Quando falamos em cabana, imaginamos uma estrutura de madeira, com uma vasta vegetação à volta e quase sons nenhuns em redor (a não ser os da própria natureza). Assim são as Cabanas da Viscondessa, na ilha de São Jorge, nos Açores. A natureza é um dos pontos principais deste alojamento, tornando-se um refúgio da azáfama das cidades do continente.

"É um sítio que proporciona as condições de tranquilidade, paz e sossego para que a pessoa possa carregar baterias", revela à MAGG Jorge Silveira, de 65 anos, que ao lado dos filhos gere o alojamento. Jorge trabalhou largos anos na função pública em Lisboa, mas também ele sentiu que precisava de se afastar dos dias intensos que vivia na cidade.

"Isto foi um completo mudar de vida. Chegou uma altura em que começaram a adiar a idade da reforma e eu comecei a ver que tinha de largar tudo porque senão ia envelhecer na função pública sem energia para fazer mais nada", conta Jorge, que sempre teve o sonho de "tentar algo de novo para o final da vida", acrescenta.

Decidiu arriscar e encontrou na ilha, que fez parte da sua infância e onde tem bens de família, uma nova forma de viver e de aproveitar aquilo que os antepassados deixaram preservado para si.

O legado das Cabanas que hoje são destino de férias

As Cabanas da Viscondessa estão inseridas na Quinta da Bacelada cujo terreno pertencia à administração da Viscondessa que dá nome ao projeto. "Na minha infância sempre ouvi histórias contadas pelos meus pais sobre familiares do século XIX, nomeadamente da Viscondessa, e sempre tive curiosidade em aprofundar e saber quem é que eram estas pessoas", diz Jorge.

Foram também estes parentes que ao longo dos últimos dois séculos cuidaram do terreno para que hoje Jorge pudesse ter o seu próprio projeto — ainda que tivesse tardado.

Era suposto as Cabanas da Viscondessa terem finalizado três anos de construção com a abertura na primavera deste ano, mas, mais uma vez, a COVID-19 veio atrapalhar os planos e a abertura deu-se apenas em setembro. Contudo, vem a tempo de juntar o momento presente — em que é crescente a procura por refúgios que nos façam abstrair da preocupação com o vírus e o ritmo natural do dia a dia —, ao passado que está também intrínseco à natureza intocável e bem conservada que tão bem caracteriza os Açores.

"É um alojamento mergulhado na natureza, que procura uma construção sustentável, na medida em que a construção é à base de madeira local, e ao mesmo tempo tem uma vertente cultural. Através de fotografias procura dar a conhecer um pouco dos antepassados", revela Jorge à MAGG.

A cultura reflete-se então nas cabanas às quais foram atribuídos nomes dos antepassado de Jorge, é o caso de João Teixeira ou Vitória Noronha, bem como nas fotografias dessas pessoas e de São Jorge no século XIX espalhadas pela receção. "É uma vertente quase museológica que dá uma característica diferenciadora ao alojamento. Não se encontra facilmente nos Açores", destaca Jorge.

Cabanas da Viscondessa
créditos: booking

Um retiro espiritual mesmo sem o ser

É neste ambiente, cuja decoração tem dedo da marca Carmenmiranda Interiors, que pode trabalhar (ou teletrabalhar) ou simplesmente descansar no sossego da ilha do Grupo Central do arquipélago dos Açores. Para completar esta oferta, o proprietário revela à MAGG que espera um dia poder organizar aulas de ioga ou retiros de meditação de modo a ir ao encontro da vontade de as pessoas se encontrarem a si próprias. "Cada vez mais sentimos falta disso. Eu pelo menos sentia falta disso quando estava em Lisboa", diz.

Contudo, nada o impede de fazer uma saudação ao sol ao acordar nas Cabanas da Viscondessa, isoladas pela natureza, onde não se ouvem carros, apenas pássaros e o vento a passar entre as folhas, tornando as músicas que coloca para praticar ioga ou meditação dispensáveis.

Entre as tipologias do alojamento existem estúdios com capacidade de até três pessoas e apartamentos T1 com quarto e sala, ideais para quatro pessoas. Ambos têm todas as comodidades, como cozinha equipada e varanda para respirar o ar puro deste lugar. Se quiser admirar a ilha do Pico, a 15 quilómetros, ou o Oceano Atlântico, o edifício de apoio ao alojamento é o local perfeito para usufruir da vista.

Cabanas da Viscondessa
Créditos: Liete Couto Quintal

Apesar de o pequeno-almoço não estar incluído, uma vez que pode ser preparado pelos hóspedes na cabana, mediante pedido vai receber tudo o que é de bom e local: desde o queijo de São Jorge, pão e ovos caseiros, iogurtes e ananás de São Miguel, e ainda outras frutas da época. Se pretender, também pode reservar serviço de jantar.

Cabanas da Viscondessa

Localização: Caminho de Cima – Ribeira do Nabo, 9800-404 Urzelina, São Jorge, Açores, Portugal
Contactos: 295 249 862 ou 938 709 794
E-mail: info@cabanasdaviscondessa.com

Resta saber quanto custa passar uns dias neste ambiente de sonho. Os preços começam nos 60€ por noite para uma pessoa, sem pequeno-almoço incluído. Pode ainda aproveitar uma promoção para estadias superiores a dez dias e data de reserva até 30 de abril: o valor fica em 54€ por noite, para uma pessoa, com pequeno-almoço incluído.

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