À primeira vista, o espaço cumpriu sem dúvida aquilo que anunciava: conforto, privilégios e exclusividade. No entanto, o preço de quase 800€ por pessoa foi demasiado elevado para o que era proposto.
O Rock in Rio Lisboa chegou ao fim e, como em todas as edições, deixou consigo uma lista de momentos e experiências que marcaram os quatro dias de festival. No entanto, entre as várias alterações e espaços criados nesta edição, houve uma que gerou especial curiosidade: o Haier Premium Club. Prometido como a experiência mais exclusiva da Cidade do Rock, rapidamente se tornou um dos pontos mais comentados, especialmente pelo seu preço – chegava aos oito mil euros para uma mesa (ou camarote) com 10 pessoas.
A convite da Embratur, Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo, a MAGG teve a oportunidade de visitar o espaço, e se quer uma resposta curta, a verdade é que, no fim, o preço não compensa o trabalho – mas já lhe explicamos o porquê. Isto porque a questão que acaba por ficar no ar é simples: quando se tira a ideia de exclusividade, o discurso de luxo e o conceito de “premium”, será que a experiência justifica mesmo o preço de várias centenas por pessoa?
À primeira vista, o espaço cumpriu sem dúvida aquilo que anunciava, com a entrada no Premium Club a revelar um ambiente cuidado, elegante e pensado ao detalhe (tinha até mantinhas para proteger do frio da noite), com funcionários prestáveis e uma organização que contrastava com o caos controlado do recinto principal. A divisão entre a zona de convívio e a zona com vista para o palco também ajudou a criar fluidez, evitando qualquer sensação de aglomeração, algo raro num festival desta dimensão.
Mas a vista para o Palco Mundo era, sem dúvida, o grande trunfo da experiência. Ampla, limpa e a permitir acompanhar o espetáculo sem obstáculos, o Haier Premium Club oferecia mesmo uma perspetiva privilegiada que dificilmente se encontrava no relvado, sem grandes limitações de visibilidade e com uma leitura do palco, na prática, completa. No entanto, essa vantagem não se traduziu necessariamente numa maior imersão, existindo até um sentimento de quase distanciamento.
Isto porque não podemos negar que o ambiente dentro do espaço era calmo, descontraído e confortável, mas também mais distante da energia do festival. A verdade é que existia sempre uma sensação de grande diferença entre quem estava a ver o momento e quem estava a vivê-lo, com algumas pessoas totalmente envolvidas no espetáculo e outras a olhar para ele de uma varanda.
Contudo, no que toca aos serviços, o bar aberto funcionou de forma bastante eficaz, com várias opções de bebidas e sem grandes filas, o que contribuiu sem dúvida para o conforto geral. A qualidade do catering também era ótima, tanto em opções mais leves como em pratos mais compostos, mas acabou por surpreender pela negativa num detalhe importante: chegámos antes das 22h e a cozinha já se encontrava fechada, o que significou não jantar, mesmo com o cabeça de cartaz a atuar apenas mais tarde.
As casas de banho exclusivas foram outro ponto a favor, fazendo realmente diferença na experiência ao longo da noite. Pequenos detalhes como este ajudaram a reforçar a sensação de conforto e exclusividade que o espaço prometeu oferecer, e não podemos negar que não ter de ficar numa fila a aguentar a espera é das melhores sensações que se pode ter num festival. Se compensa o valor só por aí? Acreditamos que não, mas é sem dúvida uma mais valia.
No final, a verdade é que a diferença entre o Haier Premium Club e o recinto geral foi muito além da comodidade. Aqui, ganhou-se conforto, organização e uma vista privilegiada, enquanto que no recinto viveu-se intensidade, proximidade e uma ligação mais direta ao espetáculo. E talvez a maior surpresa foi perceber que, dependendo do grupo com quem se está, a energia vivida no relvado pode facilmente igualar (ou até superar, em alguns casos) a experiência mais controlada da tenda.
Por isso, por um valor a rondar os oito mil euros por uma mesa até 10 pessoas (o valor certo era de 7995€ ), equivalente assim a um total de praticamente 800€ por pessoa, não podemos negar que o Haier Premium Club colocou-se num patamar onde a questão deixou de ser apenas conforto e passou a ser valor. Foi uma experiência bem executada e visualmente privilegiada, sim, mas a ideia de exclusividade sobrepôs-se à experiência em si – e não é isso que se espera de um festival.
















