Uma das imagens mais icónicas do Dubai são os arranha céus. O mais famoso é o Burj Khalifa, mas outros são de igual importância e adrenalina. Sim, adrenalina. Quem tem medo de alturas ou vertigens pode não lidar bem com o Edge Walk do Sky Views Dubai, que é no fundo um passeio em volta do 53.º andar de um dos edifícios com vista panorâmica para o Dubai. Mas isto é um resumo muito breve do que foi verdadeiramente o Edge Walk, por isso aguardem pela verdadeira descrição.

Contudo, o Dubai de hoje passou por várias fases e uma delas está explicada no museu Etihad, palavra que significa união, referindo-se aos sete emirados que assinaram um acordo em 1971 e formaram os Emirados Árabes Unidos (EAU). Toda a história é contada num museu grande (demais para o que é necessário), inaugurado em 2016, e bastante interativo, o que torna mais fácil e interessante perceber como tudo aconteceu e o que implicou.

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Dos sete, o Dubai é o emirado mais populoso e Abu Dhabi, a capital dos EAU, ocupa 80% do território. Já Sharjah é o emirado mais conservador de todos. Fomos sabendo tudo isto guiados por Carherin até chegar ao local onde está exposto o acordo assinado pelos sete emirados, apresentado de forma especial. O documento em si está sobre uma estaca de madeira dentro de uma vitrine, mas cercado por uma parede banhada a ouro — palavra muito presente neste museu e símbolo do poder dos EAU, tal como o petróleo, que tornou-se a principal fonte de riqueza para a economia desde a década de 1930.

Museu Etihad
Museu Etihad créditos: MAGG

Depois de um breve contexto histórico sobre a constituição dos Emirados Árabes Unidos, é altura de voltarmos a focar-nos num deles: o Dubai e o nosso diário de bordo do terceiro dia.

Vimos uma palmeira em cima do mar e uma cidade de brincar no Edge Walk

The View
The View créditos: instagram

Pode parecer que estamos a alucinar, mas tudo o que acabámos de anunciar aconteceu. Vimos mesmo uma palmeira, mais precisamente a Palm Jumeirah a partir do 52.º andar do The View at The Palm. É mais uma obra do Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, que em 1997 começou a pensar numa forma de duplicar o tamanho da costa do Dubai. Sendo que alguns dos símbolos do Dubai são o falcão, o camelo e a palmeira, o mais simples foi escolher a árvore das tâmaras (que agora até existem cobertas de chocolate de leite, branco ou negro). Contudo, neste país que se desafia a si próprio, uma ilha em forma de animal seria só mais uma espetacularidade que o iria diferenciar.

Depois de vários estudos, em 2001 o projeto lá avançou e a costa começou a ganhar forma, com recuso a altas técnicas de tecnologia, GPS e imagens de satélite que deram origem a um tronco e 17 ramos. Nestes, foram construídas residências, villas de praia e em 2008 abriu o primeiro resort, o cinco estrelas Atlantis, The Palm. Hoje o projeto conta com 1.500 villas distribuídas pelos ramos e duas marinas, que além de poderem ser vistas no The View at The Palm (desde 45€ por adulto), são observáveis a partir do espaço, dado que a Palm Jumeirah é das poucas ilhas no mundo que pode ser vista a parir do espaço a olho nu — sortudos dos extraterrestres e do multimilionário Jeff Bezos. Ou não. É que uma ida ao The View at The Palm é sempre também uma oportunidade para explorar mais o Dubai, como fizemos.

Explorar ou desafiar. Porque é muito isso de que se trata o Edge Walk, no Sky Views Dubai.

É como que uma representação de tudo o que se faz no Dubai: sempre mais, melhor, com mais luxo e mais unicidade. Como referimos antes, a ideia do Burj Al Arab era construir algo nunca feito e que nunca será feito novamente. A mesma ideia aplica-se à nossa experiência no Edge Walk, inaugurado em novembro de 2021.

Nunca tínhamos andado em redor de um edifício no 53.º andar. E existe alguma provavelmente de não voltarmos a fazê-lo, pelo menos tão depressa. O que nos leva agora a pensar que devíamos ter levado o desafio mais a sério quando estávamos no topo. A ideia é andar numa plataforma minimamente larga segurados por uma corda, enquanto se aprecia a vista. A diferença deste lugar para uma varanda panorâmica como, por exemplo, a do Burj Khalifa, é que não tem proteções em redor.

Se quisermos pôr um pé do lado de fora no alto de um 53.º andar, podemos. Podemos e quisemos fazê-lo, mas não conseguimos. Por uma simples razão: pensámos demasiado. Nestas aventuras não se pode pensar, é preciso atirarmo-nos de cabeça, ou melhor dizendo, de corpo. Esta parte ainda fizemos.

Edge Walk

Com a ajuda do instrutor do Edge Walk, primeiro sentámo-nos de frente para a vista, depois virámos as costas e fomos movendo o corpo nesta posição para a beira do precipício. Só de relembrar, está de volta o frio na barriga, o tremer de pernas, no fundo, a adrenalina. Que é o objetivo desta experiência: sentir adrenalina. Para ver vistas vamos ao Burj Khalifa, ao The View at The Palm, ao Dubai Frame. Aqui é para sentir. E a meio da volta apercebemos de que não nos estávamos a permitir-nos sentir. Então siga: "Como é que nos aventuramos mais um bocado nisto das alturas”, perguntámos. Lá veio novamente o instrutor, cedeu-nos um braço a pedido só para sentirmos mais algum apoio e abrimos as asas de frente para o Dubai.

Salaam Aleikum, cidade agitada, daqui a MAGG finalmente de braços abertos para sentir esta experiência. Neste momento já nos permitimos usufruir mais da vista e de certo modo a altura tornou-se insignificante. Lá em baixo parecia uma cidade de brincar e o que estávamos a fazer como que um sonho.

