A crescer cada vez mais nas sondagens e a cimentar a possibilidade da segunda volta, a campanha de João Cotrim Figueiredo sofreu um embate esta segunda-feira, 12 de janeiro. Para além da polémica que se criou depois do candidato da Iniciativa Liberal ter declarado aos jornalistas que não excluía apoiar qualquer candidatura na segunda volta, a bomba explodiu completamente com as alegações de assédio sexual.
Através de uma publicação nas redes sociais, Inês Bichão, ex-assessora da IL que trabalhou para o partido entre abril de 2022 e outubro de 2023, quando o agora candidato a Belém era deputado, declarou que foi vítima de assédio sexual por parte de João Cotrim de Figueiredo, e afirmou ter sido alvo de comentários de teor sexual, citando frases como “só falta abrires as pernas comigo”, “de que tipo de homens gostas?” ou “mais grossa ou mais comprida?”.
Apesar de a publicação da advogada de 30 anos ter sido rapidamente apagada, surgem agora notícias que estas alegações eram conhecidas no seio do partido já há dois anos, avançou o "Observador". Também nas redes sociais, as autoras do livro "#Me Too - Um Segredo Muito Público - Assédio sexual em Portugal" publicaram uma carta aberta às mulheres que denunciam situações de violência sexista, e relataram um episódio de 2024 com Inês Bichão.
"No dia 13 de junho de 2024, quando apresentámos o nosso livro 'Metoo, um segredo muito público. Assédio sexual em Portugal' na Feira do Livro de Lisboa, uma mulher jovem veio ter com uma de nós e contou como estava a passar uma fase difícil da sua vida devido às situações de assédio sexual de que era alvo por alguém muito influente na IL. Ontem soubemos o nome dessa mulher quando a sua fotografia surgiu na comunicação social. Essa jovem mulher era Inês Bichão", escreveram na carta aberta Júlia Garraio, Maria João Faustino, Rita Santos e Sílvia Roque.
"Este episódio não é o mesmo que ter presenciado assédio; prova, todavia, que a acusação de assédio que ontem foi noticiada não é uma efabulação de pré-campanha; há, pelo menos, quase dois anos que ela foi feita a uma de nós em tom de confidência. Por isso, e porque as reações à denúncia de Inês Bichão sugerem mais um caso de linchamento mediático de uma mulher que denunciou assédio por parte de um homem poderoso, sentimos que é nossa obrigação intervir no debate", salientaram, contrariando assim a teoria de que a denúncia de Inês Bichão teria um timing específico para prejudicar a candidatura a Belém de João Cotrim de Figueiredo.
João Cotrim de Figueiredo nega tudo, vai avançar para a justiça e tem o apoio de muitas mulheres
O candidato a Belém pela IL negou logo na segunda-feira as acusações e classificou-as como “destituídas de fundamento”, garantindo ainda que vai avançar com um processo por difamação, escreve o "Correio da Manhã". O mesmo jornal cita fontes do partido, que garantem que a Iniciativa Liberal “não vai alimentar uma campanha suja que decorre neste momento por via das eleições".
Em comunicado, João Cotrim de Figueiredo apontou o dedo ao momento em que surge a denúncia, ligando-a ao crescimento da sua candidatura nas sondagens. “Trata-se de ataques a uma candidatura que tem vindo em crescendo, vinda de fora dos partidos do sistema e que preocupa interesses instalados”, escreveu.
O candidato a Belém rejeita todas as acusações, que classifica como “calúnias”, e garante que a gravidade do caso não lhe deixa alternativa. “É de uma gravidade que não pode ser deixada passar sem reação e, por isso mesmo, irei processar por difamação a pessoa em causa”, afirmou, acrescentando que o fará “independentemente das suas circunstâncias e das funções que exerce num dos gabinetes do atual Governo”.