As alterações climáticas não afetam apenas a qualidade do ar — o café também pode vir a sofrer alterações no sabor. É o que indica um novo estudo publicado no site Frontiers in Plant Science, que revela que as alterações climáticas podem afetar o "sabor, aroma e até a qualidade nutricional do café".

A qualidade dos grãos de café é influenciada pela altitude a que são produzidos — normalmente, quanto mais alta, melhor será o sabor e aroma — e pela luz solar, que se for demasiada vai levar a uma diminuição da qualidade da produção. 

"A vulnerabilidade da qualidade do café em altitudes mais baixas fornece uma visão futura sobre o que pode acontecer com a qualidade do café em altitudes mais altas, com o aumento da temperatura associado às mudanças climáticas, destacando que a adaptação climática é necessária para os sistemas agrícolas de café em todas as altitudes", frisam os autores do estudo realizado pela Escola de Ciência e Política da Nutrição Gerald J. e Dorothy R. Friedman da Universidade Tufts e pela Universidade Montana State, nos Estados Unidos.

A solução para este problema poderá passar por reduzir a exposição ao sol das culturas de produção de café através da criação de sombras, uma alternativa mais "acessível do que a recolocação de fazendas", dizem os especialistas.

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No entanto, para que isto aconteça, são necessários mais estudos para perceber se o sabor do café não será afetado. "Dada a sensibilidade da qualidade do café às alterações ambientais, são necessárias inovações baseadas em evidências para aumentar a sustentabilidade e a resiliência do setor do café no âmbito das mudanças globais", concluem os investigadores no relatório.

O impacto das alterações climáticas no sabor do café ainda não se sente, bem como o preço, mas este é outro dos fatores que pode saber igualmente mal no futuro. "Uma chávena de café de valor abaixo da média tem implicações económicas e também sensoriais. Fatores que influenciam a produção de café têm grande impacto no interesse dos compradores, no preço do café e, em última instância, na subsistência dos agricultores que o cultivam", afirma Sean Cash, economista e o professor de Nutrição Global na faculdade Friedman.

A investigação pretende não só para alertar para o efeito das alterações climáticas, como incentivar a que sejam desde já pensadas soluções de modo a "ajudar os agricultores" e a enfrentar os desafios atuais que podem comprometer o café do futuro sem o qual não começamos a manhã.

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