Depois de regressar à base e despir o fato, ficou a sensação de que aquilo que fizemos foi ainda pouco. Faltou o último exercício: um braço e uma perna do lado de fora. Fica para o próximo passeio on the edge. A experiência custa mais de 180€ por adulto.

Sambar no Dubai: porque não?

Sushisamba Dubai
Sushisamba Dubai créditos: instagram

Deixamos a gastronomia para fim e cada uma melhor que a outra. A 15 de novembro de 2021 a marca Sushisamba, que já existe em Londres e Las Vegas, foi levada para o 51.º piso do hotel St Regis, no Dubai. Já que andávamos por lá, obviamente fomos sambar para o novo espaço. Ou melhor. A comida do restaurante é que levou o samba para a boca.

Que festa de sabores foi a da beringela logo à primeira dentada nas entrada? Um misto de recuar à infância no que pareciam estrelitas (mas era arroz crocante) no topo de uma beringela, grelhada no ponto, que vinha ainda com um creme de miso branco por cima. Se só por uma simples beringela já temos tamanha descrição, imaginem quanto não vale o resto, ainda por cima com esta vista.

A carta é variada, funcionando com menu executivo ao almoço (cerca de 36€, com sopa, duas entradas e prato) e à la carte ao jantar. Como fomos almoçar, começámos com uma sopa miso — aqui sem grandes surpresas, igual às demais — e depois duas entradas.

Aconselhamos a ir com companhia, porque assim samba-se melhor pela vasta oferta deste restaurante. É que entre o ceviche de salmão com molho de maracujá a saber a verão (um verão com boa vibe e não o do calor abrasador do Dubai), o género de peixinhos da horta, com um toque de aioli de trufa negra, e o bahia samba roll, ligeiramente picante, se não for a partilhar não dá para chegar aos principais. E tal como no samba nunca se pode quebrar o ritmo, no Sushisamba não se pode parar nas entradas.

Para principal podemos optar entre ir para a cozinha peruana, brasileira ou japonesa. Após uma grande indecisão, eis que... continuámos sem conseguir fazer uma escolha por haver tantos pratos curiosos. Sugeriram-nos então o chef’s moriawase samba nigiri sushi, o que acabou por fazer sentido para provar mais a fundo o que dá nome ao restaurante: sushi.

Veio uma seleção de quatro nigiris, com o peixe imaculadamente cortado e sem grandes adornos para manter a autenticidade e mostrar a frescura das peças, e mais dois rolls, os samba futomaki, com pérolas que se desfazem na boca como que a regar a peça composta por atum, abacate, pepino e tempura de camarão.

Para a mesa veio também um arroz chaufa, feito com arroz selvagem e ovo cozido a baixa temperatura, prato que é acabado na mesa. É como que a versão peruana da nossa açorda, em que o ovo só é envolvido quando o prato é servido de modo a criar ainda mais água na boca e, nos dias de hoje, permitindo novos conteúdos para a geração do digital.

Espaço para sobremesas é que já não houve, a não ser que fosse depois de um samba. Mas o tempo estava contado porque este foi o boost de energia para ir ao Edge Walk.

Trufa e lagosta no Dubai. É preciso dizer mais alguma coisa?

Esplanada e bar Rockfish
Esplanada e bar Rockfish créditos: divulgação

Depois de visitar o Burj Al Arab no nosso segundo dia no Dubai, foi altura do o admirar de noite, desta vez a partir de um dos sete restaurantes do hotel Jumeirah Al Naseem, o Rockfish. Como o nome indica, é dedicado ao peixe e todos os dias tem novos sabores no menu de degustação (mais de 115€ por pessoa).

Entre os vários servidos, há dois que nos fizeram fechar os olhos de deleite: o tártaro de atum com fatia de trufa e molho ponzu e o risotto de lagosta.

Risotto lagosta
créditos: MAGG

Com pratos de alta cozinha e ondas como banda sonora, caia bem um copo de vinho, mas no Dubai o melhor (e mais saudável, na verdade) é pedir uma água, porque o álcool não é para todas as carteiras e neste restaurante um só copo pode custar mais de 27€.

Fomos descansar dos luxos na selva do Monkey Bar

Depois de um jantar com lagosta, seria um desperdício de noite se fossemos diretos para a cama. Trocámos então os lençóis pelo Monkey Bar do 25hours Hotel Dubai, com um ambiente selvagem para descansar dos tons metalizados no interior dos edifícios do Dubai e dos dourados no exterior, assim como dos carros Lamborghini e Porsche à entrada do hotel Jumeirah Al Naseem.

“O primeiro Monkey Bar abriu em Berlim. Como esse 25hours Hotel está muito próximo do zoo, quando vais a esse bar, com um rooftop, consegues ver os macacos do zoo. É isso que está por detrás do conceito", explicou-nos Joshua, tourist marketing do 25hours Hotel Dubai sobre a razão do nome e decoração do espaço. Já do Monkey Bar do Dubai, aquilo que se vê é o Museu do Futuro iluminado e os arranha céus em frente ao hotel, fazendo um contraste pouco comum.

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Mais uma vez, o álcool não é em conta, mas vale a pena uma cerveja por mais de 10€ só para estar no mood do ambiente divertido e descontraído, onde ora toca Beyoncé, ora Shakira, ora Red Hot Chili Peppers. Em alternativa há sempre mocktails (servidos com palhinhas biodegradáveis, como em todas as bebidas) bem apresentados para acompanhar uma conversa entre amigos.

Outras ocasiões menos conversa e mais pé de dança, em particular nas noites com animação de Dj.

*A MAGG está a viajar a convite do Turismo do Dubai. 

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