acaso e que aquele arroz é de marca premium e que os cogumelos são, com certeza, os melhores do mercado. E só isso justifica o preço, que, ainda que justo, não é para todos os dias. Só o prato custa 9,95€, ao qual, se juntarmos sopa, bebida e sobremesa, saímos a pagar próximo de 20€.

O que gostámos mais

Nunca comi nada no Miss Saigon de que não tivesse gostado. Até a sopa, que se dizia de abóbora, estava longe de ser uma sopa de abóbora comum. O creme era super cremoso e o sabor nada aborrecido. Mas o ponto alto é sempre a hora da sobremesa, altura em que poso provar o melhor brownie — vegan ou não vegan — de que tenho memória.

O que gostámos menos

Talvez apenas o horário e a localização. É que estar aberto das 12 às 16 horas, apenas nos dias úteis, e no Parque das Nações é coisa para obrigar a grandes jigajogas sempre que lá quero ir comer.

5. Cozinha de Alecrim

Este espaço no Príncipe Real partilha com o Quintal de Santo Amaro o problema de espaço. Na Cozinha de Alecrim só se sentam, no máximo, umas oito pessoas e, por isso, Patrícia Cerqueira, a chef de serviço, foca-se bastante no take away e nas entregas.

O espaço combina com a Patrícia, na verdade, que gosta de dar atenção aos pormenores e enche a parede de fotografias e o prato de comida com produtos sempre feita de raiz.

Agora está a desenvolver uma gama de queijos vegan, que tive oportunidade de provar. Vem servido com tostas caseiras e um doce de marmelo, caseiro também, claro.

O que gostámos mais

Da tábua de queijos vegan que nos foi servido para entrada. Eram cinco queijos, desde um para barrar e outro a fazer lembrar camembert.

O que gostámos menos

O espaço, que chega a ser claustrofóbico se a ideia é ir almoçar com companhia. Não queria que a Patrícia perdesse o cuidado que dá a cada prato, mas gostava sim de a ver a servir mais pessoas.

4. Ao 26 - Vegan Food Project

Aqui está o restaurante onde, se vai sem lugar marcado, espera-lhe uma longa fila à porta. O Ao 26 estar em todos os guias do veganismo, uma vez que sempre que lá vou, mais de metade da sala não fala português. Mas faz sentido, é o local ideal para que os vegans deste mundo experimentem comida portuguesa, o que pode se uma odisseia para quem não come nem carne, nem peixe, nem ovos, nem queijo.

Não sou a maior fã deste processo de veganizar os pratos, mas é uma boa opção quando bate a saudade de um bacalhau à lagareiro, que aqui é feito em forma de tofu, ou de um arroz de pato, cujo pato ganha a forma de cogumelos.

O que gostámos mais

Das "sardinhas" de entrada. Vêm numa cama de pão e pimentos e conseguem, usando algas, dar a sensação de que, de repente, estamos em junho algures em Alfama.

Saltamos os pratos principais diretamente para a sobremesa quando o assunto é provar o melhor do restaurante. A tarte de Oreo, amendoim e chocolate nunca saiu da carta e isso justifica-se assim que metemos a primeira garfada à boca.

O que gostámos menos

O espaço é um pouco claustrofóbico e penso que talvez tenha demasiadas mesas para a capacidade.

3. The Food Temple

Aqui está um restaurante que nunca tinha visitado e estava à espera que fosse de novo primavera para o fazer. É que, por ser na Mouraria, o The Food Temple, aproveita-se das escadinhas para montar mesas improvisadas no exterior.

Mas estamos em dezembro e tendo em conta a temperatura, damos graças aos santinhos da comida verde por haver um lugar à nossa espera naquela que é a maior mesa do restaurante.

A carta é curta e muda todos os dias. Há quase sempre entre três ou quatro entradas, um prato principal e uma ou duas sobremesas. Mais do que suficiente, a deixar a curiosidade para o que poderemos encontrar numa próxima visita.

O que gostámos mais

Várias coisas. Logo assim a abrir, gostei do ambiente, com música ambiente à altura. Fomos recebidos com a banda sonora de Narcos e o jantar continuou com orquestras cubanas.

A tarte crua de tahini e laranja que pedimos de sobremesa. Deliciosa.

Depois, os funcionários. Giros e do mais simpático que se pode encontrar por aí.

O que gostámos menos

Do facto de, com temperaturas tão baixas, todas as entradas serem frias. Como optei por pedir três entradas em vez de um prato principal, saí de lá com o estômago a pedir um chá quentinho.

2. Kitchen Dates

Aqui começa o dilema. Troquei a posição deste segundo e primeiro lugar várias vezes, porque na verdade os dois mereciam a minha pontuação máxima.

Nos Kitchen Dates vai-se pela comida, mas principalmente pela sua história. Tudo aqui é pensado, mas mesmo tudo. Fazem o pão, os queijos, os desidratados e até o café, ou melhor a cevada. Não geram desperdício — são o primeiro restaurante desperdício zero do País — e não usam nada que não seja português e, se possível, local. Conseguem, por isso, cozinhar sem especiarias. Malta, é fazer-lhes um altar.

O que gostámos mais

Da mesa comunitária, que permite conhecer sempre gente nova a cada refeição. Quando falamos de comida, nada como o pão de trigo barbela barrado com o queijo de amêndoa.

E agora topem-me a descrição do prato principal: puré de couve flor, pak choi e cogumelos assados, caldo de pés de shitake e algas com casca de dióspiro em pó, amendoim e hortelã. Uma delícia.

O que gostámos menos

Falta ao espaço mais elementos para que não fique tão vazio. Se a ideia é fazer os clientes sentirem-se em casa — uma vez que começaram exatamente por receber pessoas em casa — falta ali um sofá, uma mantinha, uns tapetes e mais fotos.

O facto de não terem um horário certo — servem jantares nuns dias, brunch noutros e almoços em nalguns dias de semana — também dificulta uma ida espontânea. Mas a verdade é que também ninguém vai àquela zona de Telheiras sem um propósito.

1. The Green Affair

E chegámos ao vencedor.

O The Green Affair, no Saldanha, ganhou o meu coração logo na primeira visita. Foi a primeira vez que entrei num restaurante vegan sem ser em estilo buffet, ou com decoração e música shani. É que os vegan, às vezes, só querem ir comer fora e beber um copo de vinho, ok?

A decoração é elegante, os funcionários super simpáticos e, não só têm vinho, como toda uma carta de cocktails. É, no fundo, um restaurante normal, mas sem proteína animal.

E se até era de se esperar pagar mais no fim da noite, o espanto é ver que nenhum dos pratos principais custa mais do que 11,95€.

O que gostámos mais

Do espaço e do ambiente. É um restaurante vegan, mas podia servir carne maturada, e não digo isto no mau sentido. Digo apenas porque é bom ver um restaurante sem conceitos clean-natura-verde-ioga só porque serve comida vegan.

Os funcionários são super competentes e o serviço flui de forma perfeita.

Em termos de comida, é bom para levar todos aqueles que ainda têm dúvidas quanto a um prato onde não jaz uma vaca ou uma posta de peixe. O bife de seitan vem servido com um molho super guloso e o tofu, do tofu à lagareiro, vem — finalmente! — bem temperado e cortado na dimensão certa.

O que gostámos menos

Na verdade, não me consigo lembrar de nada de negativo nesta noite. Melhor ainda foi saber que acabam de abrir um segundo espaço, desta vez no Chiado.

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