Já todos sabemos que passamos demasiado tempo nas redes sociais (há, com certeza, um artigo à mão de semear que comprova isto). E também sabemos que não validamos e filtramos muita da informação que nos chega. Mas nem queremos, não é? Para que serve estarmos informados, se nos basta sentir e parecer que o estamos? Se podemos opinar sem uma verdadeira aquisição de conhecimento, e se um simples post vai ao encontro do que acreditamos (ou queremos acreditar), para quê aprofundar o tema? Para quê garantir que as fontes são credíveis e que há um verdadeiro conhecimento de causa? Que há uma investigação, ou não, por trás de tudo o que está a ser partilhado?

O incêndio na Amazónia, por exemplo, ao contrário do que dizem os estudos, acabou por nos beneficiar. Sim, de um momento para o outro, formámo-nos em política e em engenharia do ambiente e ainda levámos para casa, sem sair dela, um certificado em agronomia. Nessas semanas, uma grande percentagem dos nossos dias foi passada a ler percentagens. E que percentagem destas percentagens é que estava correta? Não sei, mas escolhemos a que, a nosso ver, nos dava mais jeito e partilhámos.

E com a mesma rapidez e facilidade que partilhamos e nos mostramos informados, caímos no descrédito. E pior do que nós, são as visões que defendemos. Visões que ficam turvas aos olhos de quem questiona e até está disposto a ouvir-nos, ou a ler-nos.

E é esta forma leviana com que marcamos uma posição e passamos por CEOs da inspiração que faz com que mais de 67% das conversas (Candeias, Marta et al.) termine com um “daqui a uns tempos já vêm dizer o contrário”. E isto sim, impede-nos de influenciar comportamentos e mudar mentalidades.

Apercebo-me desta realidade quando a temática envolve um estilo de vida mais saudável e sustentável. A curiosidade que seria de esperar pelo que é menos comum torna-se uma crítica, que de construtiva pouco tem, e o suposto interesse dá lugar a uma série de perguntas cujo desarme é a única resposta.

Nesta era cheia de certezas e razões, deixou de haver espaço para o desconhecimento, para a tentativa e para o erro. E isto é frustrante. Frustrante não, que a frustração também não tem lugar. É “só” ligeiramente limitativo, não haja dúvida.

Moral da história: o que é feito da Amazónia?

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