Uma das primeiras coisas a fazer após marcar uma viagem é consultar a meteorologia no local. Só depois estamos aptos para fazer o roteiro em função dos dias de chuva ou sol e compor a mala de viagem com a roupa mais adequada. Dependendo do perfil do viajante, os outfits podem ter mais ou menos relevância, mas aquilo a que às vezes damos pouca importância são as sapatilhas.

O que nem faz sentido. Se obedecemos a algumas regras no momento de comprar umas sapatilhas para correr ou caminhar, o mesmo devíamos aplicar no que diz respeito às viagens. 

Há destinos em que os passeios são leves, como uma cidade europeia, principalmente se visitada pela segunda vez, e aí até umas sapatilhas estilo All Star são aceites, já outros vão exigir um calçado mais rigoroso, como umas botas de montanha, que quase sempre vão nos pés de Susana Ribeiro, fundadora do site Mulheres em Viagem e tour líder na agência de viagens Leva-me. Mas mesmo assim, não são indicadas para todas as aventuras.

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"No ano passado subi ao Pico com as minhas botas, que chamo quase botas de guerra. São botas com que já fiz quilómetros e nunca me tinham magoado. A subir o Pico correu tudo bem, mas a descer, como temos de fazer uma força muito grande para não resvalar, acabaram por magoar-me na frente dos pés", conta à MAGG. "Portanto, existe mesmo a importância de perceber o calçado que levamos", frisa.

Susana tem experiência em passeios e trilhos em viagem, sejam destinos como Marrocos ou Islândia (para onde levou as mesmas botas e não teve qualquer problema), assim como João Amorim, mais conhecido como Follow The Sun Traveler no Instagram, que ora anda por
São Tomé e Príncipe ora pela Colômbia.

A MAGG falou com os dois para saber como escolher o calçado a levar em viagem.

Sempre

Há duas normas a reter quanto ao calçado: uma mais geral e outra mais específica sobre viagens que impliquem percorrer trilhos. Ora anote.

"Uma coisa importante é ter números um bocadinho maiores. Não levar coisas apertadas. Para fazer caminhadas é um dos primeiros conselhos", refere João, dando como exemplo a importância de aplicar a dica ao partir para o Caminho de Santiago.

Segundo o viajante do Follow The Sun Traveler, o ideal será ter um número ou meio número acima para que desta forma não sinta desconforto ao explorar o destino. "Quando caminhas muito ou desces e tens uns sapatos muito apertados, sentes logo o dedo a bater na frente", nota.

Já para fazer um trilho, além desta dica, é preciso ter em conta as características dos sapatos a levar. "Têm de ser resistentes, porque há trilhos onde há um desgaste muito grande, tanto na estrutura da bota em si, no sentido de não se descoser ou descolar, como no próprio piso: tem de ser aderente e resistente. Depois, em muitos dos países também é bastante importante que sejam impermeáveis", diz ainda.

Às vezes

Passear com chinelos? A resposta é um típico nim (expressão que existe mesmo no Priberam e aplica-se perfeitamente ao caso). Não há sim ou não, apenas deve ter em conta se são confortáveis e em que local vai usá-los. Marrocos pode ser uma das opções.

"No meu tour para Marrocos, andamos sempre de jipe, portanto, não fazemos grandes caminhadas. A única subida que fazemos é a Ait-Benhaddou, antes de chegar a Ouarzazate, e aí olho sempre para os viajantes e digo: 'Com havaiana não convém tanto'", diz Susana entre risos. "Mas normalmente andamos muito de chinelos", acrescenta.

Já João revela que não é "grande fã" de chinelos, mas reconhece que há alguns próprios para viajar. "Para sítios quentes são super apropriados, nem que uma pessoa use com com umas meias", diz o viajante do Instagram.

"Às vezes" aplica-se também, e surpreendentemente, a sapatilhas estilo All Star ou Vans, segundo os dois viajantes. "Não é um conselho técnico, mas quando são coisas de cidade acho que tem de ser algo com que nos sentimos confortáveis no dia a dia", refere João, ao passo que Susana descarta-as. "Elas não dão apoio de pé, porque são de pano. Se estamos a pensar subir qualquer coisa que possa resvalar um bocadinho — isto já sou eu com cabeça de tour líder — pode correr mal. As All Star para mim nunca foram opção", refere Susana, mas acrescenta que podem ser válidas nalguns casos.

Nunca

Quando a mala tem pouco espaço, umas sapatilhas que usamos no dia a dia podem resultar para explorar um destino de cidade em que não há muito a andar, mas poderá não ser boa ideia em destinos dados a maiores aventuras.

"Imagina que vou de viagem dois meses para um sítio qualquer e não quero ir muito carregado porque vou ter de andar com a mochila às costas. Se tiver de escolher um só calçado, escolho dependendo do destino. Por exemplo, agora na Islândia, botas [de montanha] sem dúvida. Mas para a Geórgia, onde fiz muito trekking na montanha, levei umas sapatilhas de montanha", aconselha João. "Quando fazemos muitos quilómetros, seja a fazer uma viagem a caminhar, ou, por exemplo, o Caminho de Santiago, o ideal é uma sapatilha de caminhada [sapatilhas de montanha]", acrescenta.

Contudo, sejam umas botas ou sapatilhas, eis a regra chave: não levar nada novo e nunca experimentado. 

"Não pode ser uma coisa nova, tem de ser algo que já tenhamos experimentado e se saiba que não vai magoar", refere Susana. "Podemos levar sapatos novos para viagem para quebrá-los, mas para fazer um dia de 'bate pé' em Roma, em que se anda muito a pé para conhecer a cidade" não será indicado, continua.

O único destino onde não tem de preocupar-se com o calçado a levar é no Retiro Metamorfose “Reescrever a Vida com Propósito”, que vai decorrer em Mafra de 8 a 10 julho. É organizado por Susana Ribeiro e por Paula Matias e tem como objetivo usar a escrita individual e dinâmicas de grupo para refletir sobre a vida no presente e sobre as projeções do futuro.

"Fizemos em março, na primavera, o 'Metamorfose', e correu tão bem que vamos repetir", refere Susana. A segunda edição do retiro inclui as práticas, refeições vegetarianas ao longo do dia e também duas noites de alojamento na Casa Shanti.

Aqui pode até andar descalço, porque as caminhadas são pelo interior através de momentos como o ioga e o workshop escrita criativa. Custa 399€ por pessoa (quarto partilhado) e pode inscrever-se por e-mail (ola@paulamatiascoach.com/ geral@viajecomigo.com).

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