Se tivéssemos nascido na década de 70, Rod Stewart era o nosso artista favorito. A opinião Gen Z sobre o concerto no Rock in Rio

Com 81 anos feitos em 2026, Rod Stewart foi um autêntico senhor em cima do palco, e em nada fez parecer que precisou de oxigénio há menos de uma semana.

“Rod Stewart está ‘Forever Young'”, “O oxigénio não faltou a Rod Stewart”, “Quero chegar aos 80 anos e ter a mesma energia de Rod Stewart”. São vários os títulos que podíamos ter colocado nesta crítica, mas a verdade é que nada bate o artista favorito. Numa geração – pelo menos a nossa, a tão querida geração 2000 – em que se ouvem nomes como Taylor Swift, Sabrina Carpenter, Bruno Mars, Justin Bieber e por aí fora, a obrigatoriedade de ver Rod Stewart foi uma agradável surpresa.

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Mas atenção – ninguém nos apontou uma arma à cabeça. A curiosidade falou mais alto e sendo um dos cabeças de cartaz de um dos festivais mais cobiçados do País, o bichinho ficou atrás da orelha e pensámos “porque não?”. E uma coisa garantimos: ainda bem, mesmo, que o fizemos. Com 81 anos feitos em 2026, Rod Stewart foi um autêntico senhor em cima do palco, e em nada fez parecer que precisou de oxigénio há menos de uma semana.

O recinto, esse, começou a ficar mais composto quando os primeiros acordes apareceram, e mesmo assim foi preciso algumas músicas para o público se soltar mais. No entanto, a energia do artista fez o palco do Rock in Rio Lisboa 2026 parecer pequeno, e foi logo com a canção introdutória, “Infatuation”, que Rod Stewart mostrou que ainda tem jogo de cintura e muita movimentação de anca. E senhores, que movimentação de anca.

O artista, que voltamos a dizer que completou 81 anos este ano, deu um baile de dança a muitos que nasceram, lá está, na geração 2000, e foi graças à sua diversão em cima do palco que também nós sorrimos e abanámos o capacete durante uma hora e meia de espetáculo. Não houve, na verdade, nada nos que fez desviar o olhar do palco uma única vez, e a hipnotização é real: Rod Stewart sabe mesmo como cativar o público.

Mas não lhe podemos dar todo o destaque. A verdade é que o artista soube, em muitas alturas, partilhar o palco com as suas cantoras de apoio, todas elas loiras, de vestido e a trocar o outfit sempre que Rod Stewart o fazia – o que aconteceu, pelo menos, três vezes, se não nos escapou nenhuma. Os seus vozeirões deixavam todos os presentes em êxtase, e foi quando “Jolene” começou a ser cantado que o público se uniu para cantar também. 

E o sapateado que fizeram a certa altura? E os solos que arrepiavam? E as danças que metiam toda a gente a mexer? Algo foi claro nesta passagem de Rod Stweart pelo Rock in Rio Lisboa 2026: o seu espetáculo não seria o mesmo se não tivesse este grupo ao seu lado. Foram elas que carregaram o concerto quando o artista se ausentava, quer fosse para mudar de roupa quer fosse para recuperar energias, e os aplausos foram mais do que merecidos – e já falámos do sapateado?

No entanto, ainda antes desse momento, reparámos num aspeto interessante. Foi rara a vez em que uma música cantada por Rod Stewart não tinha um solo de saxofone ou guitarra lá pelo meio, talvez para o deixar recuperar o fôlego de tanta dança, mas esses foram também alguns dos momentos mais arrepiantes de toda a performance.

O que até poderia ter sido difícil, uma vez que mesmo se estivesse apenas Rod Stewart em cima do palco ele sabia bem como dar um bom espetáculo. A par das suas cantoras de apoio, também o artista mostrou que a sua voz está boa e que se recomenda, e aquela rouquidão pelo qual ficou tão conhecido ainda lá está pronta para atacar. O facto de ter 81 anos – sim, vamos continuar com esta cartada – e cantar daquela maneira foi, acima de tudo, impressionante. 

Mas o mais bonito foi mesmo ver o público à nossa volta a vibrar com cada canção. Como já dito, no início se calhar estava tudo mais tímido, mas a verdade é que com o passar do tempo começou-se a ver braços no ar, pernas a mexer e casais a dançar bem divertidos, com rodopios e beijinhos rápidos. Sentimos, na verdade, como se estivéssemos no filme “Grease”, onde a música de fundo é tão icónica que nos faz dançar a cada batida.

E talvez por isso é que quando Rod Stewart parou a música para o público a cantar, os gritos não foram tão altos. Estava toda a gente tão dentro da sua bolha que a canção não saía de plenos pulmões em direção ao palco, e sim em direção às pessoas mais próximas.

No entanto, isso não aconteceu em “I Don’t Want to Talk About It”, a sua icónica canção de 1975. Numa só voz, o público incorporou o seu lado mais sofrido e cantou de peito aberto a tão conhecida música de Rod Stewart, que se tornou, verdade seja dita, num clássico intemporal – tão intemporal que, mesmo tendo sido produzida há 51 anos, até uma pessoa da geração de 2000 canta em plenos pulmões. Se não for para ser assim, do que serve a música?

Mas o que também deu ainda mais emoção ao concerto foi as homenagens que Rod Stewart quis fazer ao longo do espetáculo, nomeadamente à Ucrânia e à sua mulher 30 anos mais nova, Penny Lancaster. Na primeira, o artista decidiu mandar Putin para um sítio menos bonito, o que acabou por deixar o público mais efusivo, e na segunda foi enquanto cantava “Have I Told You Lately”. Numa sucessão de fotografias a aparecer no grande ecrã, foi uma dedicatória em grande. 

E por falar em ecrãs, não podemos deixar de falar sobre o assunto. Não aconteceu apenas com Rod Stewart, mas neste concerto foi ainda mais impactante. Com diferentes cores e adereços, a produção sabia bem o que estava a fazer quando decidiu mudar as imagens em cada canção, e a verdade é que deixou tudo bem mais dinâmico. Foi muito interessante perceber que tipo de design iam escolher a seguir, e nenhum tiro foi ao lado – estava tudo perfeito.

No fim, fica apenas uma sensação: que talvez não tenhamos tantos artistas icónicos nesta geração como os nossos pais tiveram nas deles. Não desmerecendo os nomes de hoje em dia, a verdade é que podemos apostar que quando chegarem aos 81 anos não se vão certamente mexer como Rod Stewart, que tem energia para dar e vender. Ficou a sensação de tristeza por não termos ouvido mais dele mais cedo, mas a felicidade de saber que o seu repertório está espalhado pela internet. Nisso, esta geração ganha a taça.

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